23/11/2018
Vagas precárias e automação vão eliminar milhões de empregos

Comitê Executivo de Juventude da UNI Americas e dirigentes da Colômbia traçam estratégias contra a precarização do emprego
(Foto: Divulgação)
No mundo, cerca de 1,4 bilhão de trabalhadores sobreviviam com empregos precários em 2017, e outros 35 milhões deverão engrossar essa estatística em 2019. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, o emprego vulnerável afeta três em cada quatro trabalhadores. As estimativas são da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Para enfrentar e criar soluções para essa situação alarmante, o Comitê Executivo de Juventude da UNI Americas, junto com a Fundação Friedrich Ebert Stiftung, reuniu-se em Bogotá, na Colômbia, entre os dias 20 e 21 de novembro, com 50 representantes do Brasil, Trinidad e Tobago, Antigua e Barbuda, República Dominicana, Santa Lucia, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Uruguai e Bahamas.
Representando a Contraf-CUT e a Rede UNI Juventude Brasil , participaram das discussões Lucimara Malaquias (bancária do Santander, vice-presidenta de Juventude Uni Américas e dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região) e Katlin Salles (coordenadora da Rede UNI Juventude Brasil e dirigente do Sindicato dos Bancários de Curitiba).
Durante o encontro foram debatidas estratégias de organização e mobilização dos trabalhadores, não apenas dentro das suas categorias, mas como classe. “Isso passa pelo desenvolvimento e implantação de novas ferramentas e linguagens de comunicação, pensar a resistência e o enfrentamento contra essas novas formas de contratação”, avalia Lucimara.
A dirigente enumera como trabalho precário o mito da ‘pejotização’, no qual o trabalhador arca com o custo das ferramentas de trabalho e assume os riscos do trabalho; e o trabalho temporário, que além de não garantir direitos trabalhistas, não dá possibilidade para que o empregado planeje sua vida no médio e longo prazos, impedindo que consiga financiar moradia própria, por exemplo.
Automação e a eliminação de vagas
A UNI Global e os seus sindicatos filiados, que atuam em mais de 120 países, trabalharão em conjunto para implementar as resoluções aprovadas no 5º Congresso Global da UNI Global Union. O encontro, realizado em junho, em Liverpool, debateu a urgência da regulamentação da inteligência artificial com o objetivo de firmar normas globais para o desenvolvimento e a utilização ética dessa tecnologia, do big data e dos algoritmos.
Dados da OIT mostram que, desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano. O Fórum Econômico Mundial prevê que, entre 2015 e 2020, serão extintos 7,1 milhões de empregos no mundo por causa das novas tecnologias.
“A inteligência artificial e as inúmeras plataformas digitais devem ser usadas para o desenvolvimento sustentável das pessoas e do planeta, para gerar empregos decentes e melhores condições de vida para todos. No trabalho, precisa ser um facilitador, e não substituir as pessoas e as relações humanas. A classe trabalhadora está comprometida na construção de um sindicato forte, o que passa pelo desafio de desenvolver novas formas de ação sindical”, afirma Lucimara.
Para a dirigente, alguns temas devem receber prioridade nos debates: ética no uso da tecnologia; segurança da informação no home working; segurança física e psicológica dos trabalhadores de plataformas digitais, em suas casas e em cyber cafés; e quem arcará com os custos das ferramentas de trabalho e com as consequências na saúde psicológica dos trabalhadores isolados em suas casas. “O futuro do mundo do trabalho é agora, e a resposta dos trabalhadores terá de ser global”, alerta a dirigente.
Jovens, desemprego e trabalho precário
Mais 70 milhões de jovens estavam desempregados em 2017, segundo a OIT. Esse volume deve aumentar em mais 200 mil em 2018, atingindo um total de 71,1 milhões.
No Brasil, o desemprego entre os jovens é superior ao dobro da taxa geral, aponta o IBGE. Enquanto a taxa geral ficou em 12,4% no segundo trimestre de 2018, entre os jovens esse percentual salta para 26,6%.
Por essa razão, Lucimara avalia que jovens lideranças sindicais são fundamentais na construção de propostas que dialoguem melhor com os trabalhadores da era digital a fim de construir a mobilização por emprego digno e estável.
“A realidade do emprego precário ou vulnerável, sem vínculo trabalhista, ou mesmo com vínculos, impõe ao empregado péssimas condições de trabalho, com poucos direitos, baixos salários, jornadas de trabalho sem regulamentação”, alerta Lucimara.
A dirigente destaca que no “novo" mundo do trabalho, direitos humanos fundamentais estão em risco, como o direito à sindicalização, o direito de se organizar e lutar por melhores salários e melhores condições de trabalho, e isso resulta em salários incapazes de garantir a sobrevivência do trabalhador e de sua família com dignidade.
“As empresas têm responsabilidade com seus empregados e cabe aos governos garantir que cumpram com elas, através de legislações, regulamentações e fiscalizações sérias”, finaliza a dirigente.
Representando a Contraf-CUT e a Rede UNI Juventude Brasil , participaram das discussões Lucimara Malaquias (bancária do Santander, vice-presidenta de Juventude Uni Américas e dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região) e Katlin Salles (coordenadora da Rede UNI Juventude Brasil e dirigente do Sindicato dos Bancários de Curitiba).
