Justiça libera candidatura de Maluf e joga “Ficha Limpa” pelo ralo
Integrante da nada honrosa lista de procurados da Interpol - razão pela qual está impedido de colocar os pés em 181 países -, Paulo Maluf (PP) continua a deitar e rolar em sua própria terra, onde recebe tratamento digno de chefe de Estado.
Nas eleições de 2006, elegeu-se deputado federal com mais de 700 mil votos (a maior votação do país). Este ano, só não repetiu a dose porque talvez muitos de seus eleitores tenham optado pelo comediante Tiririca (PR), um candidato assumidamente incapacitado, mas que, segundo consta, jamais meteu a mão no patrimônio público e nem está com a “cabeça a prêmio” no exterior.
Dado o péssimo nível de consciência política existente em nossa capenga democracia, é até compreensível que pessoas votem em figuras abjetas (não estamos nos referindo a Tiririca, obviamente). O que não se pode aceitar, porém, é que a Justiça brasileira diga amém a certos absurdos.
Sai ano, entra ano, Maluf ganha todas nos tribunais. Pelo andar da carruagem, chegará ao fim da vida invicto. Sua última vitória foi no Tribunal de Justiça de São Paulo, que o inocentou da acusação de compra superfaturada de frangos para a Prefeitura de São Paulo, em 1996, quando era prefeito. Com isso, Maluf conseguiu ter sua candidatura a deputado federal liberada pela Justiça.
Ele estava com seu registro indeferido pela Justiça Eleitoral com base da lei da “Ficha Limpa” - esta, fruto de uma intensa mobilização da sociedade civil no sentido de trazer mais moralidade à política brasileira. Nesta sexta-feira, 17 de dezembro, Maluf foi diplomado para mais um mandato na Câmara.
Oras, se o intuito da lei era moralizar a vida pública no país, podemos dizer que tal objetivo fracassou. No momento em que urubus de toga deitam suas bênçãos sagradas sobre a candidatura de alguém como Maluf - num gesto que lançou pelo ralo a lei da “Ficha Limpa” -, fica impossível para qualquer um falar em moral, honestidade ou decência.
Há tempos, as autoridades brasileiras sabem que o “filhote da ditadura”, tal qual um pirata moderno, mantém uma imensa fortuna escondida no paraíso fiscal das Ilhas Jersey. A polícia do “micro-país” europeu chegou a bloquear cerca de R$ 200 milhões em contas no nome de Maluf e seus familiares.
Além do mais, ao redor do mundo todos conhecem de cabo a rabo a ficha corrida de Maluf, onde pesam acusações como formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fiscal e crime contra o sistema financeiro.
Fica então a pergunta: por que as autoridades brasileiras nada fazem para puni-lo? É evidente que Maluf conta com um time competente de advogados, que se aproveitam das inúmeras brechas existentes na lei para livrarem a cara de seu cliente.
Mas se tivessem de defender Maluf nos Estados Unidos, por exemplo, esses advogados brilhantes alcançariam semelhante sucesso? É bem provável que não. O sistema jurídico dos Estados Unidos (ou de qualquer outro lugar do planeta) tem falhas graves, mas é infinitamente mais justo que o brasileiro.
A verdade é que em nenhuma outra parte do mundo a Justiça é tão ineficiente, corrupta e alinhada com os interesses dos poderosos, como no Brasil. Se nos demais países a Justiça é apenas cega, aqui ela é cega, surda e burra, sobretudo quando tem de lidar com gente como Paulo Maluf.
Fonte: Seeb Catanduva
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