Bancos são mal avaliados no quesito defesa do consumidor em pesquisa do Idec
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) lançou na última segunda-feira (14) a edição 2016 do Guia dos Bancos Responsáveis (GBR). O estudo analisa as políticas de crédito e investimento dos sete maiores bancos em ativos do país, segundo dados do Banco Central (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander, HSBC e BTG), que juntos respondem por 80% dos depósitos e créditos em âmbito nacional.
Realizada desde 2010, na pesquisa foram avaliados em uma escala de zero a dez os conjuntos de políticas declaradas e publicadas das instituições financeiras em catorze temas: Direitos Humanos; Direitos Trabalhistas; Impostos e Corrupção; Meio Ambiente; Mudanças Climáticas; Alimentos; Armas; Florestas; Geração de Energia; Mineração; Óleo e Gás; Setor Financeiro; Remuneração e Transparência e Prestação de Contas. A análise das políticas dos bancos é realizada a partir dos documentos públicos das próprias instituições (sites, relatórios anuais, compromissos e tratados setoriais), nacionais e internacionais.
Uma novidade da pesquisa é a inserção do tema Direitos do Consumidor sob a mesma estrutura metodológica. Ainda na forma de estudo temático, com nota separada dos demais temas, os resultados deixam evidente a necessidade das instituições detalharem seus compromissos com os clientes em políticas e procedimentos. Trata-se de uma análise ainda a respeito das políticas das instituições financeiras relativas a direitos do consumidor, e esses resultados são anualmente complementados com os estudos de práticas já conduzidos pelo Idec há vários anos, publicados no site e revista do instituto, bem como na própria página do GBR.
A análise contemplou os seguintes itens em direitos do consumidor: transparência sobre serviços, cobranças e riscos; combate ao superendividamento; qualidade do serviço; tratamento não discriminatório e gestão das reclamações.
Segundo a pesquisa do Idec, os bancos ficaram muito mal avaliados em relação a um conjunto de regras que já deveriam estar amplamente institucionalizadas e refletidas nas políticas expressas das instituições. O Código de Defesa do Consumidor completará 25 anos de vigência em 2016, um conjunto de diretrizes e princípios mais antigo que muitas das regras específicas do setor financeiro. Em uma escala de zero a dez, o máximo atingido pelos bancos foi de 4,8.
Para Carlos Thadeu de Oliveira, gerente técnico do Idec, “o que estamos observando é que o avanço dos bancos é muito mais lento do que se esperava, uma vez que o setor financeiro pode e deveria ser um importante indutor de mudanças sociais e econômicas, não somente ambientais, porque é ele quem canaliza recursos para toda a economia. Se há políticas exigentes e claras sobre determinados assuntos, isso tende a se refletir nas práticas de toda a economia. Por outro lado, é triste ver que em matéria de proteção e defesa do consumidor os bancos não entenderam, ainda, que é tarefa deles também zelar por isso, explicitando essa preocupação em políticas institucionais”.
O Guia dos Bancos Responsáveis é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), com o apoio da Oxfam Novib e suporte financeiro da Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional (SIDA). A iniciativa faz parte da Fair Finance Guide International (FFGI).
MAIS NOTÍCIAS
- Burnout explode 823% e novo decreto fará empresas pagarem caro por metas absurdas: escala 6×1 é próximo alvo
- Bancários do Itaú fazem assembleia virtual sobre acordo de CCV nesta sexta-feira (15). Participe!
- Escala 6x1 e jornada de 44h contribuem para a desigualdade de renda no Brasil
- Oficina de Formação da Rede UNI Mulheres aborda desafios para igualdade de gênero no país, com aulas práticas de autodefesa
- Pressão por vendas: com regras piores para pagar comissões, lucro da Caixa Seguridade aumenta 13,2% no 1º tri. Dividendos pagos alcançam R$ 1,05 bi
- Fechamento de agências bancárias amplia exclusão de pessoas com deficiência e população vulnerável
- Sindicato participa de lançamento de livro que celebra legado político e sindical de Augusto Campos
- Santander reduz lucro no 1º trimestre de 2026 e mantém cortes de empregos e fechamento de unidades
- Movimento sindical cobra retomada imediata da mesa de negociação da Cassi
- ELEIÇÕES SINDICAIS: Termo de encerramento do prazo de impugnação de canditaduras
- Empossados os integrantes do Conselho Fiscal da Cabesp
- Candidaturas apoiadas pelo Sindicato vencem eleições do Economus
- A nova realidade do endividamento brasileiro
- Escala 6x1 é denunciada no Senado como forma de violência estrutural contra as mulheres
- Itaú é denunciado por dificultar afastamento de trabalhadores adoecidos