Funcionários já têm representantes no Comitê de Ética
O resultado da eleição para os representantes dos bancários no Comitê de Ética do Banco do Brasil (BB) foi divulgado nesta quarta-feira 2. Foi eleita a dupla Maria Valéria Sarmento Coelho (titular) e Maria Fernanda Leister Costanzo (suplente), com 2.671 votos (13,6% do total).
Em segundo lugar ficou a dupla apoiada pelo Sindicato, Josias Ricardo Soares (titular) e Silvio Zanin (suplente), com 1.341 votos (6,8%); e em terceiro Rodolfo Ribeiro Franco e Pedro Grigorio dos Santos com 811 votos (4,1%).
Os funcionários do BB foram às urnas nos dias 25 e 27 de agosto. Votaram 19.687 de um total de 30.858 trabalhadores aptos. Estavam concorrendo 49 duplas.
O Comitê de Ética foi criado para combater o assédio moral no BB. Ele começou a ser discutido entre os trabalhadores e a direção do banco em 2009, tendo sua implantação iniciada em julho deste ano. Sua instituição, portanto, é um avanço na luta dos bancários contra o problema, que é apontado como uma das principais preocupações da categoria.
Problema
Em pesquisa realizada este ano pelos sindicatos de todo o país e coordenada pela Contraf-CUT, 79% dos bancários deram nota máxima para o problema do assédio moral, em uma escala de 1 a 10 de prioridade. O combate às metas abusivas também recebeu a mesma porcentagem de notas máximas.
Os dois problemas estão diretamente relacionados. O assédio moral é utilizado pelos bancos como uma ferramenta de gestão para cobrar dos funcionários o cumprimento de metas abusivas. Trata-se de uma violência institucional, porque é parte essencial na forma como as instituições financeiras do país funcionam hoje.
Paridade – Nesse contexto, a criação de um Comitê de Ética é uma conquista, ainda que ele, tal como foi instituído, não atenda satisfatoriamente às reivindicações dos trabalhadores: para cada representante de bancários há quatro representantes da diretoria do BB, e ele não prevê a participação do Sindicato.
“O comitê de ética ainda não é o ideal e falta a paridade entre representantes dos trabalhadores e do banco, mas é um avanço conquistado pelos funcionários por meio da mobilização, uma vez que o BB reconheceu que há assédio moral na empresa. Estão de parabéns todos os funcionários que concorreram ou apenas votaram no processo eleitoral. O Sindicato oferece apoio aos representantes eleitos e continuará a combater o assédio moral nos locais de trabalho”, diz Getulio Maciel, dirigente sindical da Fetec-CUT/SP.
É importante lembrar que, independentemente da atuação do Comitê, os funcionários do BB devem continuar denunciando o assédio moral à Ouvidoria Interna do BB e, principalmente, ao Sindicato, em conversas com os diretores sindicais ou ainda enviando uma mensagem pelo site.
Mobilização
O resultado da pesquisa da Contraf-CUT não é surpresa entre a categoria, uma das que mais sofre com o assédio moral, que prejudica as condições de trabalho e de saúde do funcionário, gerando adoecimento psicológico e físico. Por meio do assédio moral, os bancários sofrem ameaças de descomissionamento, o que reduziria seus salários pela metade. O Sindicato tem realizado manifestações nos locais de trabalho para dar visibilidade à questão e pressionar os bancos e quer negociar com o BB um plano de carreira que garanta proteção ao trabalhador. Outra reivindicação é que as metas sejam discutidas em negociações entre os trabalhadores e a empresa.
Fonte: Andréa Ponte Souza/Sindicato dos Bancários de São Paulo
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