31/01/2020
Caixa Seguridade: abertura de capital avança. Ataque exige mobilização dos empregados

Na última quarta-feira (29), durante conferência do Credit Suisse, em São Paulo, o presidente da CEF, Pedro Guimarães, confirmou que “está discutindo, obtendo autorizações e muito perto de começar a abertura de capital da Caixa Seguridade”. Guimarães também reforçou que o banco deve anunciar uma joint venture (aliança estratégica comercial) para entrar no ramo de adquirência e lançar uma nova bandeira de cartões. A notícia foi divulgada pelo Estadão e repercutida por outros veículos de imprensa.
Na avaliação do presidente da Fenae, Jair Ferreira, o posicionamento e as intenções da direção da Caixa demandam alerta e reação por parte dos trabalhadores e da sociedade. “O presidente do banco tem falado que vai vender tudo, abrir o capital. Vai vender as loterias e a parte de cartões; ou seja, uma parte rentável que a empresa tem”, destaca. “Isto é muito preocupante porque estão despedaçando a instituição, diminuindo o tamanho dela, vendendo as subsidiárias. Cabe a nós enfrentarmos e revertermos esta situação", acrescenta Ferreira.
De acordo com a reportagem do Estadão — “Caixa diz estar muito próxima de começar a abertura de capital da Caixa Seguridade” — Pedro Guimarães tenta justificar o processo de privatização por considerar a CEF “pouco reconhecida”, com um cross selling (venda cruzada) muito pequeno entre as unidades do banco e também pela prática de Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD), que Guimarães classifica como “pedalada fiscal”.
Contudo, o presidente da Fenae observa que tais argumentos não se sustentam nem justificam os objetivos do atual governo porque a Caixa fez investimentos para a garantia de patrimônio de sustentação, a exemplo da compra de ações de Petrobras, do Liberty e de outras participações. “Mesmo assim, eles (governo) já venderam, em 2019, R$ 15 bilhões de ativos da instituição”, destaca Jair Ferreira, ao explicar que medidas como esta tiram a capacidade do banco de fazer novos empréstimos e pode prejudicar financiamentos para moradia e educação. “É o início do desmonte de uma empresa desse tamanho, construída passo a passo pelos colaboradores, pela sociedade, pelos verdadeiros acionistas da Caixa: os brasileiros", completa o presidente da Federação.
Apreensão
O clima de apreensão provocado pelas sinalizações do governo de abrir o capital e “reestruturar” a Caixa, sem a participação dos trabalhadores no debate, também vem sendo observado pelo secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e vice-presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, e pela representante eleita dos empregados no Conselho de Administração do banco, Rita Serrano. Ela lembra que as alterações propostas pelo governo estão vinculadas à intenção de se aumentar as vendas de produtos, como seguros, cartões e cheque especial, entre outros.
“Ou seja, estão diretamente ligadas a áreas que o banco quer privatizar, nas quais haverá ainda mais cobrança de metas para os empregados”, aponta Serrano. “O foco é apenas o negócio”, acrescenta.
A conselheira defende o fortalecimento da organização dos trabalhadores e o desenvolvimento de ações junto às entidades representativas para a preservação dos direitos dos funcionários. “Para que seja possível negociar e evitar prejuízos aos empregados e à sociedade”, afirma.
Sobre a privatização da Caixa Seguridade — que representa o quarto maior grupo segurador do país, reunindo as participações da instituição em seguro, previdência privada, capitalização e consórcio — Rita Serrano analisa que “não é aceitável” a pretensão da direção do banco de abrir o capital com a oferta de ações via IPO. “A Caixa Seguridade tem plenas condições de aproveitar o potencial de expansão do mercado de seguros no Brasil justamente porque conta com uma rede de rede de distribuição ampla e uma das mais robustas capilaridades do país”, assegura a conselheira.
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