Sindicato repudia ‘aumento’ irrisório do mínimo
Se a intenção maior de Dilma Rousseff (PT) era erradicar a pobreza no país, conforme afirmou em seu discurso de posse, proferido em 1 de janeiro, pode-se dizer que, em seu primeiro grande ato de governo, a presidenta passou longe de tudo aquilo em que disse acreditar.
Estivesse mesmo disposta a transformar o Brasil num país de classe média, a chefe da nação teria mantido a política de valorização do salário mínimo, iniciada no governo de seu antecessor, o ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva.
O reajuste de 6,5%, proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso na noite desta quarta-feira, dia 16, foi um acinte aos trabalhadores e aposentados de todo o Brasil e nem merece ser chamado de aumento, já que esse percentual unicamente repôs a inflação do ano passado - de 6,47%, segundo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região repudia a decisão do Governo Dilma a respeito do mínimo, sobretudo por lembrar que, para chegar onde hoje está, a presidenta contou com apoio decisivo dos trabalhadores e trabalhadoras, bem como das entidades sindicais.
O Sindicato também rejeita a atitude servil adotada pelos congressistas, em especial os da base aliada, que, ao invés de atuarem como legítimos representantes do povo, preferiram dizer amém a um reajuste que pouca diferença prática fará na vida da população.
“O mais absurdo nessa situação é que muitos dos congressistas que hoje ultrajam a população, com um aumento de 6,5% no salário mínimo, são os mesmo que em dezembro tiveram a desfaçatez de reajustar os próprios proventos em quase 70%”, afirma o presidente do Sindicato, Amarildo Davoli.
Com o “aumento para inglês ver’ (já que não aumenta nada, apenas repõe), o valor do salário mínimo passou de R$ 510,00 para R$ 545,00. Nesta hora, muitos velhinhos e trabalhadores que labutam de sol a sol certamente devem estar fazendo inúmeros planos, sobre como gastar a fortuna de R$ 35,00 que irão receber a mais em breve.
De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o salário mínimo deveria ser de R$ 2.227,53, para atender às necessidades básicas de um trabalhador e de seus familiares.
Criado em 1940, o salário mínimo veio perdendo o poder de compra desde então, por conta do descaso dos governantes em relação ao povo. Corrigido aos preços de janeiro deste ano, o primeiro mínimo seria equivalente hoje a R$ 1.202,29.
Fonte: Redação
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