19/01/2016
Metas elevadas e onda de demissões aumentam queixas contra bancos
O Itaú foi o banco com maior número de reclamações ao Banco Central em dezembro. No último mês do ano passado, o BC recebeu 612 queixas consideradas procedentes contra a instituição, registrando índice 10,22. O levantamento aponta que a maioria (104) está relacionada à oferta de produtos e serviços inadequados ou então com informações insuficientes para a tomada de decisão por parte do cliente.
“O ranking do BC escancara os malefícios da cobrança abusiva por metas. O fato de a grande maioria das queixas ter relação com produtos inadequados e informações insuficientes revela a pressão a que estão submetidos os bancários para a venda de produtos e serviços”, analisa a secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Maria da Silva.
“Este tipo de abuso não prejudica somente o trabalhador, que pode inclusive vir a adoecer por conta da pressão excessiva, mas também o cliente, que tem diversos produtos empurrados para ele, sem que de fato conheça todas as informações necessárias para decidir se os contrata ou não”, acrescenta a dirigente sindical.
Mesmo registrando lucro de R$ 18,059 bilhões nos primeiros nove meses de 2015, valor 20,7% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, o número de empregados do Itaú teve redução de 3% na comparação entre setembro do ano passado e o mesmo mês de 2014. O corte atingiu 2.642 postos de trabalho em doze meses.
“A fórmula é simples. Cobrança abusiva de metas mais demissões é igual a queda na qualidade nos serviços prestados, cujas tarifas não são nem um pouco baratas”, critica Ivone.
“Existe uma distância imensa entre a realidade e a imagem que o Itaú constrói para si na sua publicidade. No comercial de fim de ano, a mensagem era que homens não podem ser substituídos por máquinas e que o banco é ‘feito pessoalmente para você’, mas na prática demite trabalhadores para investir cada vez mais nas agências digitais”, explica. “O número de reclamações só tende a crescer porque se tem uma coisa que a propaganda do Itaú tem razão é de que as pessoas querem ser bem atendidas e por bancários, não somente por máquinas.”
Incompatível
Na vice-liderança do incômodo ranking do BC está o Bradesco, com índice 8,39 e 647 reclamações consideradas procedentes. A queixa mais recorrente (199) refere-se à cobrança irregular de tarifa por serviços não contratados. Assim como o líder Itaú, o banco também cortou postos de trabalho entre setembro de 2014 e o mesmo mês do ano passado.
Ao todo, a instituição reduziu em 5,21% o número de funcionários no período ou 5.153 vagas a menos – número que inclui a transferência de 2.431 funcionários da Scopus Tecnologia, uma empresa do Bradesco, para a IBM Brasil em dezembro de 2014.
No ranking do BC, o Bradesco é seguido pela Caixa, com índice 7,89 e 616 reclamações procedentes; HSBC, com índice 6,08 e 78 queixas procedentes; e Santander, com índice 5,76 e 193 reclamações procedentes.
Mesmo lucrando R$ 54,8 bilhões nos primeiros nove meses do ano passado, 24,3% a mais em relação ao mesmo período de 2014, os bancos brasileiros cortaram mais de 11 mil postos de trabalho no período.
“Os lucros de Itaú e Bradesco, assim como de todos os outros grandes bancos com operação no Brasil, são incompatíveis com o corte de postos de trabalho no setor financeiro. Enquanto o número de correntistas aumenta, o portfólio de produtos cresce e os lucros se multiplicam, o número de bancários diminui. O resultado é a sobrecarga de trabalho, adoecimento e, por consequência, um serviço pior para a população”, destaca a presidenta do sindicato paulista, Juvandia Moreira.
“Os bancos estão entre os setores que mais lucram no país, têm todas as condições e diria até obrigação de contribuir com a criação de postos de trabalho no Brasil. Por isso, nossa luta em defesa do emprego continua. Temos reivindicado, por exemplo, que a reposição de vagas no Bradesco sejam destinadas a funcionários do HSBC quando for finalizado o processo de compra”, enfatiza.
