Descaso: Bradesco deixa trabalhadores adoecidos passando necessidade
Sem dinheiro para comprar remédios, comida e até mesmo para pagar as contas de casa. Essa é a situação de diversos trabalhadores do Bradesco, desassistidos pelo banco por estar em um ‘limbo jurídico’: foram afastados por motivos de saúde, considerados aptos para o retorno ao trabalho pelo INSS, mas inaptos pelo médico do trabalho.
O problema começou quando o governo Temer acabou com o pedido de reconsideração para quem fosse considerado apto para trabalho pela seguridade social, mas não pelo médico.
Bancários nessas condições estão resguardados pela cláusula 65 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que garante o pagamento de um salário emergencial para que o trabalhador não fique sem nenhuma remuneração enquanto o pedido é analisado.
Com o fim do pedido de reconsideração, o Bradesco começou a negar o pagamento desse salário, alegando não ter ‘amparo jurídico’ para tal. Outros bancos, no entanto, não têm feito a mesma ressalva e continuam pagando o direito.
“Temos sido procurados por bancários que não têm dinheiro para continuar o tratamento, para comprar remédios e até mesmo comida”, revela a dirigente sindical e funcionária do Bradesco Érica de Oliveira. A dirigente informa que o movimento sindical está cobrando solução para esse problema na mesa de negociação com a Fenaban em mesa bipartite sobre saúde do trabalho, e via Comando Nacional dos Bancários.
“Só estamos pedindo para que o banco reconsidere a postura até que a questão seja definida, porque os bancários estão passando por dificuldades extremas e não podem esperar para tratar da saúde e de suas necessidades básicas”, finaliza Érica. “E o banco tem condições financieras, claro. Não precisa expor seus funcionários a isso.”
"Infelizmente, nossos trabalhadores muitas vezes acreditam que o banco vai tratá-los com dignidade. Ledo engano. Depois de muito contribuir com a instituição e até mesmo adoecer devido às políticas de metas abusivas e sobrecarga de trabalho, o que vemos é o completo descaso e desrespeito com seus funcionários nas situações mais delicadas. Isso é inadimissível!", critica Júlio César Trigo, diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.
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