Serra critica movimentos sociais e promete ampliar fronteiras agrícolas
O candidato do PSDB à presidência da república, José Serra, fez críticas ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a outras organizações sociais que lutam por reforma agrária. Também disparou contra ONGs ambientalistas, acusando-as de "terrorismo". As afirmações foram feitas na quinta-feira (1º), durante sabatina organizada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília. Dos três principais concorrentes ao Planalto, ele foi o único presente ao evento.
O evento teve presença maciça de senadores e deputados da bancada ruralista no Congresso, além de representantes de setores do agronegócio e do recém-promovido candidato a vice-presidente na chapa de oposição, deputado Índio da Costa (DEM-RJ). A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, abriu a sabatina, apontando o que considera entraves ao pleno exercício do livre-mercado da agricultura e da pecuária.
Suas críticas passaram pela atuação dos movimentos sociais ligados à posse da terra, como o MST e a Contag, pelos gargalos de infraestrutura para o escoamento da produção, a carga tributária incidente sobre insumos e sobre a comercialização dos produtos agrícolas e pelo que chamou de "terrorismo ambiental", referindo-se à defesa, por ONGs e movimentos sociais, de áreas de preservação, territórios indígenas e quilombolas etc.
"O importante é que devemos buscar a prevalência da competitividade. Estamos abrindo mão de áreas altamente produtivas em nome da preservação", prometeu. Uma das principais demandas dos ruralistas é a ampliação da fronteira agropecuária, especialmente no Norte e Centro-Oeste, sobre áreas da Amazônia Legal.
Aridez e promessas
Mesmo sem entusiasmar os presentes, Serra fez promessas que provocaram aplausos. Entre elas, a de que vai investir no que chamou de "defensivo (agrícola) genérico". Sem entrar em detalhes, ele justificou a premissa dizendo que o mercado desse tipo de insumo "está muito oligopolizado", controlado por um grupo pequeno de empresas – fenômeno que ocorre também no mercado internacional.
O tucano afirmou também que vai criar um seguro e garantia de preço mínimo para a produção e que, se eleito vai acumular os cargos de presidente e de superintendente do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A "promessa" foi feita ao responder a um produtor rural instalado naquela região, que se queixava do rigor dos monitoramentos por satélite, que normalmente indicam grande quantidade de focos de desmatamentos ilegais.
Ausências
Apenas Serra participou da Sabatina da CNA, porque as duas candidatas convidadas declinaram. Dilma Rousseff (PT) alegou incompatibilidade de agenda. Marina Silva (PV) considerou as regras do debate insuficientemente claras, o que não garantiria a imparcialidade das questões.
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, afirmou que a não divulgação das perguntas foi pensada para superar o trabalho dos marqueteiros, evitando que estes elaborassem previamente as respostas. “Dessa forma, os candidatos poderiam expor suas próprias ideias sobre os temas abordados”, justificou-se.
Barulho
No último bloco da sabatina, Serra foi questionado se achava possível e como faria para resolver os conflitos de interesses entre o agronegócio e as questões ambientais. Foi o único momento em que o candidato mostrou-se incomodado. "A Marina estava certa em querer saber as perguntas antes", esbravejou.
A resposta foi evasiva, mas mostrou que ele preferiu agradar, ao menos parcialmente, os presentes. "Acredito na razão. Tem que ter um projeto e ouvir os representantes de todos os lados. Estas questões têm que ter um encaminhamento objetivo. Tem setores que defendem interesses pequenos, mas são barulhentos. Acredito em buscar um jogo de soma positiva, em que todos os lados ganham", ponderou.
Escorregada
Serra saiu em defesa de Índio da Costa, após a conturbada escolha de seu vice na convenção do DEM. O tucano também cometeu uma gafe com seu mais novo parceiro. "O Índio foi um namorador, não sei se continua... hoje ele só tem uma namorada. Ele me disse por telefone 'não tenho amantes'. Eu disse 'não precisa exagerar, mas tem que ser uma coisa discreta'. Não estou pregando aqui pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar", comentou Serra, ao falar sobre a ex-mulher de Índio da Costa, Rafaella Cacciola, que é filha do banqueiro Salvatore Cacciola, condenado a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato e gestão fraudulenta.
Costa a deixou, casou-se novamente e outra vez separou-se. Os tucanos a tratam como ex-namorada do candidato a vice na chapa de Serra.
Fonte: Rede Brasil Atual
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