11/08/2026

Banco Mercantil registra lucro recorde de R$ 548,4 milhões no semestre, mas fecha postos de trabalho

O Banco Mercantil do Brasil (BMB) registrou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 548,4 milhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 13,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas no segundo trimestre, o resultado chegou a R$ 275,3 milhões, o maior lucro trimestral da história do banco e o 15º recorde consecutivo.

O desempenho financeiro também foi acompanhado pelo crescimento dos ativos, que chegaram a R$ 38,9 bilhões, alta de 30,7% em 12 meses. O patrimônio líquido ultrapassou R$ 3,1 bilhões, crescimento de 48,8% no mesmo período. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) permaneceu elevada, em 41,4%, apesar de uma redução de 4,6 pontos percentuais em 12 meses.

Para o coordenador nacional da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Banco Mercantil do Brasil, Vanderci Antônio da Silva, os números demonstram a força do banco, mas também reforçam a necessidade de que os trabalhadores sejam reconhecidos pelos resultados alcançados. “O Mercantil vem apresentando resultados recordes consecutivos, com crescimento expressivo dos ativos, da carteira de crédito e das receitas. Esse desempenho não acontece sozinho. Existe o trabalho diário de milhares de funcionários por trás desses números. É fundamental que o banco reconheça essa contribuição, com valorização profissional, melhores condições de trabalho e respeito aos direitos dos trabalhadores.”

Crédito cresce, mas provisões disparam

A carteira de crédito do banco chegou a aproximadamente R$ 25 bilhões, representando 64,2% dos ativos. O crescimento foi de 29,6% em 12 meses, com destaque para o crédito consignado, que avançou 47%, e para o crédito pessoal, com alta de 17%. No consignado, 78% das operações foram originadas por canais digitais.

A inadimplência para operações com atraso superior a 90 dias ficou em 3,1%, aumento de 0,8 ponto percentual em 12 meses.

Um dos pontos que chama atenção nas demonstrações financeiras é o forte crescimento das despesas com provisões para perdas esperadas de ativos financeiros. O valor chegou a R$ 782,9 milhões no final de junho, alta de 227,4% em 12 meses.

Para a representação dos trabalhadores, o aumento das provisões merece acompanhamento, especialmente diante do crescimento bem mais moderado da inadimplência. “É importante acompanhar de perto esse movimento. O banco apresenta crescimento expressivo e resultados recordes, mas também registra uma elevação muito forte nas provisões. Precisamos entender os impactos dessa estratégia e garantir transparência nas decisões que possam afetar os trabalhadores, principalmente em relação a reestruturações, metas e condições de trabalho”, destaca Vanderci.

Receitas de serviços superam despesas com pessoal

Outro dado que evidencia a capacidade de geração de receitas do banco é o desempenho das receitas de prestação de serviços, que alcançaram R$ 735 milhões no semestre, crescimento de 79,5% em 12 meses.

As despesas de pessoal, incluindo a PLR, somaram R$ 460,3 milhões, alta de 17,8% na comparação anual. Com isso, as receitas de prestação de serviços foram suficientes para cobrir 159,7% das despesas de pessoal no período.

“Os próprios números mostram que os trabalhadores têm participação fundamental na geração de receitas do banco. A receita de serviços cresceu muito acima das despesas de pessoal. Por isso, é justo que esse crescimento também se traduza em valorização, reconhecimento e investimentos nas pessoas que fazem o banco funcionar todos os dias”, afirma o coordenador da COE.

Banco cresce, mas fecha postos no trimestre

O Mercantil encerrou o primeiro semestre com 3.931 funcionários e estagiários. Em 12 meses, foram criados 331 postos de trabalho. No entanto, somente no segundo trimestre, houve o fechamento de 30 postos.

No mesmo período, o banco ampliou sua estrutura de atendimento. Foram abertas 31 novas unidades em 12 meses, chegando a 352 pontos de atendimento ao final de junho.

A base de clientes também apresentou forte expansão, passando a 9,06 milhões, crescimento de 1,05 milhão de clientes em um ano.

Para Vanderci, os dados reforçam a necessidade de discutir a relação entre a expansão dos negócios e a estrutura de pessoal. “O banco ampliou a base de clientes, abriu pontos de atendimento e aumentou significativamente seus ativos e sua carteira de crédito. Ao mesmo tempo, fechou postos de trabalho no último trimestre. É preciso que a expansão dos negócios seja acompanhada de uma política de emprego que garanta trabalhadores em número suficiente para atender à demanda, evitando sobrecarga, adoecimento e precarização das condições de trabalho.”

O coordenador da COE ressalta ainda que a sequência de resultados recordes precisa ser acompanhada de diálogo permanente com os trabalhadores. “O Mercantil tem demonstrado que é capaz de crescer e gerar resultados expressivos. O que cobramos é que esse crescimento seja sustentável também para quem trabalha no banco. Resultado recorde precisa significar também emprego, valorização e melhores condições de trabalho. Os trabalhadores não podem ficar apenas com a cobrança por metas enquanto os resultados positivos ficam restritos aos balanços.”

 
Fonte: Contraf-CUT

SINDICALIZE-SE

MAIS NOTÍCIAS