15/06/2021
Com 152 mortes em 3 meses, bancários reforçam urgência da vacinação para categoria

Os efeitos trágicos da pandemia do novo coronavírus no setor bancário, que registrou 152 mortes de trabalhadores e trabalhadoras apenas entre os meses de janeiro e março deste ano, revela a urgência da inclusão da categoria entre os grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19.
De acordo com levantamento do Dieese, feito a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), a média de desligamentos por morte na categoria bancária saltou de 18,3 óbitos/mês no primeiro trimestre de 2020 para 50,6 óbitos/mês no primeiro trimestre de 2021, crescimento de 176,4%. Apesar do estudo não especificar a causa da morte, é possível deduzir que o aumento está relacionado com os óbitos de bancários por coronavírus.
E foi isso que o Comando Nacional dos Bancários, representando o Sindicato, disse ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na última sexta-feira (11), quando entregou a ele um ofício solicitando que os bancários sejam incluídos como grupo prioritário do Plano Nacional de Imunizações (PNI).
“Foi uma reunião muito boa. Pudemos mostrar para ele que a categoria bancária se notabiliza pela grande exposição aos riscos de contágio nas agências e que já foram registrados inúmeros casos de adoecimento, de afastamento do trabalho, internações hospitalares e de óbitos na categoria, ressaltou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando e presidenta da Contraf-CUT”.
Ela também alertou para a possibilidade de os bancários, sem saber, transmitirem o vírus para os clientes que necessitam do serviço e para seus familiares.
Vacinação já: confira as ações do Sindicato em defesa da saúde da categoria
Para fortalecer a luta do movimento sindical pela imunização da categoria, o Sindicato, desde o início da vacinação no país, tem se mobilizado junto às demais entidades representativas, em ações e atividades virtuais.
A entidade encaminhou ofício à prefeitura de Catanduva e reforçou aos demais governos municipais das cidades que compõem a sua base a proteção à saúde e vida dos trabalhadores através da inclusão dos bancários e bancárias nos grupos prioritários do PNI. Representado pela Fetec-CUT/SP, também encaminhou ofício ao governo paulista, reivindicando a inclusão da categoria no Plano Estadual de Imunização (PEI).
Em plenária estadual virtual realizada no dia 22 de março, os bancários e financiários de todo o estado de São Paulo aprovaram a participação da categoria na mobilização nacional realizada do dia 24 daquele mês, intitulada “Lockdown dos trabalhadores pela vida”, chamada pela CUT e demais centrais sindicais e pela frentes Povo sem Medo e Brasil Popular, e que teve como uma das principais bandeiras vacina já para todos.
O Sindicato também participa e apoia iniciativa da Fetec-CUT/SP, divulgando desde o dia 22 de março um abaixo-assinado virtual cobrando a inclusão da categoria bancária como grupo prioritário na vacinação contra a covid-19. A coleta já conta com mais de 24 mil assinaturas.
No dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, o Sindicato e os trabalhadores estiveram unidos em ação virtual cobrando a vacinação para a categoria, também o fim dos ataques aos bancos públicos, por melhores condições de trabalho na pandemia e o fim das demissões, dentre outras pautas.
Depois de mais de um ano de cobranças pelo movimento sindical bancário, a Fenaban (federação dos bancos) finalmente apresentou uma proposta de protocolo de segurança unificado contra a Covid-19, em mesa de negociação no dia 24 de maio.
Em 26 de maio, o Sindicato divulgou levantamento feito pelo Dieese com dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apontando crescimento de 176,4% nos desligamentos por morte na categoria bancária na comparação entre o primeiro trimestre de 2020 (18,3 óbitos/mês) com o primeiro trimestre de 2021 (50,6 óbitos/mês).
Bancários de todo o Brasil promoveram Dia Nacional de Luta, no dia 27 de maio, pela inclusão da categoria como essencial no Plano Nacional de Imunização (PNI) e por vacina para todos. Os protestos incluíram tuitaço, mutirão e atos na Caixa Econômica Federal em homenagem aos empregados mortos vítimas da covid-19 nas agências.
A Contraf-CUT, representando o Sindicato, enviou, em 2 de junho, o segundo ofício ao Ministério da Saúde cobrando a inclusão dos bancários no PNI, e o agendamento de reunião, em formato virtual, para tratar do assunto e apresentar os dados do setor e da categoria.
"Desde o começo da pandemia, o Sindicato atua para defender a saúde e a vida de bancárias e bancários. Nas reuniões do Comando Nacional com os bancos, desde março de 2020, foram assegurados protocolos sanitários, o home office para grande parte da categoria, o fornecimento de equipamentos de proteção, entre outras medidas. Com o início da vacinação no Brasil, o Sindicato também atuou em várias frentes para pedir a inclusão da categoria nos grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI). A atividade bancária é essencial e não foi interrompida durante a crise sanitária que assola o país. Se o trabalho é essencial, a vida dos trabalhadores também é", ressalta o presidente do Sindicato, Roberto Vicentim.
Levantamento do Dieese
O levantamento do Dieese aponta também que, entre abril de 2020 a março de 2021, foramr registrados 418 mortes de trabalhadores da categoria, sendo que 69,8% deles de três ocupações que, em sua maioria, tinham de trabalhar presencialmente: escriturário, caixa e gerente de conta.
A situação é semelhante aos empregados da segurança privada nos bancos, com destaque aos envolvidos no transporte de valores em veículos blindados, e também aos trabalhadores das redes de farmácias que aplicam os testes rápidos de Covid-19, os servidores de cemitérios, servidores da limpeza urbana, dentre outras categorias.
Leia aqui a íntegra do ofício entregue ao ministro e o relatório do médico Albucacis de Castro Pereira que explica a "característica física do ambiente de trabalho propicia a maior concentração do vírus e o evidente contágio e, devido aos necessários cuidados com a segurança, as agências bancárias são fechadas e não oferecem ventilação e nem circulação natural de ar.”
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