29/01/2015
Delegados sindicais defendem Caixa como banco 100% público
Delegados sindicais da Caixa Econômica Federal se reuniram na última terça-feira, 27, no Auditório Azul do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e Região, para discutir a suposta ameaça de abertura de capital do banco público. O empregados da Caixa na base sindical de Catanduva estiveram representados pelo dirigente sindical Antônio Júlio Gonçalves Neto. Também esteve presente a deputada federal e empregada do banco Érika Kokay (PT-DF), a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados, Fabiana Matheus, a representante dos trabalhadores no Conselho Administrativo do banco, Rita Serrano, além de dirigentes sindicais da Fetec-CUT/SP e dos demais sindicatos do estado de São Paulo.O movimento sindical se posicionou contra a abertura de capital da Caixa. “É importante que os trabalhadores tenham um banco totalmente público e forte. Nós temos a Caixa, e não vamos abrir mão dela”, afirma Tony Gonçalves.
O diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região ressalta que a Caixa cumpre um importante papel social no país: “Foi graças aos bancos públicos que o Brasil não sucumbiu às crises internacionais de 2008 e 2010. Os juros cobrados por essas instituições financeiras, muito abaixo dos que são cobrados pelos bancos privados, foram os responsáveis por manter o crédito dos brasileiros mesmo em tempos de crise mundial”.
Os rumores de abertura de capital da Caixa circularam na imprensa no final de 2014. Diante disso, as centrais sindicais enviaram ofício no dia 23 de dezembro à presidenta Dilma Rousseff solicitando audiência para discutir o assunto. O Palácio do Planalto ainda não se manifestou.
Reformas estruturais
A deputada federal e empregada da Caixa Erika Kokay (PT/DF) afirmou que a discussão da privatização da Caixa está ligada intrinsicamente a falta de reformas estruturais como a política, das comunicações e tributária. “É preciso tirar as dicotomias que existem entre as lutas gerais e as mais específicas, como a discussão da Caixa 100% pública, que nos remonta a uma discussão conjuntural, a um modelo de um país que queremos. Quando você abre o capital, surgem interesses que colidem com determinadas funções que são precípuas da Caixa, portanto se houver abertura do capital, isso pressupõe rasgar as funções sociais da Caixa.”Realista, a deputada destacou que o Congresso que tomará posse em fevereiro impossibilitará qualquer avanço nessas reformas estruturais citadas. “A democracia é pouco representativa; 0,08% da população detém quase 80% das terras cultiváveis e são representados por quase metade da câmara federal. Esse Congresso jamais vai taxar as grandes fortunas ou democratizar os meios de comunicação, que é um aparelho ideológico pertencente aos mesmos grupos que dominam a política. É preciso aumentar a participação popular para que possamos dar conta das tarefas das reformas política e tributária.”
35% do PIB
Para comprovar o peso econômico e social da Caixa, a representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa Maria Rita Serrano ressaltou que a instituição movimenta entre fundo de garantia, seguro-desemprego, concessão de crédito, contas correntes, pensões etc cerca de R$ 1,7 trilhão, o que equivale a 35% do PIB brasileiro. “Na bolsa de valores, ao adotar a nova governança corporativa do sistema da bolsa, a Caixa terá que vender no mínimo 25% das ações para o capital privado. Isso não é privatização? A gente tem de estudar essa questão, desmistificar, entender, se organizar e combater.”
Audiência – A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa Econômica Federal (CEE/Caixa), Fabiana Matheus, salientou o consenso e a unidade entre as diversas correntes sindicais na certeza de que a Caixa deve permanecer 100% pública e lembrou ofício enviado ao governo federal no dia 23 de dezembro reivindicando audiência com a presidenta.
“Temos a informação de que Dilma já despachou o ofício ao ministro Miguel Rossetto [Secretaria-Geral da Presidência] que está fazendo intervenções para garantir uma audiência no início de fevereiro para que a gente possa colocar claramente nossa posição, enquanto movimento organizado dos trabalhadores, de que somos contrários a qualquer iniciativa em direção a privatização da Caixa, seja 10%, 15% ou 25%. Não vamos aceitar isso.”
Fórum Regional sobre Condições de Trabalho da Caixa
Ainda na capital paulista, o diretor Tony Gonçalves participa nesta quinta-feira, 29, de uma reunião do Fórum Regional sobre Condições de Trabalho da Caixa.
O encontro deverá abordar os temas “consequências para os empregados nos casos de assaltos e golpes nas agências da Caixa” e “questões estruturais dos locais de trabalho”.
Veja também: GT Saúde retoma dia 29 debate sobre uso do superávit do Saúde Caixa
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