08/07/2025
Contratação de mais um ex-BC pelo Nubank expõe relação de interesse entre agentes reguladores e fintechs
O ex-diretor de regulação do Banco Central, Otávio Damaso, começou a trabalhar para o Nubank no cargo de consultor de Assuntos Regulatórios e de Gestão de Riscos. Ele será colega de trabalho do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que também iniciou os trabalhos, no início do mês, no cargo de chefe global de políticas públicas e vice-presidente no Conselho de Administração da holding Nubank.
"Esse é o típico mecanismo de porta giratória, que é a prática de pessoas que antes trabalhavam em cargos de relevância no setor público assumirem cargos no setor privado, e em instituições que antes supervisionavam. Existe aí um claro conflito de interesses e que compromete a integridade e confiança na direção do Banco Central", destaca Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
Ela também reforça que o período em que Campos Neto e Damaso estiveram no BC foi também o período em que a autarquia federal mais produziu medidas que beneficiaram as fintechs, com destaque para o Open Finance, ou Sistema Financeiro Aberto, iniciativa implementada pelo Banco Central em fevereiro de 2021.
O Open Finance permite que clientes compartilhem suas informações entre diferentes instituições financeiras, mediante autorização prévia. Os maiores bancos são obrigados, pelo Banco Central, a participarem da iniciativa, já outras instituições, a depender do porte, participam como voluntárias.
Análises iniciais de fontes do mercado indicam que as fintechs foram as maiores beneficiadas com o Open Finance, porque passaram a ter acesso a dados de clientes que antes eram exclusivos dos bancos tradicionais. Isso reduziu os custos operacionais com análises de dados dos clientes e permitiu que as fintechs passassem a oferecer produtos mais baratos e com menores riscos para elas.
"A entrada de figuras que moldaram a regulação e impulsionaram iniciativas como o Open Finance diretamente para o setor privado, e para empresas que se beneficiaram diretamente dessas políticas, gera um conflito de interesses que merece escrutínio", reforça Juvandia Moreira. "Ao mesmo tempo, o conhecimento privilegiado que Campos Neto e Damaso podem levar para o Nubank, sobre concorrência, informações de clientes e estratégias de negócios pode conferir uma vantagem indevida para a fintech. A preocupação é que o sistema regulatório virou uma espécie de trampolim para posições lucrativas no setor privado, e isso compromete a confiança na integridade e imparcialidade que o Banco Central tenta passar", completa.
Ligações suspeitas: Open Finance, Nubank e Banco Central
Logo após deixar o Banco Central, Campos Neto fez campanha para Ana Carla Abrão como CEO da associação Open Finance, a pedido da Zetta, presidida pelo Nubank. Otávio Damaso também fez campanha para Ana Carla Abrão, que venceu a disputa para o cargo.
“Essa interconexão reforça as dúvidas sobre a imparcialidade de Campos Neto e Damaso nas políticas implementadas pelo Banco Central e que beneficiaram as fintechs, sobretudo a Nubank”, pontua Juvandia Moreira, que também é presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
"Esse é o típico mecanismo de porta giratória, que é a prática de pessoas que antes trabalhavam em cargos de relevância no setor público assumirem cargos no setor privado, e em instituições que antes supervisionavam. Existe aí um claro conflito de interesses e que compromete a integridade e confiança na direção do Banco Central", destaca Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
Ela também reforça que o período em que Campos Neto e Damaso estiveram no BC foi também o período em que a autarquia federal mais produziu medidas que beneficiaram as fintechs, com destaque para o Open Finance, ou Sistema Financeiro Aberto, iniciativa implementada pelo Banco Central em fevereiro de 2021.
O Open Finance permite que clientes compartilhem suas informações entre diferentes instituições financeiras, mediante autorização prévia. Os maiores bancos são obrigados, pelo Banco Central, a participarem da iniciativa, já outras instituições, a depender do porte, participam como voluntárias.
Análises iniciais de fontes do mercado indicam que as fintechs foram as maiores beneficiadas com o Open Finance, porque passaram a ter acesso a dados de clientes que antes eram exclusivos dos bancos tradicionais. Isso reduziu os custos operacionais com análises de dados dos clientes e permitiu que as fintechs passassem a oferecer produtos mais baratos e com menores riscos para elas.
"A entrada de figuras que moldaram a regulação e impulsionaram iniciativas como o Open Finance diretamente para o setor privado, e para empresas que se beneficiaram diretamente dessas políticas, gera um conflito de interesses que merece escrutínio", reforça Juvandia Moreira. "Ao mesmo tempo, o conhecimento privilegiado que Campos Neto e Damaso podem levar para o Nubank, sobre concorrência, informações de clientes e estratégias de negócios pode conferir uma vantagem indevida para a fintech. A preocupação é que o sistema regulatório virou uma espécie de trampolim para posições lucrativas no setor privado, e isso compromete a confiança na integridade e imparcialidade que o Banco Central tenta passar", completa.
Ligações suspeitas: Open Finance, Nubank e Banco Central
Logo após deixar o Banco Central, Campos Neto fez campanha para Ana Carla Abrão como CEO da associação Open Finance, a pedido da Zetta, presidida pelo Nubank. Otávio Damaso também fez campanha para Ana Carla Abrão, que venceu a disputa para o cargo.
“Essa interconexão reforça as dúvidas sobre a imparcialidade de Campos Neto e Damaso nas políticas implementadas pelo Banco Central e que beneficiaram as fintechs, sobretudo a Nubank”, pontua Juvandia Moreira, que também é presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
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