14/02/2018
Insegurança: mais um bancário vive momentos de terror em São Paulo
O número de bancários aterrorizados pela violência têm crescido consideravelmente nos últimos tempos. Enquanto banqueiros se preocupam em aumentar seus lucros, esquecem da segurança daqueles que contribuem diariamente para isso nas agências de todo o país.
O Sindicato de São Paulo divulgou matéria relatando o caso de dois bancários e suas famílias, que já foram vítimas de extorsão mediante sequestro na cidade de São Paulo no ínicio deste ano. Em ambos os casos, os empregados – um da Caixa e outro do Itaú – foram obrigados a sacar quantias de dinheiro nas agências onde trabalham e tiveram falsas bombas atadas a seus corpos enquanto seus parentes eram mantidos sob a mira de armas de fogo.
O caso mais recente ocorreu na quinta-feira (8), em uma agência do Itaú na Vila São José, zona sul de São Paulo. “Fomos à agência para garantir o apoio psicológico aos bancários e estamos acompanhando o caso e cobrando junto ao banco a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)” afirma o dirigente sindical Paulo Antônio da Silva, o Paulão.
A CAT é um documento que serve para reconhecer um acidente de trabalho ou uma doença ocupacional – como é o caso de um trauma psicológico desenvolvido após o empregado passar por uma ação semelhante como as descritas acima. É obrigação do empregador emitir o documento que é imprescindível para dar entrada em pedidos de afastamento pelo INSS. Caso a empresa se negue, o trabalhador pode requisitá-lo nos centros de referência em saúde do trabalhador ou no Sindicato.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não divulga casos de extorsão mediante sequestro nas suas estatísticas, mas o movimento sindical identificou aumento de casos envolvendo bancários. Em um exemplo, outro funcionário do Itaú passou pela mesma situação, em maio do ano passado.
“Amarraram a bomba na minha cintura, levaram minha esposa e meu filho para um cativeiro em um local bem deserto que os próprios policiais me disseram que nem mesmo a polícia vai lá. Fui para a agência, [os bandidos] falaram que tinha gente me seguindo, que tinha gente [da quadrilha] dentro da polícia. Foi um terror que você não tem ideia. Eu pensava em rezar para que tudo terminasse bem."
Depois de passar pelo trauma, o Itaú o afastou por 15 dias para investigações. Ele desenvolveu síndrome do pânico e passou a tomar medicamentos. Mesmo assim, insistiu em voltar ao trabalho. “A única coisa que o banco fez foi mandar psicólogo em casa. Ela disse que ia iniciar um tratamento, o que não ocorreu. A minha superintendente não abriu a CAT. Quando voltei ao trabalho queriam me mandar para a mesma agência. Queriam que eu voltasse a mexer com dinheiro, mas eu disse que não tinha condições por causa do que aconteceu, começava a tremer.”
Seis meses depois de passar por todo esse sofrimento, o Itaú ainda demitiu o funcionário. “É inadmissível tratar como suspeito e demitir um funcionário que não viu outra alternativa a não ser entregar o dinheiro porque sua família estava em poder de bandidos”, afirma Carlos Damarindo, dirigente sindical e ancário do Itaú. “Essa atitude reforça que o Itaú não tem a menor consideração com a vida dos seus trabalhadores e só se importa com os lucros”, acrescenta.
“É uma maldade (...) Viraram as costas, porque o que importa para o banco é o dinheiro, não querem saber do seu filho, da sua família, da sua saúde, da sua segurança”, desabafa o trabalhador.
Descaso - “A violência está aumentando por causa da crise econômica e do alto desemprego. A população e os bancários estão sofrendo, mas a Secretaria de Segurança Pública, como desde sempre no governo do PSDB, revela incompetência ou falta de transparência ao omitir informações e não contabilizar crimes que envolvem transações bancárias nas suas estatísticas, como as saidinhas de banco ou extorsões mediante sequestro de bancários, o que beneficia os bancos, que se utilizam dessa falta de informações para tentar enfraquecer o argumento da falta de segurança nas suas agências e sistemas”, afirma Damarindo.
Uma das reivindicações históricas do movimento sindical e que a Fenaban – sindicato dos bancos – se recusa a atender é a abertura remota das agências, para evitar que os tesoureiros sejam responsáveis pela chave da agência.
Para se ter uma ideia do descaso dos bancos com a vida dos bancários, enquanto as cinco maiores instituições financeiras (Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander) lucraram R$ 58,78 bilhões de janeiro a setembro de 2016, os investimentos na segurança somaram, em média, pífios 7,2% (ou R$ 4,2 bilhões) do total de lucros no mesmo ano.
