05/11/2026
Itaú lucra R$ 37,3 bilhões, mas elimina 3.259 empregos e fecha 334 agências em um ano
O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 37,305 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, crescimento de 8,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do resultado bilionário, o banco eliminou 3.259 postos de trabalho e fechou 334 agências físicas no Brasil em apenas 12 meses. Os dados constam da análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o balanço do terceiro trimestre.
Entre julho e setembro, o lucro do Itaú chegou a R$ 12,617 bilhões, alta de 1,7% em relação ao trimestre anterior. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) no Brasil atingiu 25,4% no acumulado de janeiro a setembro.
Os números reforçam uma contradição denunciada pelo movimento sindical: enquanto o banco amplia seus resultados e se beneficia dos avanços tecnológicos, continua reduzindo empregos e estruturas de atendimento, transferindo para os trabalhadores e a população os impactos de sua política de redução de custos.
"É inaceitável que um banco que lucra mais de R$ 37 bilhões em nove meses continue demitindo e fechando agências", criticou a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, Valeska Pincovai.
Tarifas bancárias cobrem toda a despesa com pessoal
Outro dado do levantamento do Dieese evidencia a capacidade financeira do banco para preservar empregos e valorizar seus funcionários.
Nos primeiros nove meses do ano, as receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 37,8 bilhões, crescimento de 5,3%. Já as despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), totalizaram R$ 26,7 bilhões.
Isso significa que somente as receitas com tarifas e serviços foram suficientes para cobrir 141,1% das despesas com pessoal e PLR, com uma diferença de aproximadamente R$ 11 bilhões, sem considerar os ganhos provenientes das operações de crédito, seguros e outras atividades financeiras.
A carteira de crédito também cresceu 10,2% em 12 meses, alcançando R$ 1,544 trilhão.
Para o movimento sindical, os resultados demonstram que a redução do quadro de pessoal não decorre da falta de recursos, mas de uma estratégia empresarial que prioriza a ampliação da rentabilidade.
Menos empregados, mais sobrecarga e adoecimento
Ao final de setembro, o Itaú contava com 80.350 empregados no Brasil, uma redução de 3.259 trabalhadores em relação ao mesmo período de 2025. No terceiro trimestre foram eliminados 307 postos de trabalho.
A diminuição do quadro, associada às reestruturações e à cobrança crescente por metas, intensifica a sobrecarga dos funcionários que permanecem no banco, aumentando os riscos de adoecimento físico e mental.
O movimento sindical defende que os ganhos de produtividade proporcionados pela digitalização, automação e novas tecnologias sejam compartilhados com os trabalhadores, por meio de melhores condições de trabalho, valorização profissional e redução da pressão por resultados, e não utilizados apenas para ampliar a lucratividade.
As entidades sindicais também cobram transparência na implementação de ferramentas de inteligência artificial, respeito à saúde dos bancários e participação dos representantes dos trabalhadores nas decisões sobre reestruturações e mudanças nos processos de trabalho.
Fechamento de agências amplia exclusão bancária
Além dos impactos sobre os funcionários, a política de fechamento de agências prejudica a qualidade do atendimento à população. Em um ano, a rede física do Itaú passou de 1.998 para 1.664 unidades no Brasil.
Com menos agências e trabalhadores, parte da demanda é transferida para unidades que nem sempre possuem estrutura e pessoal suficientes para absorver o atendimento. A situação provoca filas, sobrecarga e dificuldades para os clientes.
O problema é ainda mais preocupante em municípios menores, regiões periféricas e localidades com menor infraestrutura, onde o encerramento de uma agência pode dificultar significativamente o acesso aos serviços financeiros.
A digitalização, embora facilite a realização de operações bancárias para milhões de brasileiros, não atende igualmente a toda a população. Segundo o IBGE, em 2025, cerca de 25,5% das pessoas com 60 anos ou mais não utilizaram a internet. A falta de familiaridade com ferramentas digitais e as dificuldades financeiras para adquirir equipamentos ou contratar serviços de conexão também representam barreiras.
Para Valeska, a transformação digital não pode servir de justificativa para abandonar quem depende do atendimento presencial. "O fechamento de agências precisa ter critérios claros e responsabilidade social, porque muitas cidades estão ficando sem atendimento presencial", afirmou a dirigente.
Movimento sindical cobra valorização e responsabilidade social
A Contraf-CUT, o sindicato e a COE Itaú vêm cobrando do banco o fim das demissões, a preservação dos empregos, a realocação dos trabalhadores atingidos pelo encerramento de unidades, o combate às metas abusivas e melhores condições de saúde e trabalho.
Também defendem a manutenção de uma rede de atendimento presencial capaz de atender às necessidades da população, especialmente das pessoas idosas, com deficiência ou dificuldades de acesso aos serviços digitais.
Para o secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Ricardo Jorge Nassar Junior, o desenvolvimento tecnológico do sistema financeiro deve representar oportunidades de melhoria para todos, sem servir exclusivamente aos interesses econômicos dos acionistas. A modernização precisa estar associada à valorização profissional e à garantia de um atendimento humanizado.
“Os lucros bilionários demonstram que há recursos suficientes para conciliar inovação, manutenção dos empregos e respeito aos trabalhadores e clientes. O que não podemos admitir é que a busca por maior rentabilidade aconteça às custas de quem constrói esses resultados e da população que utiliza os serviços bancários”, ressalta Nassar.
