28/06/2018
Começa 1ª rodada de negociação com a Fenaban

(Arte: Contraf-CUT)
O Comando Nacional dos Bancários está reunido neste momento, em São Paulo, com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para realizar a primeira rodada de negociação. A categoria tem data-base em 1º de setembro e cobra das instituições financeiras aumento real, PLR maior, mais empregos e respeito a todos os direitos previstos em sua Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Mais informações durante a negociação.
“Nossa preocupação tem fundamento”, afirma Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e uma das coordenadoras do Comando. “Em 2016 assinamos um acordo com validade de dois anos, ou seja, até 31 de agosto de 2018. Mas tão logo a ‘reforma’ trabalhista de Temer foi aprovada, alterando a legislação e retirando direitos, teve banco já abusando. Há situações em que bancários estão sendo dispensados sem a devida homologação feita nos sindicatos, sem saber se estão recebendo tudo que lhes é devido de acordo com nossa CCT, que tem validade nacional para empregados de bancos públicos e privados”, relata a dirigente.
“Assim, vamos para essa primeira mesa reforçar nossa pauta de reivindicações, aprovada por bancários de todo o Brasil, e também cobrar a ultratividade dos nossos direitos, ou seja, que a CCT continue valendo até a assinatura de um novo acordo”, diz a presidenta da Contraf-CUT. “Mais que isso, queremos assinar nossa CCT este ano, com todos os nossos direitos conquistados em anos de muita luta.”
A também coordenadora do Comando, Ivone Silva, reforça: “Não vamos recuar com as conquistas da nossa Convenção Coletiva de Trabalho, com validade nacional, que este ano completa 27 anos. O lucro líquido dos cinco maiores bancos atuantes no Brasil [Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander], nos três primeiros meses do ano, atingiu a marca de R$ 20,3 bilhões, com crescimento de 18,7%. Vamos reivindicar maior responsabilidade social do setor, para contribuir com a geração de empregos do país e eles podem fazer isso contratando mais e oferecendo taxas de juros mais baixas para a população e o setor produtivo.”
Bancos podem e devem
Apesar da crise que assola o Brasil, agravada pelo golpe de 2016, os bancos brasileiros seguem ganhando muito, como sempre. A soma do lucro dos cinco maiores (Bradesco, Itaú, Santander, BB e Caixa), em 2017, alcançou a cifra de R$ 77,4 bilhões, crescimento da ordem de 33,5% em 12 meses.
“Não achamos ruim que os bancos lucrem. O ruim é ganharem tanto e sem retorno para a população, com esses juros escorchantes que tiram recursos da sociedade e com demissão de trabalhadores e fechamento de agências. Assim só eles ganham”, ressalta Juvandia Moreira.
“E, mesmo com tanto ganho, o que esses bancos fazem? Demitem”, critica Juvandia. “Somente em 2017, o setor que está entre os que mais ganham no Brasil, extinguiu 17.905 postos de trabalho. E entre janeiro e maio de 2018, já foram mais 2.675 postos fechados. São trabalhadores jogados na calçada da crise por instituições que estão com ótima saúde financeira. Isso é injustificável, é desumano. E é com esse espírito de cobrar dos bancos respeito aos bancários e seus direitos, mas também aos clientes e a toda população brasileira, que vamos para essa primeira rodada de negociação com a certeza de que as instituições financeiras brasileiras podem e devem atender às reivindicações de seus empregados.”
Defesa dos Diretos
Neste ano, o movimento sindical bancário antecipou a Campanha Nacional.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Roberto Carlos Vicentim, enfatiza que todos os esforços da categoria precisam ser somados nas negociações deste ano para impedir que a reforma derrube importantes conquistas. Outra alternativa para combater ataques aos direitos é eleger nas urnas, no mês de outubro, candidatos com propostas alinhadas à Classe Trabalhadora e capazes de suspender a aplicação da nova legislação trabalhista.
"Temos ciência que a Campanha Nacional de 2018 será ainda mais difícil que as anteriores. Isso, entretanto, não nos amedronta. Pelo contrário, mais do que nunca, é hora de estarmos unidos, organizados e mobilizados por direitos e conquistas. Juntos somos mais!", finaliza Vicentim.
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