CUT entrega pauta de reivindicações da Central à presidenta Dilma
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, conseguiu no dia 17 o que estava tentando há oito meses - uma reunião com a presidente Dilma Rousseff para levar a agenda da central. O encontro, de pouco mais de uma hora, no meio da tarde da quarta-feira no Palácio do Planalto, foi norteado pelas campanhas salariais do segundo semestre.
Responsável pelas principais categorias do país - como bancários, metalúrgicos, petroleiros e químicos -, que negociam salários entre o mês que vem e novembro, a CUT levou a Dilma a avaliação de que as medidas de desaceleração da economia perseguidas pelo governo desde o início do ano não devem passar pelos salários.
Artur Henrique abriu a reunião com uma proposta e uma crítica ao governo. A CUT defendeu a criação de uma cláusula contratual nos empréstimos que bancos públicos concedem às empresas que condicione o repasse de recursos à redução da rotatividade de funcionários.
Em seguida, ele criticou afirmações recentes de Alexandre Tombini, o presidente do Banco Central, para quem, segundo Artur Henrique, "salário mais alto gera inflação". Na reunião, o presidente da CUT afirmou que o BC e o governo como um todo "deveriam ultrapassar essa opinião retrógrada".
Dilma afirmou que a instituição de metas trabalhistas nos contratos de empréstimos concedidos por Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) "pode ser trabalhada", numa tentativa de aproximação com a central. Sobre as críticas ao BC, no entanto, Dilma apenas escutou em silêncio.
Segundo Artur Henrique, as negociações salariais deste segundo semestre serão "quentes". "Vai ter muita greve se os empresários não quiserem repartir ao menos uma pequena parte do enorme lucro que vem embolsando nos últimos anos", disse, ao final da reunião.
Na conversa, Artur Henrique defendeu também que as negociações salariais do funcionalismo público neste segundo semestre ao menos façam a reposição da inflação acumulada nos 12 meses terminados no momento das negociações. Nenhuma negociação de servidores, neste ano, foi fechada com aumento salarial acima da inflação.
Segundo informações de sindicalistas, representantes das empresas estatais têm afirmado, nas mesas de negociação, que, por determinação do governo, os reajustes não devem superar a inflação em 2011.
Fonte: João Villaverde - Valor Econômico
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