Veja abaixo a tabela resumo do balanço ou, se preferir, leia a íntegra da análise, ambas produzidas pelo Dieese.
Entre julho e setembro, o lucro do Itaú chegou a R$ 12,617 bilhões, alta de 1,7% em relação ao trimestre anterior. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) no Brasil atingiu 25,4% no acumulado de janeiro a setembro.
Os números reforçam uma contradição denunciada pelo movimento sindical: enquanto o banco amplia seus resultados e se beneficia dos avanços tecnológicos, continua reduzindo empregos e estruturas de atendimento, transferindo para os trabalhadores e a população os impactos de sua política de redução de custos.
"É inaceitável que um banco que lucra mais de R$ 37 bilhões em nove meses continue demitindo e fechando agências", criticou a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, Valeska Pincovai.
Tarifas bancárias cobrem toda a despesa com pessoal
Outro dado do levantamento do Dieese evidencia a capacidade financeira do banco para preservar empregos e valorizar seus funcionários.
Nos primeiros nove meses do ano, as receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 37,8 bilhões, crescimento de 5,3%. Já as despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), totalizaram R$ 26,7 bilhões.
Isso significa que somente as receitas com tarifas e serviços foram suficientes para cobrir 141,1% das despesas com pessoal e PLR, com uma diferença de aproximadamente R$ 11 bilhões, sem considerar os ganhos provenientes das operações de crédito, seguros e outras atividades financeiras.
A carteira de crédito também cresceu 10,2% em 12 meses, alcançando R$ 1,544 trilhão.
Para o movimento sindical, os resultados demonstram que a redução do quadro de pessoal não decorre da falta de recursos, mas de uma estratégia empresarial que prioriza a ampliação da rentabilidade.
Menos empregados, mais sobrecarga e adoecimento
Ao final de setembro, o Itaú contava com 80.350 empregados no Brasil, uma redução de 3.259 trabalhadores em relação ao mesmo período de 2025. No terceiro trimestre foram eliminados 307 postos de trabalho.
A diminuição do quadro, associada às reestruturações e à cobrança crescente por metas, intensifica a sobrecarga dos funcionários que permanecem no banco, aumentando os riscos de adoecimento físico e mental.
O movimento sindical defende que os ganhos de produtividade proporcionados pela digitalização, automação e novas tecnologias sejam compartilhados com os trabalhadores, por meio de melhores condições de trabalho, valorização profissional e redução da pressão por resultados, e não utilizados apenas para ampliar a lucratividade.
As entidades sindicais também cobram transparência na implementação de ferramentas de inteligência artificial, respeito à saúde dos bancários e participação dos representantes dos trabalhadores nas decisões sobre reestruturações e mudanças nos processos de trabalho.
Fechamento de agências amplia exclusão bancária
Além dos impactos sobre os funcionários, a política de fechamento de agências prejudica a qualidade do atendimento à população. Em um ano, a rede física do Itaú passou de 1.998 para 1.664 unidades no Brasil.
Com menos agências e trabalhadores, parte da demanda é transferida para unidades que nem sempre possuem estrutura e pessoal suficientes para absorver o atendimento. A situação provoca filas, sobrecarga e dificuldades para os clientes.
O problema é ainda mais preocupante em municípios menores, regiões periféricas e localidades com menor infraestrutura, onde o encerramento de uma agência pode dificultar significativamente o acesso aos serviços financeiros.
A digitalização, embora facilite a realização de operações bancárias para milhões de brasileiros, não atende igualmente a toda a população. Segundo o IBGE, em 2025, cerca de 25,5% das pessoas com 60 anos ou mais não utilizaram a internet. A falta de familiaridade com ferramentas digitais e as dificuldades financeiras para adquirir equipamentos ou contratar serviços de conexão também representam barreiras.
Para Valeska, a transformação digital não pode servir de justificativa para abandonar quem depende do atendimento presencial. "O fechamento de agências precisa ter critérios claros e responsabilidade social, porque muitas cidades estão ficando sem atendimento presencial", afirmou a dirigente.
Movimento sindical cobra valorização e responsabilidade social
A Contraf-CUT, o sindicato e a COE Itaú vêm cobrando do banco o fim das demissões, a preservação dos empregos, a realocação dos trabalhadores atingidos pelo encerramento de unidades, o combate às metas abusivas e melhores condições de saúde e trabalho.
Também defendem a manutenção de uma rede de atendimento presencial capaz de atender às necessidades da população, especialmente das pessoas idosas, com deficiência ou dificuldades de acesso aos serviços digitais.
Para o secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Ricardo Jorge Nassar Junior, o desenvolvimento tecnológico do sistema financeiro deve representar oportunidades de melhoria para todos, sem servir exclusivamente aos interesses econômicos dos acionistas. A modernização precisa estar associada à valorização profissional e à garantia de um atendimento humanizado.
“Os lucros bilionários demonstram que há recursos suficientes para conciliar inovação, manutenção dos empregos e respeito aos trabalhadores e clientes. O que não podemos admitir é que a busca por maior rentabilidade aconteça às custas de quem constrói esses resultados e da população que utiliza os serviços bancários”, ressalta Nassar.
Veja abaixo a tabela resumo do balanço ou, se preferir, leia a íntegra da análise, ambas produzidas pelo Dieese.
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