18/07/2016
Conferência Estadual aprova propostas e elege delegação para etapa nacional



A Fetec-CUT/SP promoveu a 18ª Conferência Estadual dos Bancários, que reuniu 332 delegados, no sábado (16), em São Paulo. O evento discutiu os desafios para a Campanha Nacional dos Bancários 2016, a partir de análises sobre perspectivas e cenários.
A exemplo dos anos anteriores, a 18ª Conferência Estadual da Fetec-CUT/SP encerra um ciclo de debates realizados pela federação cutista, em conjunto com os sindicatos filiados, sobre conjunturas político-econômica, defesa do emprego, saúde e melhores condições de trabalho, valorização profissional e regulamentação do sistema financeiro.
Ao longo dos últimos três meses, foram realizadas, além de consultas sobre os principais problemas enfrentados pelos bancários nos seus locais de trabalho, Conferências Regionais, durante as quais os dirigentes sindicais e bancários de base projetaram ações para o fortalecimento das lutas da categoria.
O debate de propostas para a minuta nacional 2016, aprovadas por São Paulo, teve como principais pontos: reajuste com base no índice de inflação + de 5% de aumento real de ganho salarial; manutenção da PLR em três salários mas um valor fixo da minuta de 2015 reajustado pelo índice previsto este ano; proposta para a regulamentação do banco digital e assemelhados; fim das metas abusivas.
Também foi realizada a eleição dos 199 delegados para a 18ª Conferência Nacional dos Bancários, que será realizada de 29 a 31 de julho, também em São Paulo, e irá aprovar a minuta mínima unificada da categoria que será a pauta da campanha de 2016.
Representando o Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, estiveram presentes o presidente Paulo Franco, que também é diretor da Fetec-CUT/SP, e os diretores Roberto Carlos Vicentim, Aparecido Augusto Marcelo, Carlos Alberto Moretto, Luiz Eduardo Campolungo, Júlio César Trigo, Sérgio Luis de Castro Ribeiro (Chimbica), Antônio Júlio Gonçalves Neto (Tony) e Júlio Cézar Eleutério Mathias.
A delegação ainda foi composta pelos delegados de base Antônio Carlos Nunes de Oliveira (Carlão), Roberta Cristine Jorge, Jane Aparecida de Olivera e Luana Gerlach. O ex-diretor do Sindicato e ex-presidente da Fetec-CUT/SP, Luiz César de Freitas (Alemão), completou o grupo.
Momento difícil
Na abertura da Conferência Estadual, os dirigentes foram unânimes em afirmar que a Campanha Nacional acontecerá em um momento difícil para os trabalhadores. “Vimos um golpe na Turquia, mas também vimos o povo ir para a rua para defender a democracia, para defender seus direitos. Somente com o povo na rua vamos conseguir mudar a conjuntura que vivemos no Brasil. Só a luta nos garante”, disse a presidenta da Fetec-CUT/SP, Aline Molina.
O vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP), Sebastião Cardozo, também destacou que, “na atual conjuntura do país, é importante destacarmos a defesa da democracia para fortalecer nossa Campanha Nacional de 2016”, disse.
O presidente da Contraf-CUT, Roberto Von der Osten, o Betão, lembrou que os bancários e os trabalhadores de forma geral terão que construir a luta em uma conjuntura impensada.
“Não acreditávamos que uma direita que estava acuada e rejeitada pelos muitos programas sociais de inclusão social dos últimos governos conseguiria nos impor tantos retrocessos em apenas 60 dias de governo interino”.
Ao final de sua fala, Betão entregou uma rosa vermelha para a presidenta da FETEC/SP, a primeira mulher presidenta da maior federação de bancários do país, e explicou que “a rosa vermelha será o símbolo de nossa campanha deste ano. Com sua beleza e delicadeza também tem espinhos para se defender, para lutar. Nós, também teremos que com nosso jeito, conseguir mostrar aos bancários e aos trabalhadores que somente indo às ruas, somente a luta vai garantir a manutenção dos seus, dos nossos direitos” explicou.
Análise da conjuntura
Em mesa realizada pela Fetec-CUT/SP, durante a conferência, Altamiro Borges (Miro) e João Pedro Stédile fizeram uma análise da conjuntura atual.
