Aumento real de salário não provoca inflação
As centrais CUT, Força Sindical, CTB, UGT, CGTB e Nova Central, reunidas em São Paulo na última sexta-feira, dia 13, repudiam as tentativas em curso, por meio de declarações de autoridades públicas, consultorias financeiras e setores da mídia, de associar aumentos reais de salário a um possível descontrole da inflação.
Por trás dessa associação, existe uma campanha para deter o ímpeto reivindicatório das categorias que estão em campanha salarial no segundo semestre deste ano.
As centrais reafirmam que não se deixarão levar por essa linha de raciocínio, que não se sustenta diante da realidade.
Os salários no Brasil continuam em patamares inferiores aos ganhos de produtividade e de lucratividade de todos os setores econômicos. Os recentes ganhos no poder de compra dos assalariados não foram suficientes para transpor essas diferenças, o que descarta a tese de que novos aumentos, por se sobreporem à produtividade, podem pressionar a inflação, e devido a alguns alimentos apresentarem elevação mundial.
Não há também um cenário de inflação de demanda, uma vez que o consumo das famílias tem se mantido estável em relação ao crescimento da economia brasileira, tendo registrado inclusive queda no ano passado em relação a 2009.
Queremos também denunciar alguns reais fatores de pressão inflacionária que são sempre esquecidos pelas consultorias e análises econômicas conservadoras. Os setores oligopolizados que podem manejar ao bel prazer seus preços e margens de lucro; a existência de tarifas públicas indexadas; a estrutura tributária que incide majoritariamente sobre o consumo; a taxa básica de juros, que pressiona a formação dos preços e as tarifas dos setores privatizados como telecomunicações e energia, entre outros.
É preciso que todos os setores da sociedade se concentrem na busca de soluções para esses problemas, em lugar de recorrermos a mais uma tentativa de punir os assalariados e trabalhadores em geral.
CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT
Fonte: CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT
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