Fenaban ignora lucros dos bancos e alega que reajuste de 11% é inviável
Em reportagem publicada no último sábado, dia 11, no jornal O Globo, o diretor de Relações de Trabalho da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Magnus Apostólico, antecipou que "11% de aumento é inviável". Para ele, "essa proposta não tem viabilidade diante de uma inflação próxima de 4%. Temos que trazer esse número para realidade."
"Não aceitamos essa desculpa. A Fenaban não pode ignorar que os bancos lucraram R$ 24,7 bilhões no primeiro semestre deste ano", comenta o presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Cordeiro. "A realidade é que os bancos nunca lucraram tanto neste país. Isso ocorre no momento de crescimento pujante da economia brasileira. Eles precisam respeitar os bancários e conceder o reajuste de 11%, a melhoria da PLR e a valorização dos pisos, dentre outras demandas", destaca o dirigente sindical.
Conforme a matéria, "os bancários, em campanha nacional que envolve mais de 400 mil trabalhadores, estão empenhados em conseguir 11% de reajuste salarial, além de outros benefícios, como a melhoria da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e valorização dos pisos, além de auxílioeducação e mudanças na política de relações de trabalho, para inibir o assédio moral e as doenças ocupacionais. Mas as conversas com o sindicato patronal pouco avançaram, apesar dos resultados recordes alcançados pelos bancos".
O descaso com as demandas dos trabalhadores foi apontado pelo presidente da Contraf-CUT. "Os bancos não estão levando a sério nossas reivindicações", ressaltou Carlos Cordeiro, uma vez que as negociações não trouxeram avanços sobre a melhoria das condições de saúde, segurança e trabalho, nem conquistas sobre garantia de emprego e mais contratações. Ele denunciou que "cerca de 1.200 bancários são afastados por doença mensalmente, metade com LER/Dort e doenças psíquicas".
O jornal carioca ouviu o representante da Fenaban sobre o combate ao assédio moral, uma das principais reivindicações dos bancários. "Segundo Apostólico, sobre a questão de saúde, há um trabalho que cria canais de comunicação seguros para as denúncias de assédio moral, com prazo para obter solução".
A notícia ocorreu às vésperas da quarta rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2010, que acontece nesta quarta e quinta-feira, dias 15 e 16, em São Paulo, e que tratará sobre remuneração. "Vamos discutir as nossas reivindicações econômicas, que são tão importantes quanto às condições de trabalho e o emprego", salienta o coordenador do Comando Nacional.
"A categoria está pronta para uma greve ainda maior que a de 2009", advertiu Carlos Cordeiro na reportagem.
Fonte: Contraf-CUT com jornal O Globo
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