Crise coloca remuneração de executivos em debate
Sindicato dos Bancários de S. Paulo apresentará proposta ao Banco Central sobre a política de remuneração destinada aos altos escalões dos bancos brasileiros.
A crise financeira que atingiu a economia mundial em 2009 colocou a remuneração dos executivos dos bancos no centro dos debates. Os altos bônus pagos aos cargos que definem as políticas das instituições financeiras, dentre elas a de vendas de produtos, são apontados como o estopim que gerou a crise. Diante desse quadro, o Grupo dos 20, o G-20, que reúne os maiores países do mundo, assumiu compromissos para fortalecer o sistema financeiro mundial e evitar novos tropeços.
Os trabalhadores não vão ficar de fora. A Uni Finanças (sindicato global do setor financeiro) promove esta semana, na Europa, uma campanha contra a prática irresponsável de vendas. Na sexta-feira 16, durante um ato em frente ao Banco Central Europeu, os representantes dos trabalhadores entregarão às autoridades monetárias a declaração de Frankfurt, com reivindicações e sugestões dos empregados em bancos para ajudar a coibir as práticas irresponsáveis.
“Apoiamos esse ato e participaremos de outras ações para alterar o atual quadro em que os bancários estão expostos a uma política irresponsável de venda de produtos que fere, inclusive, seus princípios éticos”, destaca o presidente do Sindicato dos Bancários de S. Paulo, Luiz Cláudio Marcolino.
No Brasil – O Sindicato dos Bancários de S. Paulo também apresentará proposta ao Banco Central (BC) brasileiro sobre a política de remuneração dos executivos dos bancos. O tema foi colocado em audiência pública pelo BC em 1º de fevereiro e o Sindicato, com acompanhamento da assessoria técnica do Dieese, está promovendo análise sobre o tema. As propostas devem ser enviadas até 30 de abril.
Segundo o BC, o objetivo da audiência pública é “promover o desenvolvimento de políticas de remuneração compatíveis com a estratégia global de gestão de riscos, formuladas de modo a não incentivar comportamentos capazes de elevar a exposição ao risco acima dos níveis considerados prudentes no curto, médio e longo prazos”.
“Estamos em processo de conclusão da análise da proposta do BC e vamos enviar nossa contribuição. Há pontos com os quais concordamos, no que se refere à transparência da política de remuneração e a divulgação de informações nos balanços”, diz Marcolino. “Mas queremos interferir também no formato dessa remuneração e no controle da venda de produtos, que estão por trás da causa dos riscos sistêmicos que resultaram na crise financeira que abalou o mundo e dos problemas de PLR que tanto afetam e descontentam os bancários.”
Marcolino convida os bancários a contribuir com o processo. “Há muitos trabalhadores na categoria que acumulam conhecimento e informação importantes que podem ajudar na construção da proposta dos trabalhadores ao BC.” Os interessados podem enviar mensagem para o site (site@spbancarios.com.br).
No Itaú – O Itaú Unibanco é um (mau) exemplo de como a forma de remuneração dos executivos interfere na PLR paga aos trabalhadores. “Estamos retomando as negociações com o banco porque não achamos justo que enquanto os bônus dos altos cargos aumentam a PLR caia”, afirma Marcolino.
Nas alturas – Pelo menos outros dois bancos, apesar do quadro internacional, pretendem ampliar o pagamento dos executivos, o que demonstra a necessidade de maior regramento para o setor.
Segundo o jornal Valor, “cem empresas abertas (...) pretendem pagar R$ 2,44 bilhões a seus diretores e conselheiros neste ano. O montante supera em 45% o total de R$ 1,68 bilhão pago pela mesma amostra de empresas no exercício de 2009”. A lista inclui Bradesco e Santander.
Livro – O debate sobre o papel do sistema financeiro no desenvolvimento nacional será feito, ainda, em livro que está sendo lançado pelo Sindicato, em parceria com a Unicamp.
Fonte: SEEB S Paulo - Cláudia Motta
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