01/07/2019
Redução de crédito pelos bancos públicos pode impulsionar desigualdade no país

A participação dos bancos privados no saldo das operações de crédito superou a dos bancos públicos pela primeira vez, desde junho de 2013. Os dados apresentados na última quarta-feira (26) pelo Banco Central (BC) acendem um alerta para a concentração regional e setorial dos financiamentos no país, já que os bancos privados atuam exclusivamente nas áreas e públicos de maior renda. A mudança pode representar redução de crédito para a fatia da população que mais precisa e que depende das instituições públicas para o desenvolvimento.
Historicamente, os bancos privados financiam as regiões mais desenvolvidas do país, como Sul e Sudeste, e as grandes empresas. As análises para a concessão de crédito são tão criteriosas, que só obtém quem já tem dinheiro. E o crédito para o microempreendedor do interior do Norte e Nordeste? São os bancos públicos que concedem crédito para as políticas públicas.
De acordo com estatísticas divulgadas pelo BC, o saldo das operações de crédito das instituições estatais chegou a R$ 1,643 trilhão, enquanto o das instituições privadas (nacionais e estrangeiras) foi de R$ 1,644 trilhão. Em três anos, a carteira dos bancos públicos teve uma queda de 6,6%. Em janeiro em 2016 representava 30,2% do PIB e em maio deste ano é de 23,6%.
A Caixa responde por sete de cada 10 financiamentos imobiliários no Brasil. A população das regiões Nordeste e Norte são ainda mais dependentes dos bancos públicos para comprar a casa própria. Dados do Banco Central, de janeiro de 2019, mostram que, em Teresina (PI), 86% do crédito imobiliário é concedido pela Caixa, 12,3% pelo Banco do Brasil (BB) e 1,6% pelo Banco do Nordeste (BNB). Bancos privados não ofertam crédito para habitação na cidade. Ainda na capital piauiense, 78,5% do crédito agropecuário é concedido pelo BB, 16,5% pelo BNB e 2,8% pela Caixa.
“A função dos bancos públicos no desenvolvimento socioeconômico nacional, atendendo a população de baixa renda, nos programas de microcrédito produtivo orientado e no crédito agrícola, é um fato. É o banco público que oferta crédito para quem precisa. Os bancos privados visam lucro e não assumem riscos”, destacou Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae.
Crise de 2008
Durante a crise econômica de 2008, iniciada com a falência do banco de investimento americano Lehman Brothers, várias instituições financeiras do mundo quebraram. Conhecida como crise do subprime, vários bancos ficaram em situação de insolvência o que afetou as bolsas de valores de todo mundo. O evento a teve reflexos no Brasil, que só não foram maiores graças à atuação dos bancos públicos que emprestaram a baixos juros, evitando que a crise fosse maior.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Bancários de Catanduva e região: 63 anos de luta que ecoam no tempo e constroem o futuro
- ContrafCast: Confira entrevista Meilliane Vilar, advogada da CUT na defesa da lei de igualdade salarial no STF
- Prazo para votar nas eleições do Economus termina dia 7 de maio; participe!
- STF vai julgar transparência salarial e movimento sindical defende validade da lei
- Ao arrepio da lei e da negociação coletiva, Santander quer prejudicar ‘hipersuficientes’
- Em mesa, CEE denuncia desvalorização dos empregados e cobra respostas da Caixa
- ELEIÇÕES SINDICAIS 2026: COMUNICADO
- Banco Central reduz Selic em apenas 0,25 e mantém juros em nível que contribui à perda de renda da população
- Itaú fecha agências, sobrecarrega unidades abertas e bancários vivem suplício
- Agências bancárias estarão fechadas no feriado do Dia Internacional do Trabalhador
- Alô, associado! Venha curtir o feriado de 1º de Maio no Clube dos Bancários
- Cabesp anuncia reajuste nos planos Família, PAP e PAFE, que valem a partir de 1º de maio
- Por que a economia cresce, mas o dinheiro não sobra?
- Bancários e bancárias: Responder à Consulta Nacional é fundamental para definir rumos da Campanha Nacional 2026
- Em reunião com banco, COE Itaú cobra cumprimento do acordo coletivo e debate mudanças organizacionais no GERA