Novo presidente da Caixa nega privatização, mas não convence
O novo presidente da Caixa, Gilberto Occhi, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que a privatização, ou abertura de capital do banco público, não está nos planos da instituição financeira e do “governo” interino de Michel Temer. Porém, por conta de contradições em relação às posições defendidas anteriormente e até na mesma entrevista, o executivo do banco público não convenceu. O mesmo Occhi já afirmou publicamente ser favorável à abertura do capital das áreas de seguros, loterias e cartões para depois, como segundo passo, fazer a abertura total do capital do banco.
“Sem dúvida a mobilização dos bancários e da sociedade na defesa da Caixa e das estatais incomodou. Foram realizados diversos atos, com destaque para o lançamento da campanha Se é público, é para todos; o protesto no Feirão da Caixa e as paralisações de agências e concentrações no dia 10 de junho. A reação popular forçou o presidente da Caixa a disfarçar as intenções privatistas do ‘governo’ Temer”, avalia o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo Dionísio Reis.
Na entrevista ao jornal, Occhi diz não existir qualquer intenção de privatizar as áreas de loterias, cartões e seguros, mas se contradiz ao admitir que a abertura de capital da Caixa Seguridade está na agenda da equipe econômica. Além dessa clara contradição, fala também em parcerias com a iniciativa privada para loterias e não descarta a capitalização da área de cartões.
“As discussões do IPO da Caixa Seguridade e a renovação do contrato com os franceses (CNP Assurances) estão na agenda com a equipe econômica. Para entrar ainda este ano, depende do mercado. Nas loterias, o modelo é uma joint venture. O preço dos ativos está oscilando muito, o que dificulta qualquer negócio. Já a área de cartões é importante e será prioritária para a Caixa. Temos muitas oportunidades. É principalmente rentável, dentro do nosso objetivo de sustentabilidade e eficiência. Estamos fazendo esse trabalho e, se resolvermos pela abertura de capital ou outra parceria, vamos fazer”, disse o presidente do banco público.
“Na mesma entrevista em que nega a privatização, ele consegue falar em abertura de capital nos seguros, joint venture nas loterias e admite capitalizar o setor de cartões. Tenta mascarar intenções privatistas, mas defende ações que vão exatamente nesse sentido. A mobilização em defesa da Caixa tem que continuar e ganhar cada vez mais força para evitarmos a venda de um patrimônio brasileiro”, enfatiza Dionísio.
“A nossa luta é por uma Caixa 100% pública. O banco tem um papel importante para o país, operando diversos programas sociais e linhas de crédito do governo federal. Não importa qual nome queiram dar. Se privatização, abertura de capital, joint venture ou parceria com iniciativa privada. Não aceitaremos que a Caixa seja submetida à lógica de mercado em detrimento do seu importante papel social e estratégico para o Brasil”, conclui o dirigente.
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