17/09/2018
Adiada votação de mudança estatutária que permite o aparelhamento da Caixa Federal

Foi adiada para os próximos dias a votação no Conselho de Administração (CA) da Caixa Econômica Federal da alteração no Estatuto para permitir que diretorias da área de controle (Jurídica, Auditoria e Corregedoria) sejam ocupadas por não concursados do banco. Alteração, que, segundo a imprensa, seria apreciada na quinta-feira (13), gerou manifestações de repúdio de entidades como Fenae, Apcefs, Advocef e sindicatos de bancários de todo o país.
Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae, é enfático: o que o governo pretende é privatizar a gestão da Caixa. “Como não conseguiram transformar o banco em Sociedade Anônima, graças à mobilização dos empregados, das entidades e da sociedade, querem aparelhar a empresa. Melhorias na governança são bem-vindas. Mas esse discurso, liderado principalmente pela presidente do CA, Ana Paula Vescovi, que segue a cartilha de Temer, está servindo como pano de fundo para desvalorizar os trabalhadores e enfraquecer a Caixa”, afirma.
A proposta que acaba com a exclusividade dos empregados assumirem diretorias da Caixa já havia sido feita por ocasião do debate do novo Estatuto, em outubro de 2017, mas foi retirada do texto devido à grande resistência do movimento dos empregados. Em maio deste ano, a imprensa ventilou o retorno da proposta, o gerou ações populares contra conselheiros. Em agosto, o Conselho de Administração anunciou que os próximos vice-presidentes serão escolhidos em processo seletivo externo, conduzido por consultoria privada.
Para Jair Ferreira, as medidas destroem a carreira dos trabalhadores da Caixa. “É fundamental que todos os colegas do banco entendam os riscos dessas mudanças e lutem conosco. Depois de afetar a escolha de vice-presidentes e diretores, o que vem pela frente? O aparelhamento e a terceirização dos demais cargos? A luta continua, não podemos pagar para ver. O que está em risco é o futuro dos trabalhadores, da Caixa e, consequentemente, do país”, alerta.
A representante dos empregados no Conselho de Administração, Rita Serrano, é contra a mudança na ocupação de cargos divulgada pela imprensa. Quando o CA anunciou a nova forma de escolher os VPs, em agosto, ela destacou que “a melhor opção seria os dirigentes selecionados entre os empregados”. Segundo Rita, “a Caixa conta com corpo funcional qualificado, formado por meio de concurso público, com médias de escolaridade e formação acima das demais instituições financeiras”.
“O desmonte de uma instituição fundamental para o desenvolvimento do país, visando a sua privatização, reflete a série de retrocessos imposta pelo desgoverno Temer aos brasileiros. Por isso, a mobilização dos empregados junto as suas entidades representativas são tão importantes. Já assistimos a isso antes e, agora, estamos novamente diante de uma batalha decisiva. Precisamos reagir!”, enfatiza o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região Antônio Júlio Gonçalves Neto.
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