23/09/2016
Histórico: greve, barbárie e resistência na Torre Santander
Um mito foi derrubado no 17º dia de greve: a invencibilidade da Torre Santander, matriz do banco espanhol no país que responde por um quinto do seu lucro mundial. O colosso de 28 andares onde trabalham 5,3 mil bancários teve as atividades interrompidas pela primeira vez na sua história nesta quinta-feira 22.
“Era necessário fechar a Torre, porque é aqui onde pulsa o coração do banco. Fechar a matriz o dia inteiro é uma perda imensurável”, opina uma funcionária. “Sem contar a questão da imagem do banco, que ele se preocupa muito”, acrescenta.
O protesto foi motivado pela intransigência da Fenaban, que não aceita negociar reajuste salarial digno. E a paralisação ocorreu diante da presença ostensiva da Polícia Militar, acionada pelo banco para intimidar a organização dos trabalhadores.
Truculência
Por volta das 9h, soldados levaram algemada para a delegacia a diretora executiva do Sindicato e funcionária do Santander, Maria Rosani, que ajudava na organização do movimento grevista. Quatro PMs, dos quais três eram homens, usaram de violência para imobilizar uma mulher de cerca de 1,60m e 50 anos.
A cena gerou revolta entre os bancários. “É uma covardia fazer isso com uma mulher”, gritou uma bancária. “A coisa mais absurda que eu estou vendo aqui é esse monte de viaturas desviadas para um motivo desnecessário”, indignou-se outra. “Deveriam estar cumprindo seu papel, que é correr atrás de bandido e garantir a segurança da população.”
O protesto foi motivado pela intransigência da Fenaban, que não aceita negociar reajuste salarial digno. E a paralisação ocorreu diante da presença ostensiva da Polícia Militar, acionada pelo banco para intimidar a organização dos trabalhadores.
Truculência
Por volta das 9h, soldados levaram algemada para a delegacia a diretora executiva do Sindicato e funcionária do Santander, Maria Rosani, que ajudava na organização do movimento grevista. Quatro PMs, dos quais três eram homens, usaram de violência para imobilizar uma mulher de cerca de 1,60m e 50 anos.
A cena gerou revolta entre os bancários. “É uma covardia fazer isso com uma mulher”, gritou uma bancária. “A coisa mais absurda que eu estou vendo aqui é esse monte de viaturas desviadas para um motivo desnecessário”, indignou-se outra. “Deveriam estar cumprindo seu papel, que é correr atrás de bandido e garantir a segurança da população.”
“Ao invés de ir para a mesa de negociação apresentar proposta digna de reajuste, o Santander chama a polícia para reprimir o direito constitucional e greve”, critica Rosani.
“Recentemente o banco ganhou prêmio de melhor empresa para se trabalhar e é dessa forma que trata seus funcionários”, acrescenta a dirigente, que foi liberada pela depois de prestar esclarecimentos na delegacia.
Momento histórico
A cena digna de uma ditadura não ofuscou a conquista histórica representada pelo fechamento da Torre. Bancários resistiram à intimidação da PM e mantiveram-se firmes na greve. E motivos para a paralisação não faltam.
“O banco quer que a gente bata 100%, 150% da meta, mas quando é para dar aumento, eles vêm com 7%. Não tenho nem palavras pra descrever esse índice”, protestou um bancário. “Pelos lucros do banco, deveriam oferecer um reajuste muito acima da inflação.”
“Um alto executivo do Santander ganha R$ 590 mil por mês. Um bancário precisa trabalhar mais de dez anos para ganhar o que um diretor recebe em um mês. Esses executivos se autoconcederam aumento de 30% no salário, mas esses mesmos diretores não aceitam dar a vocês um reajuste que sequer cubra a inflação”, lembrou Ramilton Marcolino, dirigente sindical e funcionário do Santander, falando aos trabalhadores da Torre.
“Os ganhos devem de ser mais igualitários. Queremos respeito”, afirma uma bancária. “Respeitem a força de trabalho, porque somos nós que fazemos o crescimento desse banco, então minimamente eles têm de entrar na mesa de negociação com uma proposta decente, e também devem respeitar a população brasileira, que está sofrendo com a greve.”
Mudanças profundas
Mas a mobilização não é só por salário. A luta é também por mudanças profundas, seja na gestão, seja na mentalidade. “O que mais causa insatisfação é a questão da gestão, que, de um modo geral é muito ruim”, opina uma funcionária. Os gestores não sabem liderar. Cobram as metas com agressividade, muitas vezes são mal-educados, falam alto, falam palavrão. Falta postura”, critica.
“A coisa mais importante é uma mudança de mentalidade”, acredita outra funcionária. “A gente tem que parar de aceitar essa lógica de que a gente trabalha e eles ganham. Temos que começar a pensar de uma forma diferente. As coisas evoluem com o tempo. Quando a gente tomar consciência de que isso tem de ser mudado, vamos começar a conquistar muitas outras coisas que deveriam ser nossas por direito.”
“Recentemente o banco ganhou prêmio de melhor empresa para se trabalhar e é dessa forma que trata seus funcionários”, acrescenta a dirigente, que foi liberada pela depois de prestar esclarecimentos na delegacia.
Momento histórico
A cena digna de uma ditadura não ofuscou a conquista histórica representada pelo fechamento da Torre. Bancários resistiram à intimidação da PM e mantiveram-se firmes na greve. E motivos para a paralisação não faltam.
“O banco quer que a gente bata 100%, 150% da meta, mas quando é para dar aumento, eles vêm com 7%. Não tenho nem palavras pra descrever esse índice”, protestou um bancário. “Pelos lucros do banco, deveriam oferecer um reajuste muito acima da inflação.”
“Um alto executivo do Santander ganha R$ 590 mil por mês. Um bancário precisa trabalhar mais de dez anos para ganhar o que um diretor recebe em um mês. Esses executivos se autoconcederam aumento de 30% no salário, mas esses mesmos diretores não aceitam dar a vocês um reajuste que sequer cubra a inflação”, lembrou Ramilton Marcolino, dirigente sindical e funcionário do Santander, falando aos trabalhadores da Torre.
“Os ganhos devem de ser mais igualitários. Queremos respeito”, afirma uma bancária. “Respeitem a força de trabalho, porque somos nós que fazemos o crescimento desse banco, então minimamente eles têm de entrar na mesa de negociação com uma proposta decente, e também devem respeitar a população brasileira, que está sofrendo com a greve.”
Mudanças profundas
Mas a mobilização não é só por salário. A luta é também por mudanças profundas, seja na gestão, seja na mentalidade. “O que mais causa insatisfação é a questão da gestão, que, de um modo geral é muito ruim”, opina uma funcionária. Os gestores não sabem liderar. Cobram as metas com agressividade, muitas vezes são mal-educados, falam alto, falam palavrão. Falta postura”, critica.
“A coisa mais importante é uma mudança de mentalidade”, acredita outra funcionária. “A gente tem que parar de aceitar essa lógica de que a gente trabalha e eles ganham. Temos que começar a pensar de uma forma diferente. As coisas evoluem com o tempo. Quando a gente tomar consciência de que isso tem de ser mudado, vamos começar a conquistar muitas outras coisas que deveriam ser nossas por direito.”
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