23/02/2021
Campanha deste ano defende solidariedade e diálogo para superação das violências

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e o Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) lançaram na quarta –feira (17/02) a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”.
De acordo com o secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a Campanha é voltada ao diálogo para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual, em especial no contexto da política e da pandemia de Covid-19. “O vírus, já tão letal em si mesmo, encontrou aliados na indiferença, no negacionismo, no obscurantismo, no desprezo pela vida. Sejamos, portanto, aliados na responsabilidade, na lucidez e na fraternidade”, disse o religioso durante o lançamento virtual da Campanha.
O bispo explicou que o tema do diálogo é uma continuidade da campanha de 2020, sobre cuidado mútuo entre as pessoas, e não se trata de “querer que todos pensem do mesmo modo”, mas de perceber que a diferença é convite ao diálogo. “Perplexas pela pandemia, as igrejas que compõem o Conic e algumas igrejas observadoras uniram-se e identificaram nesse tema a mensagem que o nosso tempo necessita. É triste ver que nosso tempo vem apresentando a marca da radicalização, da polarização e desrespeito às pessoas, em especial às mais simples e vulnerabilizadas”, disse.
Reações da ala ultraconservadora
Antes mesmo de ser lançada a Campanha da Fraternidade 2021 recebeu críticas da ala ultraconservadora da igreja católica e de outros setores ligados ao governo Jair Bolsonaro. Ataques estão sendo feitos por meio de postagens nas redes sociais e outras manifestações, como em Londrina, por exemplo, onde outdoors pedem aos católicos para boicotar a Campanha.
A ira desses grupos é contra o texto-base da Campanha da Fraternidade deste ano, que prega o fim da violência contra as mulheres, negros, indígenas e LGBTs. A mensagem da CNBB e do Conic também desaprova o negacionismo em relação à pandemia do coronavírus (Covid-19), com direito a críticas à a postura do governo Bolsonaro e de algumas igrejas em relação às medidas de distanciamento social.
Como ocorre em todos os anos, a Campanha da Fraternidade tem como gesto concreto a coleta de recursos para apoio a projetos sociais relacionados à temática abordada. Em 2019, o Fundo Nacional de Solidariedade distribuiu mais de R$ 3,8 milhões, atendendo a mais de 230 projetos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação.
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