27/03/2026
7º Congresso da Contraf-CUT debaterá sobre mudanças no sistema financeiro
O avanço da digitalização, o crescimento das fintechs e a expansão das cooperativas de crédito vêm redesenhando o Sistema Financeiro Nacional (SFN) e impactando diretamente a estrutura do emprego no setor. A análise integra o caderno de debates com dados e reflexões sobre as mudanças em curso e os desafios para a organização dos trabalhadores do ramo financeiro, elaborado para o 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT, que será realizado entre os dias 27 e 29 de março, no Guarujá, em São Paulo.
Segundo o estudo, a intensificação do uso de tecnologia nas instituições financeiras tem alterado a forma de prestação de serviços e o perfil ocupacional da categoria. Hoje, cerca de 75% das transações bancárias são realizadas por smartphones, enquanto o número de agências e postos de trabalho segue em queda.
Para o economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a transformação tecnológica exige respostas coletivas.
“A digitalização trouxe ganhos significativos de produtividade e redução de custos para o sistema financeiro, mas também intensificou a reestruturação do emprego. O desafio é garantir que os benefícios dessa transformação sejam distribuídos de forma mais equilibrada, sem aprofundar a precarização das relações de trabalho.”
A economista Vivian Machado, também do Dieese, ressalta que a fragmentação do setor e o surgimento de novos modelos de negócio ampliam a complexidade da ação sindical.
“A entrada de fintechs e cooperativas, somada às mudanças regulatórias e tecnológicas, exige repensar as estratégias de organização e negociação. Sem isso, uma parcela crescente dos trabalhadores ficará fora das conquistas históricas da categoria bancária.”
Propostas para enfrentar os desafios
Diante desse cenário, dirigentes da Contraf-CUT defendem a construção de alternativas que garantam proteção ao emprego e distribuição mais justa dos ganhos gerados pela inovação tecnológica. O secretário de Assuntos Socioeconômicos da entidade, Walcir Previtale, afirma que o debate precisa avançar para além do diagnóstico.
“O aumento da produtividade no sistema financeiro é inegável, assim como o crescimento dos lucros dos bancos. O que defendemos é que os trabalhadores também sejam beneficiados por esse avanço. É preciso discutir mecanismos de repartição desses ganhos, como a redução da jornada sem redução salarial e a ampliação de direitos.”
Entre as propostas defendidas pela entidade está a implementação de uma jornada semanal de quatro dias por meio de escalas alternadas, com manutenção do funcionamento das agências e serviços de segunda a sexta-feira.
“A tecnologia permite reorganizar o trabalho sem prejudicar o atendimento à população. Com planejamento, é possível reduzir o número de dias trabalhados, evitar demissões e melhorar a qualidade de vida da categoria”, acrescenta Previtale.
O secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira (Jefão), responsável pelo acompanhamento das pautas de interesse dos trabalhadores no Congresso Nacional, destaca que a entidade atua para que mudanças estruturais no setor não resultem em perdas de direitos.
“Estamos dialogando com parlamentares e acompanhando a tramitação de projetos que impactam o mundo do trabalho no sistema financeiro. A tecnologia não pode ser usada como justificativa para precarizar ou reduzir postos de trabalho. Nosso objetivo é construir uma agenda legislativa que garanta proteção social, negociação coletiva forte e distribuição dos ganhos de produtividade.”
Reconfiguração do setor e desafios sindicais
O caderno mostra que, desde 2012, o setor bancário perdeu mais de 90 mil vínculos de trabalho e registrou o fechamento de milhares de agências, ao mesmo tempo em que surgiram novas ocupações ligadas à tecnologia e novas formas de contratação.
Além disso, fintechs já superam em número as instituições bancárias tradicionais, e as cooperativas de crédito ampliaram significativamente sua participação no SFN, oferecendo praticamente os mesmos produtos e serviços dos bancos.
Para Jefão, essa reorganização reforça a necessidade de ampliar o alcance da representação sindical.
“O setor financeiro se tornou mais diversificado e fragmentado. Precisamos organizar todos os trabalhadores do ramo, independentemente do tipo de empresa ou vínculo, para garantir condições dignas de trabalho e participação nos resultados gerados pelo crescimento do sistema.”
Debate estratégico no Congresso da Contraf-CUT
O estudo servirá como base para as discussões do 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT, que terá como eixo central a construção de estratégias para enfrentar as transformações estruturais do sistema financeiro e fortalecer a organização sindical.
Para Vivian Machado, o momento é decisivo. “As mudanças em curso não são conjunturais, mas estruturais. A forma como sindicatos e trabalhadores responderem agora terá impacto direto na configuração futura do emprego no setor financeiro.”
