Suspensão da 'lista suja' sofre críticas na Organização das Nações Unidas (ONU)
Durante a 34ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, a organização não-governamental Conectas Direitos Humanos criticou as tentativas, no Brasil, de barrar a divulgação da "lista suja" do trabalho escravo. "Essa é a primeira vez que o Executivo federal se alinha com os interesses dos setores corporativos que se beneficiam da suspensão do documento", afirmou a Conectas. Para a ONG, um instrumento tão importante no combate à prática do trabalho escravo não pode estar sujeito a embates judiciais.
"Qualquer decisão do Judiciário de suspender a lista com base no argumento de violação de liberdades individuais favorece as corporações privadas envolvidas em trabalho escravo em detrimento dos mais vulneráveis", disse a entidade na reunião. O Brasil é Estado-membro do conselho. A missão diplomática brasileira pediu direito de resposta, afirmando que o país tem "compromisso de longa data" com o combate ao trabalho escravo e informando que o Ministério do Trabalho constituiu um grupo para revisar a portaria que regulamenta o tema, o que deve ocorrer em quatro meses.
O caso vem desde o final de 2014, quando, atendendo ao pedido de uma entidade patronal, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a publicação da "lista suja" fosse suspensa. Em 2016, o Ministério do Trabalho editou nova portaria, mudando critérios de inclusão e exclusão de empresas, e a ministra Cármen Lúcia liberou a divulgação. Mesmo assim, o cadastro não voltou a ser divulgado.
Por causa disso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com ação, obtendo decisões favoráveis em primeira instância (11ª Vara do Trabalho do Distrito Federal) e também em segunda instância (Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região). Por meio da Advocacia-Geral da União, o governo conseguiu um efeito suspensivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas no último dia 14 o MPT conseguiu liminar também no TST, voltando a liberar o cadastro, o que ainda não ocorreu.
A Conectas afirmou que o governo brasileiro deve "abster-se de enfraquecer ainda mais mecanismo fundamental durante o trabalho do novo grupo criado para rever a regulação". Para a entidade, a tese do governo, de que a publicação fere o direito de defesa, é "infundada".
MAIS NOTÍCIAS
- Economus: Diálogo com conselheiros resulta em propostas de melhorias no processo de autorização para exames
- BB perde a oportunidade de apresentar respostas às reivindicações dos trabalhadores
- Mobilização ganha força nas agências e recado aos bancos é claro: a categoria exige valorização!
- Conferência Nacional dos Financiários começa com debate sobre perfil da categoria, saúde e prioridades da Campanha Nacional 2026
- Santander tenta intimidar Previc na Justiça para se eximir de obrigações com o Banesprev
- Saúde Caixa: Banco apresenta proposta que chega a dobrar mensalidade
- Após pressão sindical, Itaú confirma vigilantes em todos os Espaços Itaú de Negócios até outubro
- Campanha Nacional: bancos se comprometem a apresentar proposta geral às reivindicações da categoria no dia 13
- Super Caixa precisa ser negociado e reconhecer o trabalho de todo o quadro de pessoal do banco
- CEBB cobra avanços para funcionários do Banco do Brasil em negociação nesta quarta-feira (5)
- Campanha Nacional Unificada das bancárias e dos bancários entra em fase decisiva
- Bancos lucram mais com digitalização, mas clientes e trabalhadores pagam a conta
- Em resposta ao movimento sindical, Caixa esclarece patrocínio ao atletismo
- CEBB cobra valorização da carreira, melhorias nas funções e melhores condições de trabalho em negociação com o Banco do Brasil
- Desemprego no 2º trimestre é 5,4%, o menor já registrado no período