Ataques orquestrados visam minar direitos dos bancários e Caixa 100% pública
Os avaliadores de penhor terão mantido o crédito do adicional insalubridade no mês de julho. O compromisso foi assumido por representantes da Caixa à Comissão Executiva dos Empregados (CEE), em negociação realizada na terça-feira (12). Ficou acertado, também, que a CEE apresentará, até 11 de agosto, laudos e argumentos técnicos que justifiquem a manutenção do pagamento em definitivo do direito.
Dionísio Reis, integrante da CEE, atribui esse pequeno recuo da Caixa à pronta reação sindical, que promoveu reuniões com avaliadores de penhor (que usaram traje na cor preta, como protesto) nas unidades de São Paulo e de Osasco no mesmo dia da reunião.
“Queremos que a Caixa melhore de fato as condições de trabalho dos avaliadores, mas não aceitamos redução de direitos”, diz o dirigente, que alerta: “Está em curso um plano orquestrado que visa retirar direitos e dividir os empregados. O ataque vem segmentado, atingiu primeiro os caixas, depois os tesoureiros e os técnicos bancários e mais recentemente o avaliador de penhor”.
Dionísio reforça ainda que a retirada do adicional insalubridade não é apenas para economizar, mas também para descaracterizar o risco da função e, posteriormente, criar uma espécie de avaliador-minuto – quando a pessoa recebe pelo tempo que exerce a função. Bem similar ao caixa-minuto. “São desrespeitos inaceitáveis”, critica Dionísio.
O Sindicato orienta os bancários a denunciar todas as mudanças que impliquem na piora das condições de trabalho e ataque a direitos e ao banco público.
“Não existe agência deficitária na Caixa, pois o método de mensurar o resultado da unidade está equivocado. Por isso é essencial denunciar caso haja ameaça de fechamento de unidades, abertura de agências sem tesoureiros e outras situações. Só assim poderemos nos antecipar e organizar manifestações para denunciar à população, nossa maior aliada nesse momento, que está em curso um projeto que busca acabar com o banco público”, orienta Dionísio. “Todos devem estar preparados para participar das manifestações que serão realizadas em defesa dos direitos dos trabalhadores e da Caixa 100% pública.”
Entenda
O corte do adicional de insalubridade havia sido oficializado pela direção da empresa em comunicado interno no dia 5 de julho. A justificativa foi baseada em laudos de empresas contratadas, que consideraram que o ambiente em que se manipulam produtos químicos por esses empregados não apresenta risco à saúde e que, portanto, não caberia o pagamento do adicional, que corresponde a 40% do salário mínimo (R$ 352).
“Ninguém está defendendo um local insalubre. Se a melhoria realmente aconteceu, será motivo de comemoração. No entanto, não é isso que apontam os relatos que ouvimos de avaliadores que participaram do 32º Conecef, realizado há duas semanas”, afirma a coordenadora da Comissão dos Empregados, Fabiana Matheus. Ela acrescenta: “as entidades já estão contratando laudos técnicos para confrontar a decisão da Caixa”.
Entre as principais ameaças da função está a manipulação de produtos químicos tóxicos. Mais recentemente, atendendo reivindicação do movimento sindical, a Caixa instalou exaustores nas bancadas, equipamentos muito questionados pelos próprios trabalhadores. “Outro problema que identificamos numa análise inicial é que os laudos não fazem referência ao espectrômetro, um serviço automatizado que identifica, por fluorescência de raios x, as ligas metálicas das joias”, acrescenta Plínio Pavão, assessor da Fenae e membro do GT Saúde do Trabalhador.
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