17/03/2026
Dia Nacional de Luta no Bradesco: Sindicato vai às ruas contra demissões e abandono da população
O contraste não poderia ser mais evidente. E foi exatamente isso que o Sindicato dos Bancários de Catanduva e região escancarou nesta terça-feira (17), durante o Dia Nacional de Luta dos Funcionários do Bradesco. Em visita às agências, a entidade levou denúncia e mobilização contra a política de gestão do banco, com a distribuição de um Infopress, fixação de faixas na fachada da agência e palavras de ordem.

A mobilização colocou em evidência o verdadeiro significado da chamada “modernização” defendida pelo Bradesco: um processo acelerado de substituição de trabalhadores por tecnologia, sem qualquer compromisso com o emprego, com o atendimento ou com as cidades onde o banco atua.
Enquanto divulga avanços digitais, o banco acumula resultados bilionários: foram R$ 24,7 bilhões de lucro em 2025, ao mesmo tempo em que elimina postos de trabalho em larga escala. Nos últimos anos, mais de 7,5 mil empregos foram extintos, sendo quase 2 mil somente no último período.
“Esse movimento não é isolado. Ele se conecta diretamente ao fechamento de agências, à redução do atendimento presencial e à transformação do serviço bancário em um modelo cada vez mais distante da realidade da população. E o impacto vai muito além dos números. Com menos unidades abertas, clientes enfrentam filas maiores, dificuldades para resolver problemas simples e, em muitos casos, precisam se deslocar por quilômetros em busca de atendimento”, denuncia o secretário geral do Sindicato, Júlio César Trigo.

Em municípios menores, o fechamento de uma agência não representa apenas a retirada de um serviço. Significa enfraquecimento do comércio local, perda de circulação de renda e aumento da exclusão bancária. Ao mesmo tempo, o banco mantém, e até amplia, a cobrança de tarifas e juros, exigindo mais do cliente enquanto entrega menos estrutura e qualidade.
“O avanço digital, que poderia ser uma ferramenta de inclusão, vem sendo imposto como substituição ao atendimento humano. O próprio banco admite que o modelo digital tem custo muito inferior, mas essa economia não retorna em forma de melhorias para trabalhadores ou clientes. Na prática, o que se vê é a transferência de custos para a população e a sobrecarga dos bancários que permanecem, pressionados por metas cada vez mais agressivas em um ambiente de trabalho adoecedor”, acrescenta o presidente do Sindicato, Roberto Vicentim.

Diante desse cenário, a entidade reafirma seu papel de resistência e denúncia, e reforça que a mobilização é um chamado à consciência coletiva.
“O Bradesco precisa parar de tratar emprego como despesa descartável. Não existe modernização quando o resultado é desemprego, exclusão e piora no atendimento. E essa luta não é só dos bancários. É de toda a população que paga caro e recebe cada vez menos. Estamos aqui para cobrar responsabilidade com os trabalhadores e com a sociedade”, reforça Vicentim.
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