11/05/2026

Fechamento de agências bancárias amplia exclusão de pessoas com deficiência e população vulnerável

O avanço do fechamento de agências bancárias no Brasil tem provocado impactos profundos não apenas para os trabalhadores do setor, mas também para milhões de clientes que dependem do atendimento presencial, especialmente pessoas com deficiência, idosos e cidadãos em situação de vulnerabilidade social.

Dados do Banco Central e do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) apontam que o número de agências bancárias caiu 37% em dez anos. Desde 2015, 638 municípios brasileiros ficaram sem qualquer unidade bancária, deixando cerca de 6,9 milhões de pessoas desassistidas. Atualmente, 2.649 cidades, o equivalente a 48% dos municípios do país, não contam com atendimento presencial, realidade que afeta aproximadamente 19,7 milhões de brasileiros.

Na base do Sindicato dos Bancários de Catanduva, que abrange ainda outros 35 municípios da região, o cenário também preocupa: de 2024 a abril de 2026, mais de 10 unidades tiveram suas portas fechadas. No próximo mês, outras três agências encerrarão suas atividades. Para o Sindicato, a redução da rede física representa um grave retrocesso social e amplia barreiras de acesso aos serviços bancários.

Entre os principais problemas apontados estão a falta de acessibilidade dos aplicativos e plataformas digitais para todas as pessoas com deficiência, a dificuldade de idosos em utilizar canais eletrônicos e o aumento da vulnerabilidade a golpes e fraudes. Além disso, parte da população sequer possui aparelho celular, acesso à internet ou familiaridade com tecnologias digitais.

A situação também dialoga diretamente com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), que estabelece o direito à acessibilidade e à participação plena das pessoas com deficiência em igualdade de condições com as demais. A legislação determina que serviços oferecidos ao público devem garantir acesso adequado, seguro e inclusivo, incluindo atendimento acessível e eliminação de barreiras de comunicação e tecnologia.

O secretário-geral do Sindicato, Júlio César Trigo, critica a política de fechamento de agências e alerta para os impactos sociais causados pela redução do atendimento presencial, especialmente para a população mais vulnerável.

“Os bancos não podem tratar o atendimento como mera questão de custo. Quando fecham agências e empurram a população para os canais digitais, ignoram a realidade de milhões de brasileiros que ainda dependem do atendimento presencial. Idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores e a população mais humilde têm o direito de serem atendidos com dignidade, respeito e acessibilidade. Essa lógica de enxugamento aprofunda a exclusão social, precariza o serviço bancário e também aumenta a pressão sobre os bancários que permanecem nas unidades”, afirma Júlio César Trigo.

Diante desse cenário, o Sindicato orienta todos os trabalhadores de sua base a participarem também da Campanha lançada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, “Eu Quero Mais Agências”, que inclui um site e um abaixo-assinado para mobilizar a categoria e clientes em defesa da ampliação da rede de atendimento bancário presencial.

A iniciativa busca pressionar os bancos a interromperem o fechamento de unidades e garantir atendimento digno e acessível à população. Participe e contribua com essa luta!
Fonte: Seeb/SP, com edição de Seeb Catanduva

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