Diante da grave crise econômica mundial e momento político conturbado em várias partes do mundo (saída do Reino Unido da União Europeia, atentados na França, tentativa de golpe na Turquia), os convidados fizeram uma análise apurada do atual momento.
“Não é fácil debater conjuntura com as incertezas que assolam o mundo. A crise que estamos vivendo é culpa da ruína de um sistema capitalista financeiro falido”, explicou Altamiro Borges.
Em sua visão, três frentes de atuação são os principais eixos do golpe em curso no Brasil: o desmonte do Estado, a retirada de avanços e a implementação do um modelo neoliberal.
Segundo Altamiro, o golpe vem sendo arquitetado há tempos. Mais precisamente desde a chegada ao poder do presidente Lula. “A classe dominante não aceitou as reformas, mesmo que brandas, que vinham sendo feitas pelos governos de esquerda”, explicou.
A mídia tradicional também foi amplamente criticada pelos convidados, por sua atuação tendenciosa e, muitas vezes, fantasiosa. “A mídia é responsável por alimentar o ódio e por querer imputar à esquerda toda a culpa pela existência da corrupção”, disse Miro.
João Pedro Stédile destacou que a sociedade vive uma profunda crise econômica, política, social e ambiental. “O golpe não é só contra a presidenta Dilma, eleita democraticamente e subtraída do poder. A ideia é implementar o modelo neoliberal, quem manda no mundo é capital financeiro”, explicou Stédile.
Para os convidados a única alternativa ao trabalhador é resistir e não aceitar a retirada de direitos e lutar contra, exigindo a recondução da presidenta Dilma ao poder.
“Por incrível que pareça, o momento é favorável para acabarmos com o golpe. Precisamos evidenciar a luta de classe e organizar os trabalhadores, sindicatos, estudantes e movimentos sociais e irmos às ruas lutar por nossos direitos”, finalizou Stédile.
Altamiro Borges é jornalista, coordenador do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé e autor de diversos livros entre eles “Sindicalismo, resistência e alternativas”. João Paulo Stédile é economista graduado pela PUC e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México. Foi um dos fundadores e é um dos dirigentes nacionais do MST.
Campanha Nacional
A categoria bancária é a única do país que possui uma Convenção Coletiva Nacional, que garante os mesmos direitos aos trabalhadores, independente da cidade ou estado em que eles exerçam suas funções. “Isso é uma conquista obtida depois de muita organização e luta. Mas, o país passa por um momento de ataques aos direitos dos trabalhadores em geral. Temos que nos unir às demais categorias em todo o país para impedir perdas que atinjam a todos. Juntos somos mais fortes”, destacou a presidenta da Fetec/SP.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Burnout explode 823% e novo decreto fará empresas pagarem caro por metas absurdas: escala 6×1 é próximo alvo
- Escala 6x1 e jornada de 44h contribuem para a desigualdade de renda no Brasil
- Oficina de Formação da Rede UNI Mulheres aborda desafios para igualdade de gênero no país, com aulas práticas de autodefesa
- Pressão por vendas: com regras piores para pagar comissões, lucro da Caixa Seguridade aumenta 13,2% no 1º tri. Dividendos pagos alcançam R$ 1,05 bi
- Fechamento de agências bancárias amplia exclusão de pessoas com deficiência e população vulnerável
- Sindicato participa de lançamento de livro que celebra legado político e sindical de Augusto Campos
- Santander reduz lucro no 1º trimestre de 2026 e mantém cortes de empregos e fechamento de unidades
- Movimento sindical cobra retomada imediata da mesa de negociação da Cassi
- ELEIÇÕES SINDICAIS: Termo de encerramento do prazo de impugnação de canditaduras
- Empossados os integrantes do Conselho Fiscal da Cabesp
- Escala 6x1 é denunciada no Senado como forma de violência estrutural contra as mulheres
- A nova realidade do endividamento brasileiro
- Candidaturas apoiadas pelo Sindicato vencem eleições do Economus
- Funcef fecha primeiro trimestre com desempenho positivo. Planos superam metas
- Itaú é denunciado por dificultar afastamento de trabalhadores adoecidos