26/07/2021
Mobilização! Seeb Catanduva participa do Encontro Estadual do Coletivo Bradesco
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O Encontro Estadual do Coletivo Bradesco, realizado na última quinta-feira (22), por videoconferência, contou com a participação de mais de 80 dirigentes de sindicatos que compõem a base da Fetec SP.
Representando o Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, participou o diretor Luiz Eduardo Campolungo.
"A pandemia trouxe alterações nas relações e condições de trabalho, isso tudo agravado por um governo que ameaça os direitos da classe trabalhadora. A categoria sofre com metas abusivas e assédio moral, empregos em risco e o medo pela contaminação do Covid-19 e suas sequelas. Este encontro possibilitou a nós dirigentes apresentarmos e debatermos essas questões relevantes para avançarmos ainda mais na construção da luta por conquistas para os bancários e bancárias. O momento que vivemos nos impõe muitas dificuldades, mas, também nos dá a certeza de que saímos ainda mais unidos na defesa dos nossos direitos", ressaltou Eduardo.
Maria de Lourdes Alves da Silva, a Malu, diretora de Políticas Sociais e funcionária do Bradesco, abriu o encontro lembrando os mais de 500 mil mortos pela Covid, em especial, os bancários que partiram vítimas de uma doença para a qual já existe vacina desde o ano passado.
Dentre os temas de maior importância, tiveram destaque os impactos do teletrabalho, as sequelas da Covid na categoria, a reestruturação com as novas tecnologias e o alto número de demissões e fechamento de agências pelo Bradesco. O banco foi o que mais demitiu e fechou unidades no país durante a pandemia. Também foi debatida a construção de Campanha de Valorização para os Funcionários e a importância da Comunicação nas Redes no atual cenário.
Na ocasião, os dirigentes elegeram os delegados e delegadas que irão apresentar a pauta específica de reivindicações dos funcionários Bradesco no Encontro Nacional.
Os impactos do teletrabalho
Um dos destaques do encontro foi o home office. Malu lembrou que uma segunda pesquisa já está sendo realizada pelo Comando Nacional dos Bancários com o objetivo de analisar os impactos desse sistema sobre a categoria. O resultado será apresentado na a 23ª Conferência Nacional, que acontece em setembro. Na primeira pesquisa, feita com 11 mil bancários, 78% afirmaram ter tido aumento na conta de luz; 42% declararam que gostariam de adotar um regime híbrido de trabalho.
Em setembro de 2020, os bancários do Bradesco aprovaram, em assembleias virtuais, o Acordo de Teletrabalho, qual ainda não está sendo aplicado devido a pandemia. Malu informa que os novos dados da pesquisa serão fundamentais para entender quais questões devem ser levadas à mesa de negociação com o banco em busca avanços para esta pauta. “Precisamos analisar e criar soluções sobre os impactos deste período mais longo do trabalho dentro de casa para a categoria”, disse.
Segurança
Os dirigentes também destacaram que o alto número de demissões no Bradesco e, portanto, a falta de funcionários no atendimento, têm colocado bancários em risco por conta da indignação dos clientes. Outro ponto evidenciado foi a ausência de segurança em várias agências. Será consultado projetos de lei sobre o tema.
O PL 2850/20 obriga agências bancárias e cooperativas de crédito a contratar vigilância armada para atuar 24 horas por dia, incluindo fins de semana e feriados. O projeto está em tramitação na Câmara dos Deputados.
Bradesco: campeão em fechar agências e postos de trabalho
Gustavo Carvazan, pesquisador do Dieese, fez uma apresentação abordando a crise econômica durante a pandemia e destacando que, ao contrário dos outros setores, como turismo e cultura, o ramo financeiro continuou se expandindo. Em gráficos ele mostrou que o Bradesco foi o banco que mais apresentou lucro no 1º trimestre, comparado ao mesmo período de 2020. ‘’E isso, ao mesmo tempo em que o banco reduz despesas, com demissão de funcionários e de infraestrutura’’, disse.
O pesquisador destacou que os bancos tiveram queda de despesas com pessoal, água, energia, aluguel e gás. No caso do Bradesco, a economia fica ainda mais latente, considerando que o banco fechou 1.088 agências e 8.547 postos de trabalho. ‘’O Bradesco foi o mais agressivo nesse sentido’’, disse Carvazan.
Por outro lado, as despesas só cresceram para os trabalhadores em home office. Muitos precisaram investir em novos equipamentos, como notebook, internet mais potente e até em reformas estruturais para poder atuar de casa. ‘’O banco se aproveita desse momento para também obrigar usuários a efetuarem transações pela internet, ou seja, mais um motivo para fechar agências e, desta forma, reduzir custos com pessoal e infraestrutura’’, avalia o pesquisador.
Direito à desconexão
A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, fez uma análise de conjuntura sobre o retrocesso em que o país mergulhou desde o golpe de 2016, registrando o aumento da concentração de renda nas mãos de poucos e da imensa desigualdade social que já levou mais de 20 milhões de brasileiros ao mapa da fome.
No cenário financeiro, Juvandia ressaltou as centenas de bancários que estão migrando para as fintechs, por terem sido demitidos ou por estarem se iludindo com o novo sistema que não oferece garantias aos profissionais autônomos.
‘’A mudança do sistema financeiro com certeza vai nos afetar. Essa falta de controle levou os Estados Unidos à crise financeira de 2008. Estamos caminhando para isso. ‘’Precisamos fortalecer a Campanha ‘Tributar os Super Ricos’. Criar uma nova tabela, ampliar a isenção dos trabalhadores. Infelizmente, esse governo não consegue entender que quanto mais renda líquida colocamos na mão do trabalhador, mais a economia gira’’.
A presidenta lembrou ainda do decreto presidencial que pode cortar os vale refeição e alimentação. ‘’Corremos sério risco de perdermos esses benefícios. É mais um ataque contra direitos históricos dos trabalhadores brasileiros’’.
Juvandia também abordou a importância da pesquisa sobre o home office e as sequelas que têm surgido em decorrência do teletrabalho. ‘’Precisamos pautar os bancos sobre esse diagnóstico, as longas jornadas, as metas abusivas, algo que tem adoecido ainda mais nossa categoria. Precisamos falar sobre o direito à desconexão’’.
Foco na Comunicação
Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, foi convidada para falar sobre a importância da Comunicação como meio de resistência no atual cenário. ‘’Precisamos nos aproximar cada vez mais dos bancários e a rede social, incluindo as novas tecnologias, sendo utilizada de forma criativa e profissional, é, sem dúvida, a ferramenta mais assertiva nesse processo’’.
Maria de Lourdes destacou que a Fetec SP já iniciou uma formação especial para dirigentes, em parceria com a Fundação Perseu Abramo, para fortalecer a comunicação dos sindicatos da base da Federação.
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