No 'ano do atendimento', reclamações contra o BB crescem ao passo que agências diminuem

Com a reestruturação do Banco do Brasil no final de 2016, que resultou no fechamento de postos de trabalho, diminuição das comissões e deixou inúmeros funcionários com perdas salariais que chegaram a até 60%, a direção do banco não respeitou aqueles que ajudaram a construir a empresa.
Essa situação que atingiu os funcionários não parou por aí. O BB vem investindo de forma rápida e atrapalhada na ampliação dos escritórios digitais. A novidade agora é a situação dos funcionários que perderam a carteira de clientes na última rodada de carteiras, e agora têm de bater de porta em porta para conseguir uma nova posição dentro da própria empresa. O desrespeito é tanto que muitos gerentes regionais disseram que os funcionários seriam reaproveitados nas carteiras digitais respeitando a última função de atendimento, mas isso não vem de fato acontecendo.
“O que temos visto na verdade é a gerência média correndo atrás de manter seu salário, seja ficando na PF ou mudando para PJ e vice e versa. Os escritórios digitais já estão com cartas marcadas: antes mesmo de abrir a seleção, ela já foi feita. Mesmo a Dipes sempre dizendo que não era momento de ‘acerto de contas’, no final o que vimos é o famoso ‘quem indica’”, denuncia o integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB João Fukunaga.
Ano do Atendimento - Diante desse cenário caótico, o presidente do BB Paulo Cafarelli soltou um comunicado interno no qual afirmou que 2017 será o “ano do atendimento” para a instituição. Entretanto, os esforços da gestão do banco vão em sentido contrário, principalmente com desrespeito aos funcionários.
Segundo levantamento realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o número de reclamações de clientes do BB junto ao Banco Central está relacionado à redução do número de agências praticada pela gestão do banco. O Dieese aponta que houve um aumento de 46% no total de reclamações de clientes entre o 1º semestre de 2015, quando foram registradas 12.246 reclamações, até o 1º semestre de 2017, com 17.889 ocorrências. No mesmo período, houve uma redução na média semestral de 5.541 agências para 4.943, o que representa uma variação de -11%.
“Estes dados são consequência do fechamento de agências em prol do modelo digital. Além disso, podemos somar a falta de funcionários nas agências e a transformações de muitas em Posto de Atendimento, assim como a alta demanda no SAC para assistentes e atendentes. Tudo isso tem prejudicado diretamente o setor de atendimento, o que gera um prejuízo à imagem do BB perante a sociedade." afirma o dirigente sindical.
A sobrecarga de trabalho vem comprometendo a qualidade do atendimento. Os dados registrados no Banco Central apontam que a reclamação com maior incidência é justamente a de “insatisfação com o atendimento prestado por agências”. Ao todo, foram 9.171 ocorrências, o que representa 12% das reclamações de clientes do BB entre 2015 e 2017.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região Júlio Mathias, a estratégia faz parte de um plano que ressuscita o projeto de privatização de bancos e empresas públicas. O dirigente alerta que não é só a população que sofre com a redução de unidades, que torna o atendimento ainda pior nas agências que sobreviveram ao desmonte.
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