13/03/2026
Mesmo com mercado de trabalho aquecido, bancos eliminam 8,9 mil postos em 2025; mulheres são mais afetadas
Enquanto o mercado de trabalho brasileiro mantém trajetória positiva de geração de empregos, o setor bancário segue na contramão. Em 2025, os bancos eliminaram 8.910 postos de trabalho em todo o país, aprofundando um processo contínuo de redução da categoria.
Desde 2020 já são 26 mil postos de trabalho fechados, conforme dados de movimentação do emprego do Novo Caged, MTE.
O impacto é particularmente forte em São Paulo, principal centro financeiro do país. No Estado de São Paulo, o saldo foi negativo em 3.580 vagas, enquanto na cidade de São Paulo foram 2.563 postos de trabalho eliminados.
"Dos quase 9 mil postos de trabalho fechados no setor bancário no ano passado, quase 6 mil eram ocupados por mulheres. Isso significa que elas representam cerca de dois terços das demissões, evidenciando um impacto desproporcional sobre as trabalhadoras. A perda de renda e de autonomia financeira aumenta a vulnerabilidade das mulheres e pode aprofundar o ciclo de violência econômica e social que muitas já enfrentam", destaca Neiva Ribeiro, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
Cinco maiores bancos eliminam 12,7 mil postos
Somente os cinco maiores bancos em operação no Brasil fecharam cerca de 12,7 mil postos de trabalho no último ano, segundo dados dos demonstrativos das holdings. Esse número se refere a todo o conglomerado econômico, que inclui empresas não bancárias, como as do setor de seguros e também companhias da área de tecnologia da informação. Nessas empresas, embora muitos trabalhadores realizem atividades tipicamente bancárias, eles são formalmente alocados em outras categorias. Esse é um fato que o Sindicato tem denunciado como fraude contratual.
Fechamento de agências
Além do corte de empregos, o fechamento de agências bancárias também segue acelerado. Dados do Banco Central mostram que, em 2025, cerca de 1,6 mil agências foram fechadas no país, o equivalente a 31 unidades encerradas por semana. No estado de São Paulo, foram 649 agências fechadas, sendo 271 apenas na cidade de São Paulo.
Em 2019, 132 municípios do estado de São Paulo não contavam com agências bancárias. Ao final de 2025, esse número chegou a 221 municípios, aumento de 67,4%. Nessas localidades vivem cerca de 1,1 milhão de pessoas, segundo o Censo de 2022.
"Os bancos usam da concessão pública para selecionar o atendimento a quem tem poder aquisitivo maior, mas deveriam estar presentes em um número maior de locais e pensando em assistência à população. Essas instituições têm um número grande de agências rentáveis que compensam economicamente as agências menores e mais distantes, que os bancos não consideram lucrativas, mas que são justamente aquelas que a população de baixa renda necessita", ressalta o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Vicentim.
Os dados reforçam uma tendência preocupante: enquanto novas tecnologias e a digitalização avançam no sistema financeiro, o fechamento de postos de trabalho e de agências físicas tem reduzido o acesso da população aos serviços bancários e ampliado os desafios para os trabalhadores do setor.
O presidente do Sindicato também rebate o argumento de que a digitalização é o futuro próximo dos serviços bancários, como as instituições têm anunciado em suas propagandas. “Todas as justificativas sobre a digitalização remetem à pandemia. Durante o período houve um incentivo à utilização porque as pessoas precisavam evitar aglomerações, sair de casa, mas mesmo assim, em qualquer agência, você vai encontrar uma fila de pessoas que precisam de atendimento, sobretudo nos bancos públicos”, explica.
"Nesse cenário, os trabalhadores remanescentes acabam sobrecarregados, enquanto os bancos intensificam a migração dos clientes para canais digitais que, muitas vezes, não atendem de forma inclusiva uma parcela importante da população, como idosos, pessoas com deficiência e aqueles que não possuem acesso estável à internet", reforça Vicentim.
Desde 2020 já são 26 mil postos de trabalho fechados, conforme dados de movimentação do emprego do Novo Caged, MTE.
O impacto é particularmente forte em São Paulo, principal centro financeiro do país. No Estado de São Paulo, o saldo foi negativo em 3.580 vagas, enquanto na cidade de São Paulo foram 2.563 postos de trabalho eliminados.
"Dos quase 9 mil postos de trabalho fechados no setor bancário no ano passado, quase 6 mil eram ocupados por mulheres. Isso significa que elas representam cerca de dois terços das demissões, evidenciando um impacto desproporcional sobre as trabalhadoras. A perda de renda e de autonomia financeira aumenta a vulnerabilidade das mulheres e pode aprofundar o ciclo de violência econômica e social que muitas já enfrentam", destaca Neiva Ribeiro, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
Cinco maiores bancos eliminam 12,7 mil postos
Somente os cinco maiores bancos em operação no Brasil fecharam cerca de 12,7 mil postos de trabalho no último ano, segundo dados dos demonstrativos das holdings. Esse número se refere a todo o conglomerado econômico, que inclui empresas não bancárias, como as do setor de seguros e também companhias da área de tecnologia da informação. Nessas empresas, embora muitos trabalhadores realizem atividades tipicamente bancárias, eles são formalmente alocados em outras categorias. Esse é um fato que o Sindicato tem denunciado como fraude contratual.
Fechamento de agências
Além do corte de empregos, o fechamento de agências bancárias também segue acelerado. Dados do Banco Central mostram que, em 2025, cerca de 1,6 mil agências foram fechadas no país, o equivalente a 31 unidades encerradas por semana. No estado de São Paulo, foram 649 agências fechadas, sendo 271 apenas na cidade de São Paulo.
Em 2019, 132 municípios do estado de São Paulo não contavam com agências bancárias. Ao final de 2025, esse número chegou a 221 municípios, aumento de 67,4%. Nessas localidades vivem cerca de 1,1 milhão de pessoas, segundo o Censo de 2022.
"Os bancos usam da concessão pública para selecionar o atendimento a quem tem poder aquisitivo maior, mas deveriam estar presentes em um número maior de locais e pensando em assistência à população. Essas instituições têm um número grande de agências rentáveis que compensam economicamente as agências menores e mais distantes, que os bancos não consideram lucrativas, mas que são justamente aquelas que a população de baixa renda necessita", ressalta o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Vicentim.
Os dados reforçam uma tendência preocupante: enquanto novas tecnologias e a digitalização avançam no sistema financeiro, o fechamento de postos de trabalho e de agências físicas tem reduzido o acesso da população aos serviços bancários e ampliado os desafios para os trabalhadores do setor.
O presidente do Sindicato também rebate o argumento de que a digitalização é o futuro próximo dos serviços bancários, como as instituições têm anunciado em suas propagandas. “Todas as justificativas sobre a digitalização remetem à pandemia. Durante o período houve um incentivo à utilização porque as pessoas precisavam evitar aglomerações, sair de casa, mas mesmo assim, em qualquer agência, você vai encontrar uma fila de pessoas que precisam de atendimento, sobretudo nos bancos públicos”, explica.
"Nesse cenário, os trabalhadores remanescentes acabam sobrecarregados, enquanto os bancos intensificam a migração dos clientes para canais digitais que, muitas vezes, não atendem de forma inclusiva uma parcela importante da população, como idosos, pessoas com deficiência e aqueles que não possuem acesso estável à internet", reforça Vicentim.
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