Programa de combate ao assédio moral já traz resultados em São Paulo
Menos de dois meses após o início do Programa de Combate ao Assédio Moral, um caso da base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região já foi resolvido. É um tempo recorde, levando-se em conta que a entidade primeiro apura a denúncia, antes de mandá-la ao banco e que, depois disso, a empresa ainda tem um prazo de até 60 dias para tomar providências.
Nesse caso, o banco resolveu o problema em 35 dias. Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a solução – que não será informada para evitar a exposição do bancário – poderia ser melhor. “Combater o assédio moral, de fato, significa construir na cabeça do assediador outro tipo de conduta. E isso se faz mudando o modo de gestão dos bancos, acabando com a cobrança por metas abusivas e venda irresponsável de produtos, por exemplo”, afirma a secretária-geral da entidade, Raquel Kacelnikas.
O doutor em Psicologia Social Roberto Heloani concorda. Autor de vários livros sobre o tema e um dos fundadores do site www.assediomoral.org, Heloani explica que o assédio moral é um tipo de violência organizacional. “O assédio acontece em ambientes de trabalho propícios para isso, onde há competição exacerbada e hierarquia supervalorizada, entre outros aspectos. É uma questão organizacional, portanto. Em ambientes de trabalho saudáveis, nos quais o respeito à pessoa é levado a sério, não há situações que favoreçam a ocorrência do assédio.”
O psicólogo esclarece ainda que o assédio “é uma conduta abusiva, acontece com frequência e regularidade e incide sobre um grupo ou uma pessoa. Parte geralmente do superior contra seu subordinado, com a intenção de humilhar, diminuir, constranger e isolar o trabalhador”. Ele classifica o problema como um “câncer social”, que, além de adoecer o empregado, podendo levá-lo à depressão e ao suicídio, afeta as pessoas que convivem com ele.
Além disso, acrescenta, o mal atinge de tal forma a vítima que, em alguns casos, ela passa a duvidar e a ter vergonha de si mesma por acreditar nas ofensas que ouve. E a denúncia, diz, é o primeiro passo para romper essa situação. “O bancário tem de informar seu sindicato sobre o que está acontecendo. Isso é fundamental na luta contra o problema”, afirma.
Denuncie – O Programa de Combate ao Assédio Moral foi uma das conquistas mais importantes da Campanha Nacional de 2010 e foi estabelecido em acordo aditivo assinado pelos bancos no dia 26 de janeiro deste ano. As denúncias dos bancários de Catanduva e região são feitas por meio de um formulário disponível no site do Sindicato (clique aqui para acessar a página), e o sigilo sobre a identidade do denunciante é garantido. O relato deve ser claro e detalhado para que a entidade possa apurar a denúncia.
O acordo conquistado pelos bancários é inédito no país e reflete o pioneirismo da categoria no enfrentamento do problema que adoece física e psiquicamente milhares de trabalhadores brasileiros de diversos setores da economia. Mas, para que funcione, é importante que o bancário denuncie.
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