Que papel social é esse que os bancos dizem cumprir, mas lucram com a miséria e com a falta de segurança dos seus próprios trabalhadores que são os responsáveis por gerar os lucros do banco?
O Sindicato de São Paulo divulgou matéria relatando o caso de dois bancários e suas famílias, que já foram vítimas de extorsão mediante sequestro na cidade de São Paulo no ínicio deste ano. Em ambos os casos, os empregados – um da Caixa e outro do Itaú – foram obrigados a sacar quantias de dinheiro nas agências onde trabalham e tiveram falsas bombas atadas a seus corpos enquanto seus parentes eram mantidos sob a mira de armas de fogo.
O caso mais recente ocorreu na quinta-feira (8), em uma agência do Itaú na Vila São José, zona sul de São Paulo. “Fomos à agência para garantir o apoio psicológico aos bancários e estamos acompanhando o caso e cobrando junto ao banco a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)” afirma o dirigente sindical Paulo Antônio da Silva, o Paulão.
A CAT é um documento que serve para reconhecer um acidente de trabalho ou uma doença ocupacional – como é o caso de um trauma psicológico desenvolvido após o empregado passar por uma ação semelhante como as descritas acima. É obrigação do empregador emitir o documento que é imprescindível para dar entrada em pedidos de afastamento pelo INSS. Caso a empresa se negue, o trabalhador pode requisitá-lo nos centros de referência em saúde do trabalhador ou no Sindicato.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não divulga casos de extorsão mediante sequestro nas suas estatísticas, mas o movimento sindical identificou aumento de casos envolvendo bancários. Em um exemplo, outro funcionário do Itaú passou pela mesma situação, em maio do ano passado.
“Amarraram a bomba na minha cintura, levaram minha esposa e meu filho para um cativeiro em um local bem deserto que os próprios policiais me disseram que nem mesmo a polícia vai lá. Fui para a agência, [os bandidos] falaram que tinha gente me seguindo, que tinha gente [da quadrilha] dentro da polícia. Foi um terror que você não tem ideia. Eu pensava em rezar para que tudo terminasse bem."
Depois de passar pelo trauma, o Itaú o afastou por 15 dias para investigações. Ele desenvolveu síndrome do pânico e passou a tomar medicamentos. Mesmo assim, insistiu em voltar ao trabalho. “A única coisa que o banco fez foi mandar psicólogo em casa. Ela disse que ia iniciar um tratamento, o que não ocorreu. A minha superintendente não abriu a CAT. Quando voltei ao trabalho queriam me mandar para a mesma agência. Queriam que eu voltasse a mexer com dinheiro, mas eu disse que não tinha condições por causa do que aconteceu, começava a tremer.”
Seis meses depois de passar por todo esse sofrimento, o Itaú ainda demitiu o funcionário. “É inadmissível tratar como suspeito e demitir um funcionário que não viu outra alternativa a não ser entregar o dinheiro porque sua família estava em poder de bandidos”, afirma Carlos Damarindo, dirigente sindical e ancário do Itaú. “Essa atitude reforça que o Itaú não tem a menor consideração com a vida dos seus trabalhadores e só se importa com os lucros”, acrescenta.
“É uma maldade (...) Viraram as costas, porque o que importa para o banco é o dinheiro, não querem saber do seu filho, da sua família, da sua saúde, da sua segurança”, desabafa o trabalhador.
Descaso - “A violência está aumentando por causa da crise econômica e do alto desemprego. A população e os bancários estão sofrendo, mas a Secretaria de Segurança Pública, como desde sempre no governo do PSDB, revela incompetência ou falta de transparência ao omitir informações e não contabilizar crimes que envolvem transações bancárias nas suas estatísticas, como as saidinhas de banco ou extorsões mediante sequestro de bancários, o que beneficia os bancos, que se utilizam dessa falta de informações para tentar enfraquecer o argumento da falta de segurança nas suas agências e sistemas”, afirma Damarindo.
Uma das reivindicações históricas do movimento sindical e que a Fenaban – sindicato dos bancos – se recusa a atender é a abertura remota das agências, para evitar que os tesoureiros sejam responsáveis pela chave da agência.
Para se ter uma ideia do descaso dos bancos com a vida dos bancários, enquanto as cinco maiores instituições financeiras (Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander) lucraram R$ 58,78 bilhões de janeiro a setembro de 2016, os investimentos na segurança somaram, em média, pífios 7,2% (ou R$ 4,2 bilhões) do total de lucros no mesmo ano.
Que papel social é esse que os bancos dizem cumprir, mas lucram com a miséria e com a falta de segurança dos seus próprios trabalhadores que são os responsáveis por gerar os lucros do banco?
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