15/12/2025
Estudo da USP revela que alta de juros aumenta mais o desemprego entre homens negros
Um estudo publicado em 2023 pelas pesquisadoras Clara Brenck e Patrícia Couto, do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (MADE) da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP, revelou que cada 1% na Selic real (a taxa Selic descontada da inflação) aumenta o desemprego de homens negros em 1,22 ponto percentual (p.p.) em relação ao grupo de homens brancos.
O impacto da taxa básica de juros do Brasil (Selic), determinada pelo Banco Central, sobre o mercado de trabalho já é conhecido. Quando a política monetária é contracionista, ou seja, quando os juros são aumentados, o crédito torna-se mais caro, contribuindo para a elevação de preços de produtos e serviços. Assim, empresas e famílias gastam menos, a economia esfria e, consequentemente, o mercado de trabalho também.
Porém, ao analisar o aumento da Selic no desemprego, com recortes de gênero e raça, o trabalho da USP ajuda a compreender a sua contribuição para as desigualdades socioeconômicas. Para isso, as pesquisadoras avaliaram, no período de 2012 a 2021, as evoluções da Selic e da taxa de desemprego, calculando quanto cada aumento de 1 p.p nos juros reais impactou nos níveis de desemprego de homens negros, mulheres negras e mulheres brancas, em relação ao nível de desemprego dos homens brancos (grupo usado como referência).
O resultado foi que enquanto o desemprego dos homens brancos aumentou 0,1 p.p, o aumento de desemprego entre os homens negros foi de 0,32%. Por outro lado, houve redução da diferença de desemprego entre mulheres negras e homens brancos (-1,03) e entre mulheres brancas e homens brancos (-1,46).
A hipótese levantada pelas pesquisadoras para esse resultado, em que os homens negros são os mais prejudicados, é que o aumento da taxa de juros afeta especialmente os setores de construção e indústria que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são os que mais empregam homens negros no país. Enquanto a maioria das mulheres negras no Brasil, por exemplo, está alocada em setores que são menos sensíveis às mudanças na taxa de juros, como serviços e de cuidado.
Para esses resultados, as pesquisadoras anularam ainda os efeitos das diferenças de escolaridade entre gêneros e raças, ou seja, as comparações foram entre trabalhadores com os mesmos graus de instrução. O levantamento também eliminou as diferenças populacionais entre os 13 estados analisados (em relação a menor ou maior quantidade de negros e mulheres). Sobre as diferenças regionais, enquanto, no cálculo geral, 1% na Selic real aumentou em 1,22% a razão de desemprego entre homens negros e homens brancos, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste esse percentual subiu para 1,46%.
"Demonstramos, assim, que a política monetária não é neutra em termos de gênero e raça, e seus efeitos adversos variam de acordo com os diferentes grupos sociais e regiões", escreveram Clara Brenck e Patrícia Couto no resumo executivo sobre o trabalho (clique aqui para acessar).
Movimento sindical exige juros baixos
“Esse recorte, apresentado pelo estudo da USP, que permite entender os impactos diretos das taxas de juros sobre a população negra, é mais um fator para que a classe trabalhadora continue lutando pela queda da Selic”, avalia o secretário de Combate ao Racismo, Almir Aguiar.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos (desde julho de 2006), fazendo com que o Brasil lidere o ranking mundial dos juros reais, hoje em 10,09%, superando a Rússia (8,17%) e a Turquia (6,43%).
O argumento usado pelo Banco Central para manter a Selic neste nível é por ser uma ferramenta de controle inflacionário. Entretanto, os movimentos sociais apontam que registros do IPCA, principal medidor de inflação do país, divulgados periodicamente pelo IBGE, apontam que o aumento de preços de bens e serviços estão sob controle já há alguns anos.
> Para entender mais sobre esse assunto clique aqui.
