08/04/2021
Brasil tem 65 pessoas no ranking dos bilionários, enquanto 19 milhões passam fome

Em 2020, enquanto a fome atingia 19 milhões de pessoas no país, o novo coronavírus agravava a crise econômica e a necessidade de isolamento social para conter o vírus deixava milhões de trabalhadores sem emprego e sem renda, mais 20 brasileiros engrossaram o ranking de Bilionários do Mundo de 2021 da revista Forbes.
O total de super-ricos no país pulou de 45, em 2020, para 65, em 2021, segundo dados divulgados pela revista nesta terça-feira (6). Juntos, eles somam um patrimônio total de US$ 219,1 bilhões (R$ 1,225 trilhão), contra US$ 121 bilhões (R$ 710 bilhões) no ano passado – aumento de 71%.
O brasileiro mais rico é Jorge Paulo Lemann e família (AB InBev), com patrimônio de US$ 16,9 bilhões. (Confira abaixo a lista dos 15 brasileiros mais ricos do país).
E pessoa mais rica do mundo, Jeff Bezos, da Amazon, que tem uma fortuna estimada em US$ 177 bilhões (R$ 990 bilhões), enfrenta atualmente a revolta dos trabalhadores e trabalhadoras do seu grupo que querem criar um sindicato para lutar contra metas abusivas, pausas que sequer dão tempo de almoçar e ir ao banheiro, entre outras barbaridades.
"A crise econômica aprofundada pelo novo coronavírus mostra mais uma faceta cruel da desigualdade social no Brasil. Enquanto cerca de 100 milhões de pessoas, praticamente a metade da população, sobrevivem com um irrisório Auxílio Emergencial, cujo valor foi reduzido ainda mais pelo governo, os super-ricos brasileiros faturaram somente na metade do ano passado o equivalente a R$ 177 bilhões, R$ 51,4 bilhões a mais do que os R$ 125,6 bilhões que compõem o orçamento do SUS (Sistema Único de Saúde) e seis vezes maior do que o orçamento do Bolsa Família, segundo dados da Fenafisco", alerta o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Carlos Vicentim.
"A pobreza existe em função de um modelo que favorece a concentração da riqueza e aumenta a desigualdade. O modelo econômico global se alimenta disso e deixa a população pobre cada vez mais vulnerável. A luta contra esse desequilíbrio socioeconômico é uma das principais bandeiras do Sindicato e precisa ganhar ainda mais importância e mobilizar os trabalhadores pela distribuição justa e igualitária de renda", acrescenta Vicentim.
Entre algumas das ações apoiadas pelo Sindicato está a campanha Tributar os Super-Ricos, que cobra medidas para enfrentar a grave crise aprofundada pela pandemia e contribuir para retomada do crescimento do país. A campanha, que conta ainda com a participação de diversas outras entidades sindicais, governadores e parlamentares, possui oito propostas cuja meta é promover um aumento de arrecadação de quase R$ 300 bilhões, tributando apenas as altas rendas e grandes patrimônios dos 0,3% mais ricos do Brasil.
Para saber mais:
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Super-ricos aumentam patrimônio
Este ano, a lista de super-ricos tem 2.755 pessoas - 660 deles são novos bilionários. No total, o grupo concentra 13,1 trilhões de dólares – cerca de R$ 73,46 trilhões, da riqueza global. Apesar da crise sanitária e econômica que abalou o mundo, o montante acumulado cresceu 5 trilhões de dólares em um ano.
De acordo com o jornal Folha de S Paulo, este ano a Forbes considerou o país de domicílio dos bilionários, em vez da nacionalidade. Por isso, nomes como Lemann, que mora no exterior, foi excluído pela publicação do rol de brasileiros.
Entre os 20 novos bilionários que entraram na lista da Forbes este ano estão novos nomes e velhas fortunas, como a dos filhos do banqueiro Joseph Safra , morto no ano passado, Jacob, David, Alberto e Esther Safra, e da viúva , Vicky Safra.
Estão também novos-ricos como David Vélez, cofundador do Nubank, com US$ 5,2 bilhões (R$ 29 bilhões), Guilherme Benchimol, fundador da XP, com patrimônio estimado em US$ 2,6 bilhões (R$ 14,5 bilhões), e André Street e Eduardo de Pontes, cofundadores da processadora de pagamentos Stone, com US$ 2,5 bilhões (R$ 13,9 bilhões) e US$ 2,4 bilhões (R$ 13,4 bilhões), respectivamente.
Já no mundo, o segundo mais rico é Elon Musk, da Tesla, com uma fortuna de US$ 151 bilhões (R$ 844,5).
Veja a lista dos 15 maiores bilionários do Brasil
1 – Jorge Paulo Lemann e família (AB InBev) – US$ 16,9 bilhões
2 – Eduardo Saverin (Facebook) – US$ 14,6 bilhões
3 – Marcel Herrmann Telles (AB InBev) – US$ 11,5 bilhões
4 – Jorge Moll Filho e família (Rede D’Or) – US$ 11,3 bilhões
5 – Carlos Alberto Sicupira e família (AB InBev) – US$ 8,7 bilhões
6 – Vicky Safra (Banco Safra) – US$ 7,4 bilhões
7 – Família Safra (Banco Safra) – US$ 7,1 bilhões
8 – Alexandre Behring (3G Capital) – US$ 7 bilhões
9 – Dulce Pugliese de Godoy Bueno (Amil) – US$ 6 bilhões
10 – Alceu Elias Feldmann (Fertipar) – US$ 5,4 bilhões
11 – Luiza Trajano (Magazine Luiza) – US$ 5,3 bilhões
12 – David Vélez (NuBank) – US$ 5,2 bilhões
13 – Luis Frias (PagSeguro Digital) – US$ 4,6 bilhões
14 – André Esteves (Pactual) – US$ 4,5 bilhões
15 – Cândido Pinheiro Koren de Lima (Grupo Hapvida) – US$ 3,7 bilhões
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