26/10/2015
Bancários da região aprovam proposta de 10% em salários e 14% nos vales; bancos reabrem amanhã
Os bancários de Catanduva e região aprovaram por maioria de votos, em assembleia realizada nesta segunda-feira (26), a proposta feita pela Fenaban, a federação dos bancos, que prevê reajuste de 10% para salários, piso e PLR, e de 14% para vales alimentação e refeição e para a 13ª cesta.
Foi uma das greves mais longas e fortes da categoria bancária, rompendo a resistência das instituições financeiras que, durante quase um mês de paralisação, insistiram em apresentar propostas com índices que sequer repunham a inflação de 9,88% (INPC) e impunham perdas para a categoria.
“Esse ano foi mais difícil que os anteriores, frente à tentativa dos banqueiros de acabar com o aumento real. Entramos numa campanha salarial com a proposta de 5,5% de reajuste e abono para não repor a inflação”, avaliou Paulo Franco, presidente do Sindicato dos Bancários.
Ele apresentou as conquistas da greve e avaliou como positiva a proposta final. “Os bancos lucram, demitem e estão sempre com a mesma política de explorar os bancários. Queriam até descontar os dias parados. Outras categorias estão conseguindo apenas a inflação ou índices inferiores a ela”.
Diretor do Sindicato, Amarildo Davoli comemorou o resultado da greve e esclareceu que as negociações são exaustivas para que a questão não seja levada à Justiça. “Debatemos até o último minuto para não deixar que um juiz, que nasceu em berço esplêndido, decida e prejudique a categoria”.
BB e Caixa
Os dirigentes sindicais Roberto Carlos Vicentim e Antônio Júlio Gonçalves Neto, o Tony, apresentaram aos bancários, durante a assembleia, as conquistas específicas obtidas durante as negociações com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, respectivamente.
“A Caixa estava irredutível com o PLR Social e a GDP. Seria um assédio moral institucionalizado. Foram três dias de negociação intensa que eu nunca tinha visto. Queriam até descontar os dias parados”, analisou Tony.
A força da mobilização, que elevou de 5,5% para 10% o reajuste salarial, segundo afirmou Roberto Vicentim, comprova a força da mobilização da categoria. “Isso mostra que podemos conquistar muito mais, ao passo que a unidade da categoria for cada vez maior no movimento grevista.”
O diretor do Sindicato apresentou conquistas e detalhou avanços para os bancos incorporados. Ele ainda celebrou o anúncio de que o Banco do Brasil não abrirá mais agências sem portas giratórias com detector de metais.
Saúde
Os bancos apresentaram um termo de entendimento a ser assinado entre os seis maiores bancos e o movimento sindical bancário com mesas específicas para tratar de ajustes na gestão das instituições de modo de reduzir as causas de adoecimento e afastamento. As comissões de empresa acompanharão para garantir a melhoria das condições de trabalho.
Dias parados
A Fenaban também tentou fazer com que os trabalhadores pagassem ou compensassem todos os dias paralisados durante a greve. O Comando Nacional dos Bancários não aceitou e isso fez com que as negociações se arrastassem por toda a sexta-feira. A rodada foi interrompida por volta de 23h30 e somente no sábado à tarde os bancos cederam.
Assim, a negociação garantiu que não haverá desconto dos dias e a compensação resultaria em abono de 63% dos dias parados para quem faz jornada de seis horas e de 72% dos dias para quem faz oito horas. A compensação, seja para quem fez os 14 dias úteis de greve ou menos seria de, no máximo, uma hora por dia, entre 4 ou 5 de novembro até 15 de dezembro.
Vitória da luta
“Esse resultado foi alcançado graças à pressão dos trabalhadores, que não podem ser punidos pelo seu direito à mobilização”, afirma a vice-presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando.
“A proposta apresentada representa mais um ano em que os bancários conseguirão garantir seu poder de compra. Estamos num ano de recessão, não crescimento, desemprego maior, com categorias fechando acordos até abaixo da inflação. Diante desse cenário a luta dos bancários representa uma vitória contra os bancos que queriam impor perdas à categoria.”
Com esse índice, em 12 anos a categoria vai acumular 20,83% de ganho real nos salários e 42,3% nos pisos. “Os bancos tentaram impor perdas à categoria e foram derrotados pela forte mobilização dos trabalhadores. E ainda queriam impor penas aos trabalhadores por uma greve que eles levaram a categoria a fazer. Não aceitamos e os bancários que lutaram estão de parabéns. Todo o resultado veio da força da nossa luta, da nossa resistência”, reforça.
Votações
Nas votações, os bancários da região aprovaram a proposta feita pela Fenaban por maioria de votos e, de forma unânime, que a categoria permaneça mobilizada nesta segunda-feira (26), preparando-se para a reabertura das agências na terça-feira (27).



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