08/01/2020
Semana de aniversário da Caixa é marcada pelo início de processo de privatização

Principal agente das políticas públicas dos governos e atuando diretamente na execução de programas sociais de grande alcance, a Caixa inicia o ano de 2020 rumo ao encolhimento de sua estrutura. A imprensa publica esta semana que a instituição prepara para abril a abertura de capital da Caixa Seguridade, divisão de seguros do banco. A Caixa já escolheu até o consórcio de bancos que coordenará a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).
O banco de investimento estadunidense Morgan Stanley vai liderar um grupo de 10 bancos que inclui Bradesco BBI, Itaú BBA, Banco Plural, Banco BTG Pactual, Banco do Brasil, Credit Suisse, Santander Brasil, Bank of America e a própria Caixa Econômica Federal.
Segundo as agências de notícias, a privatização da Caixa Seguridade servirá de “modelo” para outras áreas e a próxima da fila é a operação de cartões, cuja venda está prevista para junho.
O IPO da Caixa Seguridade faz parte da estratégia de venda de ativos da empresa para este ano. Em 2019, a Caixa repassou ao mercado R$ 15 bilhões de seus ativos. Para 2020, o objetivo é vender um volume maior de recursos.
A Caixa pretende vender cerca de R$ 10 bilhões de reais em ações da Caixa Seguridade. Na segunda-feira (6), a imprensa anunciou o acordo do banco com a japonesa Tokio Marine para venda de seguros residenciais. A Tokio Marine pagará R$ 1,5 bilhão de reais no contrato com a Caixa.
Os planos da Caixa incluem o pedido da oferta pública inicial de ações junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no início de fevereiro e a precificação da operação em abril. Parte dos recursos obtidos com o IPO da Caixa Seguridade deve ser repassado ao Tesouro Nacional no âmbito dos chamados instrumentos híbridos de capital e dívida (IHCD) – uma espécie de crédito que o banco público tem com a União sem previsão de vencimento e que não precisaria ser repassado ao Tesouro neste momento.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região alerta que com a descapitalização da Caixa, a atuação social do banco público será limitada e, com isso, quem mais sofrerá será a população de baixa renda, quem mais precisa das políticas públicas operacionalizadas pela empresa.
"A gestão atual tem como plano entregar as operações mais rentáveis e encolher a função social do banco, pavimentando o caminho para sua venda. Empresas públicas são fundamentais para o desenvolvimento social e a soberania nacional. Esse projeto de desmantelamento não favorece absolutamente ninguém, com exceção dos bancos privados, que terão ainda menos concorrência em um setor já extremamente concentrado, e que poderão cobrar juros ainda mais elevados. Por isso, empregados e sociedade devem defender a função pública e social da instituição", destaca Vicentim.
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