Durante o encontro foram debatidas estratégias de organização e mobilização dos trabalhadores, não apenas dentro das suas categorias, mas como classe. “Isso passa pelo desenvolvimento e implantação de novas ferramentas e linguagens de comunicação, pensar a resistência e o enfrentamento contra essas novas formas de contratação”, avalia Lucimara.
A dirigente enumera como trabalho precário o mito da ‘pejotização’, no qual o trabalhador arca com o custo das ferramentas de trabalho e assume os riscos do trabalho; e o trabalho temporário, que além de não garantir direitos trabalhistas, não dá possibilidade para que o empregado planeje sua vida no médio e longo prazos, impedindo que consiga financiar moradia própria, por exemplo.
Automação e a eliminação de vagas
A UNI Global e os seus sindicatos filiados, que atuam em mais de 120 países, trabalharão em conjunto para implementar as resoluções aprovadas no 5º Congresso Global da UNI Global Union. O encontro, realizado em junho, em Liverpool, debateu a urgência da regulamentação da inteligência artificial com o objetivo de firmar normas globais para o desenvolvimento e a utilização ética dessa tecnologia, do big data e dos algoritmos.
Dados da OIT mostram que, desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano. O Fórum Econômico Mundial prevê que, entre 2015 e 2020, serão extintos 7,1 milhões de empregos no mundo por causa das novas tecnologias.
“A inteligência artificial e as inúmeras plataformas digitais devem ser usadas para o desenvolvimento sustentável das pessoas e do planeta, para gerar empregos decentes e melhores condições de vida para todos. No trabalho, precisa ser um facilitador, e não substituir as pessoas e as relações humanas. A classe trabalhadora está comprometida na construção de um sindicato forte, o que passa pelo desafio de desenvolver novas formas de ação sindical”, afirma Lucimara.
Para a dirigente, alguns temas devem receber prioridade nos debates: ética no uso da tecnologia; segurança da informação no home working; segurança física e psicológica dos trabalhadores de plataformas digitais, em suas casas e em cyber cafés; e quem arcará com os custos das ferramentas de trabalho e com as consequências na saúde psicológica dos trabalhadores isolados em suas casas. “O futuro do mundo do trabalho é agora, e a resposta dos trabalhadores terá de ser global”, alerta a dirigente.
Jovens, desemprego e trabalho precário
Mais 70 milhões de jovens estavam desempregados em 2017, segundo a OIT. Esse volume deve aumentar em mais 200 mil em 2018, atingindo um total de 71,1 milhões.
No Brasil, o desemprego entre os jovens é superior ao dobro da taxa geral, aponta o IBGE. Enquanto a taxa geral ficou em 12,4% no segundo trimestre de 2018, entre os jovens esse percentual salta para 26,6%.
Por essa razão, Lucimara avalia que jovens lideranças sindicais são fundamentais na construção de propostas que dialoguem melhor com os trabalhadores da era digital a fim de construir a mobilização por emprego digno e estável.
“A realidade do emprego precário ou vulnerável, sem vínculo trabalhista, ou mesmo com vínculos, impõe ao empregado péssimas condições de trabalho, com poucos direitos, baixos salários, jornadas de trabalho sem regulamentação”, alerta Lucimara.
A dirigente destaca que no “novo" mundo do trabalho, direitos humanos fundamentais estão em risco, como o direito à sindicalização, o direito de se organizar e lutar por melhores salários e melhores condições de trabalho, e isso resulta em salários incapazes de garantir a sobrevivência do trabalhador e de sua família com dignidade.
“As empresas têm responsabilidade com seus empregados e cabe aos governos garantir que cumpram com elas, através de legislações, regulamentações e fiscalizações sérias”, finaliza a dirigente.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Engajamento e mobilização para a Consulta Nacional é fundamental para sucesso da Campanha Nacional da categoria
- Audiência no Senado vai debater escala 6x1 como forma de violência estrutural contra as mulheres
- 42º Congresso Estadual dos Empregados da Caixa será dia 16 de maio
- Bancários de Catanduva e região: 63 anos de luta que ecoam no tempo e constroem o futuro
- Prazo para votar nas eleições do Economus termina dia 7 de maio; participe!
- ContrafCast: Confira entrevista com Meilliane Vilar, advogada da CUT na defesa da lei de igualdade salarial no STF
- Oxfam: trabalhador levaria 490 anos para igualar salário de CEO bilionário
- STF vai julgar transparência salarial e movimento sindical defende validade da lei
- Ao arrepio da lei e da negociação coletiva, Santander quer prejudicar ‘hipersuficientes’
- Em mesa, CEE denuncia desvalorização dos empregados e cobra respostas da Caixa
- ELEIÇÕES SINDICAIS 2026: COMUNICADO
- Itaú fecha agências, sobrecarrega unidades abertas e bancários vivem suplício
- Agências bancárias estarão fechadas no feriado do Dia Internacional do Trabalhador
- Alô, associado! Venha curtir o feriado de 1º de Maio no Clube dos Bancários
- Banco Central reduz Selic em apenas 0,25 e mantém juros em nível que contribui à perda de renda da população