Já Gustavo Cavarzan destaca que o debate sobre produtividade e tecnologia precisa ser acompanhado de políticas que promovam inclusão e justiça social. “A inovação deve ser uma ferramenta para melhorar a vida das pessoas, não para ampliar desigualdades. Esse é o grande desafio colocado para o mundo do trabalho.”
Segundo o estudo, a intensificação do uso de tecnologia nas instituições financeiras tem alterado a forma de prestação de serviços e o perfil ocupacional da categoria. Hoje, cerca de 75% das transações bancárias são realizadas por smartphones, enquanto o número de agências e postos de trabalho segue em queda.
Para o economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a transformação tecnológica exige respostas coletivas.
“A digitalização trouxe ganhos significativos de produtividade e redução de custos para o sistema financeiro, mas também intensificou a reestruturação do emprego. O desafio é garantir que os benefícios dessa transformação sejam distribuídos de forma mais equilibrada, sem aprofundar a precarização das relações de trabalho.”
A economista Vivian Machado, também do Dieese, ressalta que a fragmentação do setor e o surgimento de novos modelos de negócio ampliam a complexidade da ação sindical.
“A entrada de fintechs e cooperativas, somada às mudanças regulatórias e tecnológicas, exige repensar as estratégias de organização e negociação. Sem isso, uma parcela crescente dos trabalhadores ficará fora das conquistas históricas da categoria bancária.”
Propostas para enfrentar os desafios
Diante desse cenário, dirigentes da Contraf-CUT defendem a construção de alternativas que garantam proteção ao emprego e distribuição mais justa dos ganhos gerados pela inovação tecnológica. O secretário de Assuntos Socioeconômicos da entidade, Walcir Previtale, afirma que o debate precisa avançar para além do diagnóstico.
“O aumento da produtividade no sistema financeiro é inegável, assim como o crescimento dos lucros dos bancos. O que defendemos é que os trabalhadores também sejam beneficiados por esse avanço. É preciso discutir mecanismos de repartição desses ganhos, como a redução da jornada sem redução salarial e a ampliação de direitos.”
Entre as propostas defendidas pela entidade está a implementação de uma jornada semanal de quatro dias por meio de escalas alternadas, com manutenção do funcionamento das agências e serviços de segunda a sexta-feira.
“A tecnologia permite reorganizar o trabalho sem prejudicar o atendimento à população. Com planejamento, é possível reduzir o número de dias trabalhados, evitar demissões e melhorar a qualidade de vida da categoria”, acrescenta Previtale.
O secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira (Jefão), responsável pelo acompanhamento das pautas de interesse dos trabalhadores no Congresso Nacional, destaca que a entidade atua para que mudanças estruturais no setor não resultem em perdas de direitos.
“Estamos dialogando com parlamentares e acompanhando a tramitação de projetos que impactam o mundo do trabalho no sistema financeiro. A tecnologia não pode ser usada como justificativa para precarizar ou reduzir postos de trabalho. Nosso objetivo é construir uma agenda legislativa que garanta proteção social, negociação coletiva forte e distribuição dos ganhos de produtividade.”
Reconfiguração do setor e desafios sindicais
O caderno mostra que, desde 2012, o setor bancário perdeu mais de 90 mil vínculos de trabalho e registrou o fechamento de milhares de agências, ao mesmo tempo em que surgiram novas ocupações ligadas à tecnologia e novas formas de contratação.
Além disso, fintechs já superam em número as instituições bancárias tradicionais, e as cooperativas de crédito ampliaram significativamente sua participação no SFN, oferecendo praticamente os mesmos produtos e serviços dos bancos.
Para Jefão, essa reorganização reforça a necessidade de ampliar o alcance da representação sindical.
“O setor financeiro se tornou mais diversificado e fragmentado. Precisamos organizar todos os trabalhadores do ramo, independentemente do tipo de empresa ou vínculo, para garantir condições dignas de trabalho e participação nos resultados gerados pelo crescimento do sistema.”
Debate estratégico no Congresso da Contraf-CUT
O estudo servirá como base para as discussões do 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT, que terá como eixo central a construção de estratégias para enfrentar as transformações estruturais do sistema financeiro e fortalecer a organização sindical.
Para Vivian Machado, o momento é decisivo. “As mudanças em curso não são conjunturais, mas estruturais. A forma como sindicatos e trabalhadores responderem agora terá impacto direto na configuração futura do emprego no setor financeiro.”
Já Gustavo Cavarzan destaca que o debate sobre produtividade e tecnologia precisa ser acompanhado de políticas que promovam inclusão e justiça social. “A inovação deve ser uma ferramenta para melhorar a vida das pessoas, não para ampliar desigualdades. Esse é o grande desafio colocado para o mundo do trabalho.”
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