O impacto da taxa básica de juros do Brasil (Selic), determinada pelo Banco Central, sobre o mercado de trabalho já é conhecido. Quando a política monetária é contracionista, ou seja, quando os juros são aumentados, o crédito torna-se mais caro, contribuindo para a elevação de preços de produtos e serviços. Assim, empresas e famílias gastam menos, a economia esfria e, consequentemente, o mercado de trabalho também.
Porém, ao analisar o aumento da Selic no desemprego, com recortes de gênero e raça, o trabalho da USP ajuda a compreender a sua contribuição para as desigualdades socioeconômicas. Para isso, as pesquisadoras avaliaram, no período de 2012 a 2021, as evoluções da Selic e da taxa de desemprego, calculando quanto cada aumento de 1 p.p nos juros reais impactou nos níveis de desemprego de homens negros, mulheres negras e mulheres brancas, em relação ao nível de desemprego dos homens brancos (grupo usado como referência).
O resultado foi que enquanto o desemprego dos homens brancos aumentou 0,1 p.p, o aumento de desemprego entre os homens negros foi de 0,32%. Por outro lado, houve redução da diferença de desemprego entre mulheres negras e homens brancos (-1,03) e entre mulheres brancas e homens brancos (-1,46).
A hipótese levantada pelas pesquisadoras para esse resultado, em que os homens negros são os mais prejudicados, é que o aumento da taxa de juros afeta especialmente os setores de construção e indústria que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são os que mais empregam homens negros no país. Enquanto a maioria das mulheres negras no Brasil, por exemplo, está alocada em setores que são menos sensíveis às mudanças na taxa de juros, como serviços e de cuidado.
Para esses resultados, as pesquisadoras anularam ainda os efeitos das diferenças de escolaridade entre gêneros e raças, ou seja, as comparações foram entre trabalhadores com os mesmos graus de instrução. O levantamento também eliminou as diferenças populacionais entre os 13 estados analisados (em relação a menor ou maior quantidade de negros e mulheres). Sobre as diferenças regionais, enquanto, no cálculo geral, 1% na Selic real aumentou em 1,22% a razão de desemprego entre homens negros e homens brancos, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste esse percentual subiu para 1,46%.
"Demonstramos, assim, que a política monetária não é neutra em termos de gênero e raça, e seus efeitos adversos variam de acordo com os diferentes grupos sociais e regiões", escreveram Clara Brenck e Patrícia Couto no resumo executivo sobre o trabalho (clique aqui para acessar).
Movimento sindical exige juros baixos
“Esse recorte, apresentado pelo estudo da USP, que permite entender os impactos diretos das taxas de juros sobre a população negra, é mais um fator para que a classe trabalhadora continue lutando pela queda da Selic”, avalia o secretário de Combate ao Racismo, Almir Aguiar.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos (desde julho de 2006), fazendo com que o Brasil lidere o ranking mundial dos juros reais, hoje em 10,09%, superando a Rússia (8,17%) e a Turquia (6,43%).
O argumento usado pelo Banco Central para manter a Selic neste nível é por ser uma ferramenta de controle inflacionário. Entretanto, os movimentos sociais apontam que registros do IPCA, principal medidor de inflação do país, divulgados periodicamente pelo IBGE, apontam que o aumento de preços de bens e serviços estão sob controle já há alguns anos.
> Para entender mais sobre esse assunto clique aqui.
"Manter os juros nas alturas não é apenas uma escolha técnica. É uma decisão política que penaliza quem trabalha e protege quem vive de renda. Em vez de estimular a geração de empregos e a produção, essa política enriquece ainda mais bancos, seguradoras e fundos financeiros, que abocanham quase toda a dívida pública e lucram com cada ponto a mais na taxa básica. Com o pretexto de conter a inflação, o país é empurrado para um caminho de estagnação. Trava-se o consumo, freia-se o investimento produtivo e enfraquece-se a economia real, aquela que emprega, que movimenta o comércio, que põe comida na mesa. Enquanto isso, o rentismo se beneficia em silêncio, protegido por uma engrenagem que transfere renda dos que produzem para os que especulam", ressalta Roberto Vicentim, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região.
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