22/10/2026
Sem Sindicato, salário médio dos bancários seria R$ 5 mil menor
Como seria a sua realidade salarial se os Sindicatos não existissem?
Para responder a essa pergunta, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região realizou um levantamento comparando dois cenários entre 2003 e 2026:
Para responder a essa pergunta, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região realizou um levantamento comparando dois cenários entre 2003 e 2026:
- O primeiro considera os reajustes inicialmente propostos pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que seriam aplicados caso não houvesse negociação sindical.
- O segundo considera os reajustes efetivamente conquistados pela categoria após as campanhas salariais e a atuação do movimento sindical nas mesas de negociação.
Os resultados mostram a importância da existência de um sindicato forte. As propostas iniciais dos bancos representariam um reajuste acumulado de 232% no período. Esse cenário seria o esperado em caso de negociação direta entre bancários e banqueiros, uma vez que os trabalhadores não contam com estabilidade no emprego e nem estrutura física/jurídica para recusar individualmente imposições dos bancos. Em contrapartida, os aumentos conquistados nas negociações coletivas chegaram a 381%.
A diferença se traduz em milhares de reais no bolso dos trabalhadores: partindo de um salário médio de R$ 3,3 mil em 2003, a remuneração média atual seria de R$ 10.922,05 no primeiro cenário, contra R$ 15.812,21 com os reajustes conquistados.
Isso representa R$ 4.890,16 a mais por mês para salário médio do trabalhador, diferença que chega a aproximadamente R$ 65,2 mil por ano, considerando 13º salário e o adicional de férias de um terço. Esses cálculos consideraram apenas o salário médio da categoria. Portanto, é importante que cada trabalhador faça sua própria projeção, considerando seu salário e também todos os benefícios impactados pelos reajustes negociados, como VA/VR, horas extras, PLR, abonos e auxílios em geral.
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Reajustes conquistados superam a inflação acumulada
A comparação com a inflação reforça a importância dos resultados obtidos nas negociações. Entre 2003 e 2026, a inflação acumulada (INPC) foi de 304%. Nesse período, os reajustes correspondentes às primeiras propostas da Fenaban acumulariam 232%, resultado que representa uma perda de 18% em relação à inflação.
Já os reajustes conquistados nas negociações coletivas acumulam 381%, o que corresponde a um ganho real de 19% acima da inflação. Para a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Neiva Ribeiro, os números demonstram a importância da organização dos trabalhadores e da negociação coletiva para garantir melhores salários e direitos.
“Esses números mostram que sindicato forte faz diferença concreta na vida dos bancários. Se dependesse das primeiras propostas apresentadas pelos bancos, a categoria teria salários muito menores hoje. Cada reajuste conquistado acima da proposta inicial representa mais renda para os trabalhadores e suas famílias. Esses resultados não caem do céu: são fruto da mobilização da categoria, da força da negociação coletiva e de um Sindicato presente na defesa dos direitos dos bancários”, ressalta Neiva.

Sem sindicato forte, não há acordo forte
Os números também ajudam a entender o que está em jogo no debate político sobre os direitos dos trabalhadores. O candidato à presidência Flávio Bolsonaro explicita os ataques aos sindicatos e à classe trabalhadora em seu programa de governo ao defender que empregados negociem diretamente com os patrões, enfraquecendo o papel dos sindicatos e da negociação coletiva.
Os reajustes que elevaram os salários em 381% entre 2003 e 2026 não seriam os mesmos se cada bancário tivesse de negociar individualmente com os banqueiros. A negociação coletiva permite equilibrar essa relação e conquistar avanços.
A experiência dos bancários também demonstra que a conjuntura política é determinantes para os resultados. Durante os governos Lula 1 e 2 (2004 a 2010), o ganho real acumulado por período foi de 7,55%. No governo Dilma (2011 a 2015), chegou a 7,66%. Já durante o governo Temer (2016 a 2018), o ganho real acumulado foi de apenas 0,82%. No governo Bolsonaro (2019 a 2022), o resultado foi negativo: perda real acumulada de 0,68%.
Com o retorno de Lula à Presidência, entre 2023 e 2027, o ganho real acumulado indicado pelo levantamento é de 2,62%, incluindo o aumento real já conquistado para 2027. Agora, a extrema-direita tenta voltar ao poder com seu projeto de arrocho salarial e de privatização das empresas públicas. Cabe à categoria avaliar os dados e decidir seu futuro nas urnas.
“Salários, benefícios e direitos não são conquistas permanentes. Eles dependem de organização, mobilização e de condições políticas favoráveis à sua manutenção e ampliação. Os dados reforçam a importância dos sindicatos nas negociações e mostram que o resultado das eleições pode ter consequências diretas para o futuro da categoria bancária e de todos os trabalhadores. Antes de votar, avalie o que está em jogo e faça uma escolha que não comprometa os direitos que você conquistou”, destaca o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Júlio César Trigo.
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