MPT aprofunda investigação sobre falta de contratação na Caixa
O procurador Carlos Eduardo Brisolla, do Ministério Público do Trabalho, apontou, nesta terça-feira (15), que há indícios de irregularidades trabalhistas e administrativas na falta de contratações pela Caixa Econômica Federal. Ele também fala em possível afronta aos princípios constitucionais dos concursos públicos e em desrespeito a acordo coletivo. Por isso, determinou que haja o aprofundamento das investigações.
“Entendo que os elementos presentes na presente mediação sugerem indícios de irregularidades trabalhistas e administrativa que demandam a intervenção do MPT, em sua função investigatória”, relata o procurador no despacho. O documento cita uma possível afronta aos princípios constitucionais que regem os concursos públicos, presentes no artigo 37 da Constituição Federal de 1988. Justifica que “a realização de concurso público para mero cadastro de reserva, sem um correto dimensionamento de vagas existentes e com a presença de aproximadamente 32 mil candidatos aprovados em espera, gera insegurança jurídica e ausência de transparência quanto a procedimento de seleção pública”.
O despacho esclarece que em informações recentes, a Caixa afirmou que não tem qualquer cronograma de convocação dentro do prazo de validade do certame, em “possível descumprimento também do que ajustado em norma coletiva com repercussão não apenas para as partes signatárias, mas para uma coletividade de trabalhadores”. A norma coletiva citada é o ACT 2014/2015.
“Destacamos, mais uma vez, que a falta de empregados é uma realidade que afeta as unidades da Caixa de todo o país. A empresa insiste que cumpriu a cláusula 50 do ACT 2014/2015, pois contratou mais 2 mil novos empregados desde então, mas ignora o fato de mais de 3 mil trabalhadores terem deixado o banco por meio do Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA) realizado este ano. Estamos acompanhando tudo de perto”, destaca o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.
Fabiana Matheus, coordenadora da CEE/Caixa, reforça que diante da intransigência da Caixa, mesmo após a intervenção do Ministério Público do Trabalho, é preciso ampliar a luta e a mobilização. “Uma das ações desenvolvidas pelas entidades sindicais e os concursados é a coleta de 100 mil assinaturas no abaixo-assinado até o final de janeiro, buscando o apoio dos clientes e da população em geral. São inaceitáveis todos os argumentos da empresa para não retomar as contratações”, diz.
MAIS NOTÍCIAS
- Burnout explode 823% e novo decreto fará empresas pagarem caro por metas absurdas: escala 6×1 é próximo alvo
- Bancários do Itaú fazem assembleia virtual sobre acordo de CCV nesta sexta-feira (15). Participe!
- Escala 6x1 e jornada de 44h contribuem para a desigualdade de renda no Brasil
- Oficina de Formação da Rede UNI Mulheres aborda desafios para igualdade de gênero no país, com aulas práticas de autodefesa
- Pressão por vendas: com regras piores para pagar comissões, lucro da Caixa Seguridade aumenta 13,2% no 1º tri. Dividendos pagos alcançam R$ 1,05 bi
- Fechamento de agências bancárias amplia exclusão de pessoas com deficiência e população vulnerável
- Sindicato participa de lançamento de livro que celebra legado político e sindical de Augusto Campos
- Santander reduz lucro no 1º trimestre de 2026 e mantém cortes de empregos e fechamento de unidades
- Movimento sindical cobra retomada imediata da mesa de negociação da Cassi
- ELEIÇÕES SINDICAIS: Termo de encerramento do prazo de impugnação de canditaduras
- Empossados os integrantes do Conselho Fiscal da Cabesp
- Candidaturas apoiadas pelo Sindicato vencem eleições do Economus
- A nova realidade do endividamento brasileiro
- Escala 6x1 é denunciada no Senado como forma de violência estrutural contra as mulheres
- Itaú é denunciado por dificultar afastamento de trabalhadores adoecidos