22/01/2015
Restrição de atendimento é risco no Bradesco
São Paulo – Funcionários do Bradesco vêm sendo obrigados a cumprir ordens que causam indignação da população e expõem trabalhadores a riscos. A tarefa imposta é triar quem é correntista com o objetivo de impedir o atendimento de não clientes nas baterias de caixa, no interior das unidades. A determinação de não receber pagamento de boletos de outras instituições financeiras também se inclui entre as medidas que o banco está tomando para reduzir custos, segundo denúncias de bancários.
“A orientação é não fazer pagamento de boletos de bancos diferentes. Em caso de depósito, a ordem é para indicar os caixas eletrônicos. Tudo para gastar menos com atendimento”, diz um supervisor administrativo.
As determinações provocam revolta e geram situações difíceis.
“O cliente, acostumado a pagar as contas no Bradesco, começa a fazer escândalo. Depois de gritar, o gerente permite que ele pague a conta. É muito desconfortável porque, depois de tudo, o bancário fica com cara de tacho, como se fosse ele que não quisesse atender”, conta o trabalhador.
“O clima é tenso. Percebemos que a pessoa vai em uma agência e não é atendida. Vai em outra e consegue. O povo fica revoltado”, aponta o diretor do Sindicato Vanderlei Pereira Alves.
Novo projeto - Para a diretora executiva do Sindicato Neiva Maria Ribeiro Santos, a prática faz parte de projeto de atendimento implantado em 2014, cujas consequências vêm sendo analisadas pelo movimento sindical, principalmente no que tange aos impactos nas condições de trabalho.
> Projeto Atendimento instaura caos em agências
“Trata-se de um projeto que visa reduzir o número de autenticações nos caixas por meio de triagem, sob o argumento de priorizar o atendimento aos clientes do Bradesco. O banco se comprometeu que não haverá corte de pessoal. Estamos atentos. Porém, o projeto cria condições para que se acabe com atendimento nos caixas e somos contrários a isso”, diz Neiva.
De acordo com o dirigente Vanderlei Alves, a falta de funcionários é um agravante: “Muitos caixas são obrigados a fazer hora-extra. Ainda mais agora que o processamento de envelopes é feito por bancários. Na hora de sair já está escuro. Há perigo real de que alguém se vingue quando fica com raiva de quem recusou atendimento”, ilustra o dirigente Vanderlei Alves.
> Autoatendimento volta aos bancários no Bradesco:
As denúncias feitas por trabalhadores são de várias agências, em especial da zona leste de São Paulo. Dirigentes sindicais estão fazendo um levantamento em todas as regiões para verificar problemas e cobrar soluções.
Direito do consumidor – O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), baseado nas Instruções Normativas do Banco Central (BC) que determinam como se deve prestar o atendimento nas agências bancárias, especifica o que pode e o que não pode.
É vedada a discriminação entre os clientes e não clientes em pagamentos de serviços básicos, como água, luz, gás e telefone, cobrados por empresas com as quais os bancos têm liberdade de fazer convênios. A norma está na Resolução nº 1.865/91 do BC.
Os bancos também não podem recusar ou dificultar o acesso aos canais de atendimento convencionais, inclusive aos guichês de caixa, pela Resolução nº 3.694/2009 do BC. Mesmo que tenha meios alternativos, a escolha deve ser do consumidor. Conforme o Idec, a única exceção é de haver tal previsão no contrato mantido entre a instituição financeira e a concessionária prestadora do serviço de consumo, restringindo os canais específicos de pagamento. O banco teria que comprovar que os termos do convênio sofreram alteração.
O Sindicato está estudando medidas para coibir práticas que afetem o direito do consumidor, em todas as instituições financeiras.
Mariana Castro Alves
“A orientação é não fazer pagamento de boletos de bancos diferentes. Em caso de depósito, a ordem é para indicar os caixas eletrônicos. Tudo para gastar menos com atendimento”, diz um supervisor administrativo.
As determinações provocam revolta e geram situações difíceis.
“O cliente, acostumado a pagar as contas no Bradesco, começa a fazer escândalo. Depois de gritar, o gerente permite que ele pague a conta. É muito desconfortável porque, depois de tudo, o bancário fica com cara de tacho, como se fosse ele que não quisesse atender”, conta o trabalhador.
“O clima é tenso. Percebemos que a pessoa vai em uma agência e não é atendida. Vai em outra e consegue. O povo fica revoltado”, aponta o diretor do Sindicato Vanderlei Pereira Alves.
Novo projeto - Para a diretora executiva do Sindicato Neiva Maria Ribeiro Santos, a prática faz parte de projeto de atendimento implantado em 2014, cujas consequências vêm sendo analisadas pelo movimento sindical, principalmente no que tange aos impactos nas condições de trabalho.
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“Trata-se de um projeto que visa reduzir o número de autenticações nos caixas por meio de triagem, sob o argumento de priorizar o atendimento aos clientes do Bradesco. O banco se comprometeu que não haverá corte de pessoal. Estamos atentos. Porém, o projeto cria condições para que se acabe com atendimento nos caixas e somos contrários a isso”, diz Neiva.
De acordo com o dirigente Vanderlei Alves, a falta de funcionários é um agravante: “Muitos caixas são obrigados a fazer hora-extra. Ainda mais agora que o processamento de envelopes é feito por bancários. Na hora de sair já está escuro. Há perigo real de que alguém se vingue quando fica com raiva de quem recusou atendimento”, ilustra o dirigente Vanderlei Alves.
> Autoatendimento volta aos bancários no Bradesco:
As denúncias feitas por trabalhadores são de várias agências, em especial da zona leste de São Paulo. Dirigentes sindicais estão fazendo um levantamento em todas as regiões para verificar problemas e cobrar soluções.
Direito do consumidor – O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), baseado nas Instruções Normativas do Banco Central (BC) que determinam como se deve prestar o atendimento nas agências bancárias, especifica o que pode e o que não pode.
É vedada a discriminação entre os clientes e não clientes em pagamentos de serviços básicos, como água, luz, gás e telefone, cobrados por empresas com as quais os bancos têm liberdade de fazer convênios. A norma está na Resolução nº 1.865/91 do BC.
Os bancos também não podem recusar ou dificultar o acesso aos canais de atendimento convencionais, inclusive aos guichês de caixa, pela Resolução nº 3.694/2009 do BC. Mesmo que tenha meios alternativos, a escolha deve ser do consumidor. Conforme o Idec, a única exceção é de haver tal previsão no contrato mantido entre a instituição financeira e a concessionária prestadora do serviço de consumo, restringindo os canais específicos de pagamento. O banco teria que comprovar que os termos do convênio sofreram alteração.
O Sindicato está estudando medidas para coibir práticas que afetem o direito do consumidor, em todas as instituições financeiras.
Mariana Castro Alves
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