19/02/2020
Conselheira representante dos empregados no CA faz críticas ao processo de reestruturação
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Na reunião do Conselho de Administração (CA), na última segunda-feira (17), o único item da reestruturação colocado em pauta foi a criação das superintendências nacionais, já que o processo na íntegra só passa pelo Conselho Diretor. Para a representante dos empregados no CA, Rita Serrano, redefinir estratégias faz parte da rotina que qualquer empresa, mas ela opina: “Não tenho instrumentos para avaliar se essa reestruturação é a mais adequada para a rede, mas entendo que por ser a área mais importante, coração e vitrine da Caixa, que agrega quase 60% dos empregados, deveria ser feita com cautela e discussão, para não correr riscos de perda de processos, perda de inteligência, piora na qualidade de atendimento a clientes e usuários”, afirmou.
Ela avalia também que a restruturação proposta desconsidera que o maior banco público do Brasil deveria ter política de inclusão bancária, pois hoje em torno de 45 milhões de brasileiros não tem acesso a serviços bancários. Rita Serrano ressaltou que a expectativa é que a direção da Caixa reavalie esse processo açodado e respeite as entidades de representação e sobretudo os empregados, que ficaram inseguros e assustados com as possibilidades de mudanças, perdas de função, de local de trabalho, e da ampliação da pressão por resultados.
A reestruturação, no entendimento dela, também é um passo para o esvaziamento da empresa e sua privatização, mesmo que fontes do governo afirmem que a Caixa não será privatizada neste momento. “Na verdade a Caixa já está sendo privatizada, pois se desfez de R$ 15 bilhões em ativos, vendeu ações da Petrobras, do BB, do Instituto de Resseguros do Brasil, o IRB, fez o leilão da Lotex e prepara para esse ano a privatização de operações fundamentais nas áreas de seguros, cartões e loterias. Então é evidente que Caixa está sendo privatizada e o governo só não admite isso por um motivo: a opinião pública. As pesquisas indicam que a sociedade brasileira não quer a privatização, especialmente quando se trata da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, um banco público, tão importante e gestor de inúmeros programas sociais”, avalia.
A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE) continua a cobrar da direção da Caixa uma negociação efetiva a respeito da reestruturação, anunciada no último dia 10 de fevereiro sem qualquer negociação com as entidades representativas dos empregados e com prazos exíguos para manifestação dos empregados sobre mudanças que podem interferir em toda a sua vida funcional. A liminar obtida pela Contraf-CUT, em primeira instância, concedeu prazo de 15 (quinze) dias para manifestação da Caixa, a partir do fim da negociação. A continuidade do cronograma ocorrerá ao fim desses quinze dias.
Na última segunda, dia 17, a Caixa reabriu o processo de movimentação e estabeleceu o prazo de 2 de março para o seu final. Mas até o momento não respondeu sobre aos pedidos de esclarecimento apresentados pela CEE com base nos questionamentos feitos pelos empregados. “Orientamos que todas as entidades estabeleçam ou reforcem os canais de denúncias e que os empregados se manifestem em caso de eventuais descumprimentos da medida liminar, práticas de assédio moral, entre outras ocorrências, e enviem para Contraf para que possamos reforçar nossa luta e exigir respeito à negociação, prevista em nosso acordo coletivo”, afirmou Fabiana Uehara, representante da Contraf na CEE-Caixa.
"Nossa luta é para que todos os atingidos por esse processo de reestruturação tenham garantias e esclarecimentos suficientes para uma tomada de decisão. O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região oferece um canal específico para denúncias, no site da entidade. Os relatos também podem ser efetuados diretamente aos diretores pelo telefone (17) 3522-2409 ou através do WhatsApp (17 99259-1987). O sigilo é garantido", acrescenta o diretor do Sindicato, Antônio Júlio Gonçalves Neto.
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