Santander diz que ainda não cumpre cota de 5% de pessoas com deficiência
Entidades sindicais cobraram o respeito à legislação, como forma de inclusão social das pessoas com deficiência.
O Santander confessou que não está cumprindo a legislação que prevê a cota de 5% de pessoas com deficiência (PCD) no quadro de empregados. A afirmação foi feita durante reunião específica com a Contraf-CUT, Sindicato dos Bancários de São Paulo, FETEC-SP e Afubesp, ocorrida na quinta-feira, dia 10, na Torre do Santander, em São Paulo. O encontro havia sido agendado no Comitê de Relações Trabalhistas (CRT).
As entidades cobraram o respeito à legislação, como forma de inclusão social das pessoas com deficiência. O banco espanhol alegou que, apesar dos seus esforços, não está conseguindo contratar o número suficiente de trabalhadores e colocou o e-mail diversidade@santander.com.br à disposição dos interessados para receber pedidos de emprego e currículos.
Apresentação
O banco fez uma apresentação do Programa de Valorização da Diversidade. Conforme a representante do Santander, os temas priorizados são: questões raciais, questões de gênero, pessoas com deficiência, diversidade etária (jovem aprendiz e pessoas com mais de 45 anos) e diversidade sexual.
Para discutir cada uma dessas áreas, o banco possui grupos de diálogo, formando um Comitê de Diversidade que elabora propostas para apreciação do Comitê Executivo. Os dirigentes sindicais reivindicaram participação. O banco ficou de avaliar a proposta.
Segundo a representante, o Santander visa a inclusão de pessoas com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, múltipla e reabilitado. O banco também está integrado no Programa de Inclusão e Capacitação de Pessoas com Deficiência da Febraban, buscando proporcionar capacitação específica em atividades bancárias.
Para tanto, o banco disse que essas pessoas são contratadas como funcionários desde o início do treinamento. Quem não tem ensino médio completo cursa o supletivo de 12 meses. Depois, são remanejadas para as áreas do banco.
Em relação à acessibilidade, o banco afirmou que investe em estacionamento com vagas para PCD, acesso (piso tátil), mobiliário e sanitários adaptados, rampas, elevadores com software de voz, ATM universal e funcionários na rede de agências aptos para se comunicar em libras com os clientes, dentre outras necessidades específicas.
As pessoas com deficiência intelectual possuem jornada de quatro horas diárias e contam com o apoio de ONGs especializadas.
Questionamentos
Após a apresentação, os dirigentes sindicais salientaram a importância de valorizar a diversidade e recordaram que os programas implantados pelos bancos são frutos da mobilização das entidades sindicais pela igualdade de oportunidades. Mas ainda há muitos desafios pela frente para acabar com as discriminações, a falta de expectativa de crescimento na empresa e as falhas no acolhimento.
O funcionário do Santander e secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr, pediu a relação dos funcionários, com a lotação e o tipo de deficiência de cada um, a exemplo da lista de trabalhadores que pode ser solicitada pelos sindicatos, conforme garante o acordo aditivo. O banco ficou de analisar a proposta.
O empregado do Santander e diretor da Fetec-SP, José Roberto Santana, lamentou que "a lei da cota de 5% de pessoas com deficiência, que já tem 19 anos, ainda não é cumprida pelo banco". Ele contou que foi admitido pelo projeto Talentos sem Barreiras, mas não recebeu promoções. "Isso mostra que as barreiras continuam", denunciou.
"A exclusão de pessoas com deficiência tem sido cobrado das empresas e do Estado, a fim de que cada um faça a sua parte", enfatizou o aposentado do Santander, diretor da Afubesp e vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Isaías Dias.
Problemas e reivindicações
Os dirigentes sindicais ainda discutiram com o banco os problemas e as reivindicações específicas, aprovadas em encontro de funcionários com deficiência, em São Paulo. Uma das demandas é a concessão de um auxílio para transporte e estacionamento aos funcionários com deficiência, pois muitos estão impossibilitados de utilizar o transporte coletivo. O banco ficou de estudar essa proposta.
Os trabalhadores ainda reivindicaram a cessão de uma cadeira motorizada para cada cadeirante, com a finalidade de utilização no trabalho, a exemplo do Banco do Brasil, propiciando maior mobilidade e conforto.
Nova reunião será agendada pelo banco nos próximos dias para continuar os debates. As entidades querem melhorar a acessibilidade e as condições de trabalho, bem como garantir inclusão com valorização e qualidade das pessoas com deficiência, respeitando as diferenças e limitações, com treinamento adequado e oportunidades de crescimento e ascensão profissional.
Fonte: Contraf-CUT
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