Executiva Nacional da CUT reafirma que salário não é o vilão da inflação
Reunida em São Paulo nesta terça-feira (17), a Executiva Nacional da CUT teve como contribuição ao debate de conjuntura um estudo sobre salários, apresentado pelo Dieese.
Na última semana, a velha mídia e alguns setores do mercado financeiro têm insistido em argumentar que o aumento dos salários é fator determinante para a inflação, o que tem reforçado a opinião da equipe econômica do governo.
A técnica da subseção Dieese-CUT Nacional, Patrícia Pelatieri, apresentou o estudo, com dados que revelam que o aumento da inflação tem outras origens. Segundo Patrícia, entre as principais causas estão os itens sazonais, entre eles, despesas tradicionais de início de ano, como materiais escolares e outros gastos com educação em instituições particulares, impostos, além do aumento dos combustíveis e do preço das commodities.
Citando como exemplo os combustíveis, a técnica diz que o próprio governo percebeu que o aumento estava impulsionando a inflação e por isso tomou medidas para um ajuste de preços.
Um dos principais índices de cálculo da inflação no Brasil, o IGPM, - Índice Geral de Preços do Mercado - utilizado pelo mercado no reajuste de preços e tarifas, segundo Patrícia, é um índice "esquizofrênico", pois tem como base as vendas de atacado, varejo e construção civil.
O estudo apresenta resultados positivos de negociações salariais em 2010: 95,7% dos acordos feitos no ano passado chegaram a aumentos reais ou reposições salariais satisfatórias. Também em 2010, o crescimento da renda dos trabalhadores com carteira assinada foi de aproximadamente 2,6%, com recorde na geração de empregos formais.
Os dados também demonstram que houve aumento de consumo no ano passado. A projeção para 2011 é de um crescimento em potencial da economia, da ordem de 4,5%, com geração de emprego e estabilização das taxas de desemprego em relação ao ano anterior.
A conclusão é que, se em 2010 não houve um aumento de inflação com o aumento de renda e consumo, o mito de que o salário será o responsável pelo crescimento das taxas este ano é absurdo.
Ela lembra que as reposições salariais, com ou sem ganho real, são baseadas em índices passados e não sobre projeções, ou seja, o que o trabalhador conquista como aumento de salário, na verdade tem como referência períodos anteriores.
Para Quintino Severo, secretário-geral nacional da CUT, a especulação é o verdadeiro vilão. "É a especulação de mercado que provoca a inflação e quem paga a conta é o trabalhador. O salário é vítima da inflação. A CUT não aceita qualquer tentativa de impor aos trabalhadores a responsabilidade pelo aumento da inflação".
Quintino finalizou com um informe de que as centrais estão unificadas no repúdio ao uso da inflação para deter os reajustes de salários.
Clique aqui para ler a notícia com a nota conjunta das centrais.
Fonte: Paula Brandão e André Accarini - CUT
MAIS NOTÍCIAS
- Mudanças na Caixa às vésperas das negociações acendem alerta e geram cobrança por respeito aos empregados
- Ampliação da representatividade fortalece organização dos trabalhadores do ramo financeiro
- Torneio de Futebol 1º de Maio acontece amanhã, dia 23/05 no Clube dos Bancários
- COE cobra do Santander esclarecimentos sobre o “Conduta Certo”
- A direita e o centrão querem adiar o fim da 6x1 e criar benefícios fiscais para os empresários!
- CUSC cobra transparência e reunião urgente para debater problemas no Saúde Caixa
- Consulta Nacional mobiliza a categoria bancária em todo o país
- O que é jornada de trabalho, por que é preciso reduzi-la e acabar com a escala 6x1
- Fim da escala 6x1 sem redução salarial beneficiará metade dos trabalhadores do país
- Empregados da Caixa em SP debatem pautas e elegem representantes para o Conecef
- STF confirma constitucionalidade da Lei da Igualdade Salarial e reforça obrigação de transparência das empresas
- Comando Nacional propõe “Pacto pela saúde dos bancários"
- Lucro contábil da Caixa é de R$ 3,469 bilhões no primeiro trimestre de 2026
- COE Bradesco debate renovação do Supera para 2026 e garante avanço para gestantes
- Lucro do Banco do Brasil despenca 53,5% no 1º trimestre de 2026