Contraf-CUT firma convênio para mapear dados sobre adoecimento dos bancários
O movimento Vítimas do HSBC revelou o terror instalado pelos banqueiros aos bancários por intermédio do assédio moral organizacional na categoria e os métodos de gestão que os bancos implantam, sistematicamente. Com estatísticas precisas, fruto de mais de dois anos de pesquisas acadêmicas, o que antes era uma impressão, tornou-se um estudo científico.
Agora a Contraf-CUT firmou uma parceria com o Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (Declatra) para estabelecer um mapeamento de dados sobre adoecimento de bancários nos sindicatos. O objetivo do termo é estabelecer uma parceria técnica entre ambas as instituições para sistematizar e mapear os dados referentes ao adoecimento de trabalhadores bancários em todo o Brasil.
“Esperamos, com esse estudo, ter informações relevantes e precisas que possam ser utilizadas de forma pró-ativa, ou seja, o objetivo é que estas informações possam compor políticas de prevenção e combate às doenças e enfermidades ocasionadas pelo trabalho no sistema bancário brasileiro”, explica o advogado do instituto, Nasser Allan, um dos organizadores da pesquisa que resultou no movimento Vítimas do HSBC.
Pelo convênio firmado, a Contraf-CUT disponibilizará ao Instituto informações relativas à saúde que constem no banco de dados da entidade, bem como dos seus sindicatos filiados. As referências vão desde pesquisas realizadas por universidades em parceria com estas organizações, até estatísticas coletadas em pesquisas internas sobre a saúde da categoria.
“Estabeleceremos uma metodologia de trabalho, a exemplo do que foi realizado na pesquisa com bancários do HSBC para desenvolver esse estudo de forma conjunta. Ao final esperamos ter um estudo sólido que possa embasar atividades preventivas e de combate ao adoecimento da categoria”, ressalta Allan.
Convênio
A Contraf-CUT destacou a assessora jurídica da entidade, para a área da saúde do trabalhador, Dra. Maria Leonor Poço, para realizar todo o acompanhamento necessário para o bom andamento dos trabalhos, no sentido de garantir que o convênio consiga cumprir os seus objetivos e, de fato, contribuir para o fortalecimento das teses sobre o trabalho bancário, além de fortalecer o processo negocial com o setor patronal.
O convênio prevê reuniões periódicas com o Instituto para a avaliação dos trabalhos, aprimoramento e ajustes necessários.
“Esse convênio com o instituto Declatra é uma grande oportunidade para o fortalecimento das teses da Contraf-CUT na mesa de negociação, de provar que o trabalho bancário adoece e que o fator principal de risco reside nos processos e organização do trabalho. Os métodos de gestão nos bancos adoecem cada vez mais, comprometendo a saúde dos trabalhadores do ramo financeiro, ocasionando sofrimento e afastamentos de indivíduos, prejudicando famílias inteiras e a sociedade”, reforça a assessora jurídica, Maria Leonor Poço.
O convênio foi assinado no último dia 06 de abril, em Curitiba, no evento de lançamento do livro “Assédio Moral Organizacional – As vítimas dos Métodos de Gestão nos Bancos. ” A publicação, fruto de uma extensa pesquisa, reúne artigos de advogados, médicos e especialistas de outras áreas que traçam uma análise sobre os métodos de gestão, o assédio moral e suas consequências na vida dos trabalhadores, além de estatísticas levantadas junto à Justiça do Trabalho, Ministério da Saúde, INSS e dados de homologações de demissões de bancários.
“Vamos trabalhar em conjunto com o instituto DECLATRA e sistematizar os inúmeros trabalhos produzidos pelas entidades sindicais, pelas universidades, as inúmeras pesquisas existentes, vamos buscar artigos que foram produzidos discutindo o trabalho dos bancários e todas as informações que temos disponíveis”, explica Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.
“Partimos do pressuposto que o trabalho bancário adoece e para isso temos que fundamentar as nossas teses, aprofundar os nossos estudos, nossos argumentos e avançar para o estabelecimento de políticas preventivas, que garantam a participação dos trabalhadores e de seus representantes, que considerem o saber do trabalhador e que o poder de decisão seja compartilhado, afinal, a saúde é do trabalhador, a ele pertence”, enfatiza o dirigente sindical.
O convênio entre a Contraf-CUT e o instituto Declatra será apresentado e debatido na próxima reunião do Coletivo Nacional de Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador da Confederação, na próxima semana.
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