16/10/2015
Para correntistas, bancos ganham muito e oferecem pouco
“Eles ganham muito e o serviço é bem fraquinho”, disse um correntista do Banco do Brasil que na quinta-feira 15, décimo dia de greve dos bancários, usava com tranquilidade o autoatendimento de uma agência fechada por conta da paralisação. “Eles não têm interesse pela gente, não dão a assistência devida. Mas se eu fosse um grande empresário, viriam atrás. O que é uma besteira porque os grandes estão mal, mas as pequenas empresas nem tanto”, acrescenta Eliseu de Campos, 43 anos, microempresário do ramo de confecções.
Apesar de empreendedor, Eliseu não toma empréstimos com a instituição financeira. “Os juros são absurdos!”, justifica. “Sinceramente, se eu não precisasse, não ia querer nem ver banco na minha frente.” Sobre a proposta da Fenaban aos trabalhadores – de reajuste que não repõe sequer a inflação e representa perdas de 4% – ele diz: “Não acho justa. Eles ganham muito e podem pagar muito mais”.
A opinião de Eliseu reflete o que muitos correntistas pensam dos bancos. Apesar dos lucros bilionários, não devolvem o que ganham à sociedade. “Eles estão colaborando para o aumento do desemprego no Brasil. Treinam a população para usar as máquinas [autoatendimento] e o que eles eliminam de emprego com isso não se tem ideia”, critica a professora aposentada Maria Gazzetto, que reclama de não ter o devido acesso a essa informação. “Só divulgam o desemprego geral, mas não as empresas que estão demitindo mais. Tenho certeza que os bancos estão entre elas.”
E estão mesmo: em apenas oito meses (de janeiro a agosto deste ano) o setor bancário cortou 6.003 postos de trabalho, segundo dados do último Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho). Considerando os balanços dos cinco maiores (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) referentes ao primeiro semestre do ano (na comparação com os primeiros seis meses de 2014), o número de empregos extintos é de 7.107.
Aos 81 anos, a aposentada se ressente do atendimento que recebe como cliente, também do BB. “Não consigo nem falar com o gerente porque eles barram a gente no atendimento prévio, e nem dá pra entrar na agência. Por telefone então, nem pensar. O banco quer que a gente faça tudo sozinho, mas nem todo mundo sabe usar essas máquinas. Não está certo”, diz.
Outra descontente com o autoatendimento é aposentada Marilene Lima, 63 anos, correntista do Santander: “Quase fui roubada às 9h da manhã. Entrei para sacar dinheiro e um rapaz que disse ser do banco insistia em me ajudar. Se eu fosse mais boba, caía na conversa. Ou seja, não tem segurança”.
“Eles estão montados no dinheiro e podem sim dar um reajuste maior. Até pelo risco que se corre trabalhando dentro de um banco, os bancários merecem muito mais”, opina a escrevente Sônia Rosa, 57 anos, cliente do Bradesco, também atenta ao problema da segurança bancária.
“Pra gente que é pobre, poder parcelar ajuda, né? Ameniza o nosso sofrimento”, afirma o vendedor Ricardo Almeida, 36 anos, correntista do BB. Por conta do crédito a juros exorbitantes, ele conta que ficou meses com o nome “sujo”. “Sempre tive dificuldade com banco, e passei anos pra limpar meu nome. Mas a gente precisa, né?”. Sobre a greve, afirma: “É justa. Cada um tem de correr atrás de sua melhoria”.
Até mesmo quem deveria ter atendimento vip, reclama: “Estou esperando até hoje o retorno sobre um financiamento. Como não veio, financiei o carro por outra empresa”, conta uma cliente do Itaú Personalitté, que também apoia a greve dos bancários. “Acho louvável. As pessoas têm mesmo de ir atrás de seus direitos”, afirma a advogada Sônia Regina, 50 anos.
Apesar de empreendedor, Eliseu não toma empréstimos com a instituição financeira. “Os juros são absurdos!”, justifica. “Sinceramente, se eu não precisasse, não ia querer nem ver banco na minha frente.” Sobre a proposta da Fenaban aos trabalhadores – de reajuste que não repõe sequer a inflação e representa perdas de 4% – ele diz: “Não acho justa. Eles ganham muito e podem pagar muito mais”.
A opinião de Eliseu reflete o que muitos correntistas pensam dos bancos. Apesar dos lucros bilionários, não devolvem o que ganham à sociedade. “Eles estão colaborando para o aumento do desemprego no Brasil. Treinam a população para usar as máquinas [autoatendimento] e o que eles eliminam de emprego com isso não se tem ideia”, critica a professora aposentada Maria Gazzetto, que reclama de não ter o devido acesso a essa informação. “Só divulgam o desemprego geral, mas não as empresas que estão demitindo mais. Tenho certeza que os bancos estão entre elas.”
E estão mesmo: em apenas oito meses (de janeiro a agosto deste ano) o setor bancário cortou 6.003 postos de trabalho, segundo dados do último Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho). Considerando os balanços dos cinco maiores (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) referentes ao primeiro semestre do ano (na comparação com os primeiros seis meses de 2014), o número de empregos extintos é de 7.107.
Aos 81 anos, a aposentada se ressente do atendimento que recebe como cliente, também do BB. “Não consigo nem falar com o gerente porque eles barram a gente no atendimento prévio, e nem dá pra entrar na agência. Por telefone então, nem pensar. O banco quer que a gente faça tudo sozinho, mas nem todo mundo sabe usar essas máquinas. Não está certo”, diz.
Outra descontente com o autoatendimento é aposentada Marilene Lima, 63 anos, correntista do Santander: “Quase fui roubada às 9h da manhã. Entrei para sacar dinheiro e um rapaz que disse ser do banco insistia em me ajudar. Se eu fosse mais boba, caía na conversa. Ou seja, não tem segurança”.
“Eles estão montados no dinheiro e podem sim dar um reajuste maior. Até pelo risco que se corre trabalhando dentro de um banco, os bancários merecem muito mais”, opina a escrevente Sônia Rosa, 57 anos, cliente do Bradesco, também atenta ao problema da segurança bancária.
“Pra gente que é pobre, poder parcelar ajuda, né? Ameniza o nosso sofrimento”, afirma o vendedor Ricardo Almeida, 36 anos, correntista do BB. Por conta do crédito a juros exorbitantes, ele conta que ficou meses com o nome “sujo”. “Sempre tive dificuldade com banco, e passei anos pra limpar meu nome. Mas a gente precisa, né?”. Sobre a greve, afirma: “É justa. Cada um tem de correr atrás de sua melhoria”.
Até mesmo quem deveria ter atendimento vip, reclama: “Estou esperando até hoje o retorno sobre um financiamento. Como não veio, financiei o carro por outra empresa”, conta uma cliente do Itaú Personalitté, que também apoia a greve dos bancários. “Acho louvável. As pessoas têm mesmo de ir atrás de seus direitos”, afirma a advogada Sônia Regina, 50 anos.
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