07/06/2021
Brasil receberá parte de doação de sobras de vacinas dos Estados Unidos

O Brasil será mais um entre os cerca de 40 países que vão receber uma doação de vacinas dos Estados Unidos. O governo estadunidense anunciou na última quinta (3) a distribuição de 25 milhões de doses de imunizantes contra a covid-19. Não foi informado, porém, o número exato que chegará aqui, pois o país dividirá lote de seis milhões de doses com 14 localidades da América Latina.
Os imunizantes que chegarão ao Brasil estão entre os 19 milhões que serão distribuídos por meio do Covax Facility. Os outros seis milhões serão entregues diretamente pelo governo dos Estados Unidos. Esse é o primeiro lote de um total de 80 milhões de doses de AstraZeneca, Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson que o país norte-americano se comprometeu a doar até o final de junho.
Vale lembrar que o governo Bolsonaro só confirmou a entrada do Brasil no Covax Facility no último dia do prazo, em 18 de setembro. O consórcio foi criado para facilitar o acesso de vacinas contra a Covid-19 no mundo e é gerenciado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Informações registradas em documentos do Ministério da Economia, que foram enviados à CPI da Covid, no Senado, revelam que a gestão Bolsonaro e Pazuello não quis aderir em agosto. Acharam caro o montante necessário para vacinar 20% da população. Na ocasião, a iniciativa já contava com 77 países.
Distribuição
Além do Brasil, na América Latina receberão doação de vacinas dos Estados Unidos a Argentina, Colômbia, Costa Rica, Peru, Equador, Paraguai, Bolívia, Guatemala, El Salvador, Honduras, Panamá, Haiti, Comunidade do Caribe e República Dominicana. O restante será dividido entre Ásia, que ficará com sete milhões de doses, e África, com cinco milhões.
Haverá, ainda, distribuição para parceiros regionais dos EUA, como o México, Canadá e Coreia do Sul, e trabalhadores da linha de frente das Nações Unidas. Também serão enviadas doses para lugares com surtos da doença, como a Cisjordânia, Gaza, Ucrânia, Kosovo, novamente o Haiti, Geórgia, Egito, Jordânia, Iraque, Iêmen.
Bolsonaro recusou vacina da Pfizer pela metade do preço pago por outros países
O governo Jair Bolsonaro recusou vacina da Pfizer no ano passado pela metade do preço pago por Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. Consideradas caras em agosto de 2020 pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, até 70 milhões de doses da Pfizer poderiam ter sido entregues a partir de dezembro por US$ 10 cada.
As informações são do jornal Folha de S.Paulo, publicadas na noite de domingo (6). A vacinação antecipada teria evitado mortes e os prejuízos bilionários provocados pelo fechamento da economia.
O valor equivale a 10% do auxílio emergencial pago em 2020 e é menos do que os R$ 44 bilhões previstos neste ano para compensar o fechamento da economia.
EUA e Reino Unido já imunizaram cerca de 40% da população com duas doses das várias vacinas adquiridas e têm economias funcionando quase livremente. Ambos pagaram cerca de US$ 20 pelas doses da Pfizer, o dobro do valor recusado pelo Brasil durante vários meses em 2020. Na União Europeia, as doses do laboratório norte-americano custaram US$ 18,60.
No Brasil, com o atraso nos contratos, as primeiras doses da Pfizer chegaram só em abril. Oito meses se passaram entre a primeira oferta e a entrega.
O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contabilizou 53 emails enviados pela Pfizer ao governo a partir de agosto cobrando resposta sobre a oferta dos 70 milhões de doses.
À CPI, Pazuello qualificou a proposta da Pfizer como “agressiva”, apontou entraves em cláusulas do contrato e disse ter considerado muito elevado o preço de US$ 10 por dose —valor acatado meses depois ainda na gestão de Eduardo Pazuello.
Antes das doses da Pfizer, a imunização ocorria com vacinas do Butantan e da AstraZeneca, mas em quantidades baixas. A vacinação brasileira com duas doses limita-se a 11% da população.
Na economia, isso trava principalmente o setor de serviços, responsável por 70% do PIB e dos empregos. Nos serviços atuam sobretudo os mais pobres e menos escolarizados, que dependem do trabalho fora de casa para obter renda.
Sem vacina, a ocupação desses trabalhadores caiu até 20% na pandemia, aumentando a desigualdade e a pobreza extrema a níveis de 15 anos atrás. O colapso nos serviços levou a série histórica de desemprego do IBGE a um recorde: 14,7%, com 14,8 milhões de desocupados.
O Ministério da Saúde diz ter destinado R$ 30 bilhões para a contratação de mais de 660 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 —considerando no cálculo unidades que ainda não encomendou de fato. Em dólares, portanto, o país está reservando cerca de US$ 9, em média, por dose.
“Não estamos compartilhando estas doses para receber favores ou concessões”, disse o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em nota. “Estamos compartilhando para salvar vidas e guiar o mundo em direção ao fim da pandemia.” O destino das outras 55 milhões de doses ainda não foi anunciado. Ao menos 168 milhões de americanos já receberam ao menos a primeira dose da vacina.
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