Ranking do BC
Para elaborar o ranking, as reclamações são divididas pelo número de clientes da instituição financeira que originou a demanda e multiplicadas por 1 milhão. Assim, é gerado o índice, que representa o número de reclamações de cada instituição financeira para cada grupo de 1 milhão de clientes.
“O ranking do BC escancara os malefícios da cobrança abusiva por metas. O fato de a grande maioria das queixas ter relação com produtos inadequados e informações insuficientes revela a pressão a que estão submetidos os bancários para a venda de produtos e serviços”, analisa a secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Maria da Silva.
“Este tipo de abuso não prejudica somente o trabalhador, que pode inclusive vir a adoecer por conta da pressão excessiva, mas também o cliente, que tem diversos produtos empurrados para ele, sem que de fato conheça todas as informações necessárias para decidir se os contrata ou não”, acrescenta a dirigente sindical.
Mesmo registrando lucro de R$ 18,059 bilhões nos primeiros nove meses de 2015, valor 20,7% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, o número de empregados do Itaú teve redução de 3% na comparação entre setembro do ano passado e o mesmo mês de 2014. O corte atingiu 2.642 postos de trabalho em doze meses.
“A fórmula é simples. Cobrança abusiva de metas mais demissões é igual a queda na qualidade nos serviços prestados, cujas tarifas não são nem um pouco baratas”, critica Ivone.
“Existe uma distância imensa entre a realidade e a imagem que o Itaú constrói para si na sua publicidade. No comercial de fim de ano, a mensagem era que homens não podem ser substituídos por máquinas e que o banco é ‘feito pessoalmente para você’, mas na prática demite trabalhadores para investir cada vez mais nas agências digitais”, explica. “O número de reclamações só tende a crescer porque se tem uma coisa que a propaganda do Itaú tem razão é de que as pessoas querem ser bem atendidas e por bancários, não somente por máquinas.”
Incompatível
Na vice-liderança do incômodo ranking do BC está o Bradesco, com índice 8,39 e 647 reclamações consideradas procedentes. A queixa mais recorrente (199) refere-se à cobrança irregular de tarifa por serviços não contratados. Assim como o líder Itaú, o banco também cortou postos de trabalho entre setembro de 2014 e o mesmo mês do ano passado.
Ao todo, a instituição reduziu em 5,21% o número de funcionários no período ou 5.153 vagas a menos – número que inclui a transferência de 2.431 funcionários da Scopus Tecnologia, uma empresa do Bradesco, para a IBM Brasil em dezembro de 2014.
No ranking do BC, o Bradesco é seguido pela Caixa, com índice 7,89 e 616 reclamações procedentes; HSBC, com índice 6,08 e 78 queixas procedentes; e Santander, com índice 5,76 e 193 reclamações procedentes.
Mesmo lucrando R$ 54,8 bilhões nos primeiros nove meses do ano passado, 24,3% a mais em relação ao mesmo período de 2014, os bancos brasileiros cortaram mais de 11 mil postos de trabalho no período.
“Os lucros de Itaú e Bradesco, assim como de todos os outros grandes bancos com operação no Brasil, são incompatíveis com o corte de postos de trabalho no setor financeiro. Enquanto o número de correntistas aumenta, o portfólio de produtos cresce e os lucros se multiplicam, o número de bancários diminui. O resultado é a sobrecarga de trabalho, adoecimento e, por consequência, um serviço pior para a população”, destaca a presidenta do sindicato paulista, Juvandia Moreira.
“Os bancos estão entre os setores que mais lucram no país, têm todas as condições e diria até obrigação de contribuir com a criação de postos de trabalho no Brasil. Por isso, nossa luta em defesa do emprego continua. Temos reivindicado, por exemplo, que a reposição de vagas no Bradesco sejam destinadas a funcionários do HSBC quando for finalizado o processo de compra”, enfatiza.
Ranking do BC
Para elaborar o ranking, as reclamações são divididas pelo número de clientes da instituição financeira que originou a demanda e multiplicadas por 1 milhão. Assim, é gerado o índice, que representa o número de reclamações de cada instituição financeira para cada grupo de 1 milhão de clientes.
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