Redução da Taxa Selic em 1% somente acompanha a inflação e não alivia a recessão
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, no dia 12, a redução da taxa Selic em um ponto percentual, de 12,25% para 11,25%. Embora alardeada como muito positiva pela imprensa, segundo análise feita pelo Dieese, a redução somente acompanha a expectativa de queda da inflação e terá pouco impacto sobre a forte recessão porque passa a economia brasileira, com todos os seus impactos nefastos na produção, emprego e renda.
Em termos reais, os juros no Brasil seguem elevadíssimos. Entre outubro de 2015 e abril de 2017 observaram-se as taxas de juros reais mais altas da série analisada, que variaram de 6,79% a 10,81% ao ano, a medida é aparente e a manutenção de patamares elevados da taxa real de juros no Brasil é um forte constrangimento à retomada do crescimento.
Segundo o presidente da Contraf-CUT, Roberto Von der Osten, o Brasil continuará na liderança mundial dos juros reais. “Não se pode comemorar a queda da taxa de juros no Brasil. A taxa real permanece em 7,08% a.a. É uma medida tímida que expressa a ausência de um plano para a recuperação da economia brasileira. O país não sairá da recessão enquanto não houver uma redução dos patamares dos juros reais, que permitam a volta dos investimentos”, avaliou.
Mais recessão e desemprego
Com a Selic alta, as empresas encontram dificuldades para financiar seus investimentos, reduzem sua capacidade produtiva e fecham suas portas. O desemprego aumenta, a renda em circulação cai e o consumo em baixa afeta mais ainda as empresas que tentam sobreviver.
Segundo o IBGE, o desemprego entre dezembro e fevereiro bateu novo recorde e chegou a 13,2%. Pela primeira vez, o número de desempregados ultrapassou os 13 milhões: ao todo, foram 13,5 milhões de pessoas procurando emprego no período.
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