Especialista critica impeachment e alerta para 'precedente preocupante'
Em artigo no jornal Folha de S. Paulo, publicado na última quinta-feira (7), Danilo Limoeiro (foto), doutorando em Ciências Políticas pelo MIT e mestre pela Universidade de Oxford, alertou para os riscos de um impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.
“Primeiro, a presidente Dilma Rousseff mostrou habilidade de liderança aquém do necessário na Presidência da República. Segundo, não obstante, o pedido de impeachment contra ela carece de bases jurídicas robustas. A fragilidade jurídica do pedido de impedimento o torna um processo primordialmente político”, alertou o cientista político.
Segundo Limoeiro, o impeachment é uma medida típica em “regimes parlamentaristas”, onde o líder político necessita do apoio da maioria dos parlamentares. Porém, no presidencialismo a medida é classificada como “estranha” e pode levar a “imobilismo e paralisia do poder público”, afirma o especialista.
Em seguida, o cientista político alerta para os riscos de um impeachment concretizado sem um motivo “exepcional”. “Deslocaria o poder do Executivo para o Parlamento. Com as instituições políticas vigentes no Brasil, as consequências seriam no mínimo preocupantes.”
“Os próximos presidentes ficariam sobe constante ameaça de um possível impeachment caso não mantenham uma base parlamentar coesa. O apoio individual de cada parlamentar passa a valer mais, e o Executivo seria obrigado a satisfazer a sanha dos congressistas por mais recursos públicos por meio de emendas, contratos com empresários camaradas ou cargos no governo”, alerta Limoeiro.
Por fim, o cientista político demonstrou preocupação com os rumos do Brasil com o clima de insegurança gerado pelo pedido de impedimento da presidenta. “Comparado a um presidente que tem a certeza de que cumprirá seu mandato e que poderá colher os frutos dessas medidas, um presidente constantemente ameaçado com o voto de desconfiança vai titubear muito mais em implementá-las.”
MAIS NOTÍCIAS
- Bradesco lucra R$ 13,861 bi no semestre, mas segue demitindo e fechando agências
- Banco Central reduz Selic para 14% ao ano, mas juros seguem elevados e favorecendo apenas o mercado financeiro
- Financiários definem prioridades para a Campanha Nacional 2026
- CUT convoca mobilização nacional no dia 10 de agosto pelo fim da escala 6x1
- Mobilização ganha força nas agências e recado aos bancos é claro: a categoria exige valorização!
- Santander tenta intimidar Previc na Justiça para se eximir de obrigações com o Banesprev
- Saúde Caixa: Banco apresenta proposta que chega a dobrar mensalidade
- Economus: Diálogo com conselheiros resulta em propostas de melhorias no processo de autorização para exames
- Conferência Nacional dos Financiários começa com debate sobre perfil da categoria, saúde e prioridades da Campanha Nacional 2026
- BB perde a oportunidade de apresentar respostas às reivindicações dos trabalhadores
- Super Caixa precisa ser negociado e reconhecer o trabalho de todo o quadro de pessoal do banco
- Após pressão sindical, Itaú confirma vigilantes em todos os Espaços Itaú de Negócios até outubro
- CEBB cobra avanços para funcionários do Banco do Brasil em negociação nesta quarta-feira (5)
- Campanha Nacional Unificada das bancárias e dos bancários entra em fase decisiva
- Campanha Nacional: bancos se comprometem a apresentar proposta geral às reivindicações da categoria no dia 13